Jornalista e escritor Mário Zambujal
Lançada em 1980, “Crônica dos Bons Malandros”, que foi mais tarde adaptada ao cinema e televisão, é uma das suas obras mais conhecidas. Mário Zambujal (© Arquivo de Reinaldo Rodrigues)
Mário Joaquim Marvão Gordilho Zambujal (nasceu em Moura, em 5 de março de 1936 – faleceu em Lisboa, em 12 de março de 2026), foi jornalista e escritor. Entre as várias obras que assinou, conta-se Crónica dos Bons Malandros, adaptada ao cinema e televisão, e uma das mais conhecidas do percurso literário do escritor.
Nascido no concelho alentejano de Moura, a 5 de março de 1937, passou a juventude em Faro e estabeleceu-se como jornalista em Lisboa, onde integrou as redações de jornais como A Bola, Record, O Século, o Mundo Desportivo e Diário de Notícias, tendo sido ainda colunista do 24 Horas.
Em 1977, deu início à carreira televisiva na RTP, canal ao serviço do qual apresentou vários programas, nomeadamente “Quem Conta um Conto”, a “Semana que Vem” ou o “Grande Encontro”, este último na área do desporto e que viria a tornar-se uma referência da estação pública. Zambujal colaborou igualmente com programas de rádio.
A carreira de escritor foi lançada na década de 80 com a obra Crónica dos Bons Malandros, que o tornou conhecido do grande público e que, pelo sucesso alcançado, viria a ser adaptada ao cinema e televisão.
Com uma escrita versátil, foi autor de romances, contos e crônicas que incluem títulos como “Histórias do Fim da Rua”, “À Noite Logo Se Vê”, “A Dama de Espadas”, “Talismã”, “Já Não Se Escrevem Cartas de Amor” ou “Últimas Notícias do Paraíso”.
Escreveu também guiões para televisão e rádio, além de textos, em coautoria, de teatro de revista como “Não Batam Mais no Zézinho”, “Isto É Maria Vitória” ou “Toma Lá Revista”.
O último livro de Mário Zambujal, “O último a sair”, foi publicado no ano passado.
Em 2024, foi agraciado com o Prémio Gazeta de Mérito, atribuído pelo Clube de Jornalistas.
Mário Zambujal faleceu na quinta-feira 12 de março de 2026, aos 90 anos.
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, também usou as redes sociais para homenagear o jornalista e escritor. “Partiu Mário Zambujal e, com ele, uma dessas raras ironias luminosas que sabiam rir de Portugal sem nunca o trair”, referiu.
“Ficamos mais pobres em graça e elegância, daquelas que não fazem ruído, mas deixam eco, como a palavra bem dita”, lamentou Moedas, que diz despedir-se “de um contador de histórias”. “Amanhã voltaremos a encontrá-lo onde verdadeiramente vivem os escritores: na memória viva dos leitores”, acrescentou.
Com a morte de Mário Zambujal, “perde-se mais um pouco da nossa cultura”, lamentou Ana Catarina Mendes, eurodeputada do PS.
“Guardo o seu sorriso aberto, a sua gentileza e os livros que fazem parte da minha estante”, escreveu numa mensagem divulgada nas redes sociais, onde recordou o primeiro livro de Mário Zambujal que leu.
Na mesma publicação, Ana Catarina Mendes lembrou a sua participação no programa Quem Conta um Conto, apresentado por Mário Zambujal e Rita Ferro. “Comprovei que a sua amabilidade, inteligência e sensibilidade eram genuínas, tal qual as palavras escritas por si”, referiu.
“O programa consistia na escrita de um conto, em cinquenta minutos (que o meu amigo Bruno Ramos escreveu) e uma prova de gramática que me calhou a mim. Ganhámos o concurso. Ficou-me dessa experiência o gosto de Mário Zambujal pela língua portuguesa e pelo rigor da escrita”, lembra a eurodeputada.
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