Marcelo Cerqueira, foi professor, ex-deputado federal e brilhante advogado de presos políticos, participou, em 1986, quando Sarney assumiu a Presidência da República após a morte de Tancredo Neves, da equipe de Fernando Lyra no Ministério da Justiça

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Advogado e ex-deputado Marcelo Cerqueira, era referência na defesa da democracia

Político e ativista sobreviveu a dois atentados, um contra seu carro e outro contra sua casa

 

Marcelo Augusto Diniz Cerqueira (nasceu no Rio de Janeiro, em 6 de agosto de 1939 – faleceu no Rio de Janeiro, em 28 de fevereiro de 2026), advogado, professor, ex-deputado federal e brilhante advogado de presos políticos.

Nascido no Rio de Janeiro, carioca do Grajaú, onde nasceu em agosto de 1938, Marcelo Cerqueira construiu uma trajetória marcada pela atuação na advocacia e na vida pública. Formado pela antiga Faculdade Nacional de Direito, ainda jovem participou do movimento estudantil e também atuou como jornalista.

Em depoimento à UNE, ele contou que sua vida política começou ainda no curso de Ciências Jurídicas e Sociais, na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Nessa época, chegou a exercer a função de repórter do Jornal Metropolitano, sob a direção de Paulo Alberto Monteiro de Barros, que ficou conhecido depois como Artur da Távola.

Marcelo, em 1957, filiou-se à Juventude Comunista. Em 1964, foi vice-presidente da UNE, à época comandada por José Serra. Com o golpe militar, foi obrigado a se exilar e seguiu, primeiramente, para a Bolívia, depois para o Chile e, finalmente, para a Europa.

Retornou ao Brasil em 1965. Depois de ficar 100 dias preso, concluiu o curso de Direito e começou a advogar em defesa de perseguidos políticos. Sem cobrar honorários, defendeu mais de mil pessoas processadas pela Lei de Segurança Nacional.

Com o apoio do clandestino PCB, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 1978. Em abril de 1981, foi vítima de dois atentados: um contra seu carro e outro contra sua casa. Em depoimento à UNE, atribuiu os crimes à ultradireita, “que tentava, por meio do terrorismo, barrar o processo de abertura política”.

Participou, em 1986, quando Sarney assumiu a Presidência da República após a morte de Tancredo Neves, da equipe de Fernando Lyra no Ministério da Justiça. Nessa equipe, reuniu um grupo de notáveis, entre eles Sepúlveda Pertence, José Paulo Cavalcanti, Técio Lins e Silva e Cristóvão Buarque, entre outros.

Foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes em 1964 e, durante a ditadura militar, foi perseguido politicamente e obrigado a viver no exterior. De volta ao país, destacou-se na defesa de presos políticos e em processos baseados na Lei de Segurança Nacional.

Eleito deputado federal pelo Rio em 1978, participou dos debates do processo de redemocratização. Mais tarde, presidiu o Instituto dos Advogados Brasileiros entre 2000 e 2002 e publicou obras nas áreas jurídica, política e literária.

 

Marcelo Cerqueira morreu no sábado (28), no Rio de Janeiro, aos 87 anos, em decorrência de complicações causadas por pneumonia e infecção generalizada.

A morte foi confirmada pela Ordem de Advogados do Brasil (OAB-RJ), que divulgou uma nota de pesar. O velório está marcado para segunda-feira (2), no Cemitério e Crematório Memorial do Carmo, no Caju.

Marcelo Cerqueira deixa três filhas. O velório foi na segunda-feira (2), na Capela Salão Celestial do Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária da cidade.

A OAB-RJ manifestou solidariedade a familiares e amigos e destacou o legado do advogado.

“A OABRJ se solidariza com familiares, amigos e colegas de Cerqueira e registra seu legado de compromisso com a advocacia, com o Estado democrático de Direito e com as instituições brasileiras.”

(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/03/01 – Globo Notícias/ RIO DE JANEIRO/ NOTÍCIA/ Por TV Globo – 01/03/2026)

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