Luciene Franco, cantora carioca, popularizada por seu trabalho nas rádios brasileiras, ficou conhecida como uma das intérpretes favoritas do compositor Ary Barroso, que impulsionou sua carreira ao levá-la a se apresentar com o cantor Ernani Filho

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Luciene Franco, voz marcante do auge da rádio brasileira

Luciene Franco, cantora (do fim) da era do rádio que lançou ‘Ternura antiga’

 

 

 

Luciene Franco (nasceu em 3 de janeiro de 1939 no Rio de Janeiro, RJ – faleceu em 10 de dezembro de 2024 no Rio de Janeiro, RJ), cantora carioca, popularizada por seu trabalho nas rádios brasileiras

Franco iniciou sua carreira em 1957, a partir da rádio carioca. Ela lançou seu primeiro disco naquele mesmo ano, que contava com um bolero composto por Luiz Bonfá, “Tarde Morena de Espanha”, e um samba de Vincente Paiva, “Ave Maria”.

A cantora ficou conhecida como uma das intérpretes favoritas do compositor Ary Barroso, que impulsionou sua carreira ao levá-la a se apresentar com o cantor Ernani Filho. Em 1958 ela foi indicada por Bonfá para trabalhar na TV Rio, e no mesmo ano, gravou “Paz de Espírito”, samba de Bonfá, e “Eu Fui de Novo à Penha”, de Barroso.

Também nos anos 1950, Franco marcou presença no aniversário do presidente Juscelino Kubitschek, a convite de Barroso.

Em 1961, chegava a vez de um dos seus maiores sucessos, o samba-canção “Ternura Antiga”, canção feita em parceria entre o pianista José Ribamar Pereira da Silva e Dolores Duran. Foi também o ano do samba “Poema do Adeus”, de Luís Antônio.

Seu primeiro LP, “A Notável”, foi lançado em 1964, e traziam, entre os destaques, os sambas-canção “Diga Adeus e Vá”, de Hianto de Almeida e Macedo Netto, e “Chamando Você”, de Bonfá, e o “Baião Triste”, de Altamiro Carrilho e Miguel Gustavo.

Durante a sua carreira, a artista gravou ainda outros dois LPs, “Lucienne é Amor”, de 1962, e “Pelos Caminhos do Mundo”, lançado em 1963. Sua última gravação durante esse período inicial de sua trajetória se deu com a música “Tanto Amor Nunca Mais”, produzida para integrar a trilha sonora da novela “Cuca Legal”, que foi ao ar pela Globo em 1975.

Em 1960, ao participar do Festival do Rio, a cantora Luciene Franco apresentou Ternura antiga, uma das mais belas canções da parceria de José Ribamar Pereira da Silva (1919 – 1987) – o grande pianista conhecido artisticamente como Ribamar – com Dolores Duran (1930 – 1959), compositora que havia falecido no ano anterior, aos 29 anos.

Ter lançado Ternura antiga, no disco do festival editado em 1960, foi um dos maiores feitos da cantora carioca Luciene Habib Franco Freitas Câmara.

A despeito de ter lançado Ternura antiga, música que se tornaria um standard da música brasileira, o maior sucesso da cantora – que assinava Lucienne Franco no início da carreira, iniciada em 1957 – foi Ma vie, música do cantor e compositor francês Alain Barrière (1935 – 2019), lançada pelo autor em 1964 e regravada por Luciene em 1965.

Revelada no fim da era do rádio, Luciene Franco lançou em 1957 o primeiro disco, um single de 78 rotações que trazia no lado B uma música de Luiz Bonfá (1922 – 2001), o bolero Tarde morena de Espanha. Violonista e compositor carioca, Bonfá seria nome recorrente nos créditos da discografia de Luciene Franco, dominada por singles. Mas consta que a cantora era uma das intérpretes favoritas de Ary Barroso (1903 – 1964), de quem lançou o samba Eu fui de novo à Penha em disco de 1958.

Luciene Franco gravou somente três álbuns – A notável (1959), Lucienne é amor (1962) e Pelos caminhos do mundo (1963) – e cantou muito em programas da TV Rio, emissora que a contratou no auge da carreira.

Em que pese os eventuais sucessos da fase inicial da trajetória profissional, a artista abandonou a carreira e passou a trabalhar no ramo da hotelaria. A última gravação dessa fase inicial foi Tanto amor nunca mais (Radamés Gnattali e Mário Lago), feita para a trilha sonora da novela Cuca legal, exibida pela TV Globo em 1975.

A volta ao disco aconteceu quase 40 anos depois no tributo Dalva de Oliveira 100 anos – Ao vivo, produzido por Thiago Marques Luiz e lançado em 2018 com o registro do show coletivo de 2017 em homenagem ao centenário da estrela Dalva de Oliveira (1917 – 1972).

Neste tributo, Luciene cantou sozinha E a vida continua (Jair Amorim e Evaldo Gouveia, 1961) e, ao lado de Ellen de Lima e de Márcio Gomes, reviveu Rancho da Praça Onze (João Roberto Kelly e Chico Anysio, 1964).

A derradeira gravação da artista foi feita para tributo produzido pelo mesmo Thiago Marques Luiz para exaltar a memória de Ivon Curi (1928 – 1995). No álbum Um personagem chamado Ivon Curi (2020), a voz de Luciene Franco se harmonizou com o toque do acordeom de Caçulinha (1938 – 2024) para registrar Sob o céu de Paris (Hubert Giraud e Jean Drejac em versão em português de Osvaldo Quirino, 1954), coincidentemente uma música que falava da França, país que gerou Ma vie, o maior sucesso de Luciene Franco.

Seu retorno ao disco aconteceu em 2018, com o lançamento do tributo “Dalva de Oliveira 100 anos – Ao vivo”. A última gravação de Franco se deu em 2020, quando participou do álbum “Um Personagem Chamado Ivon Curi”, disco que celebra o falecido cantor e compositor brasileiro, morto em 1995.

Luciene Franco faleceu na terça-feira 10 de dezembro de 2024, aos 85 anos em hospital da cidade natal do Rio de Janeiro (RJ). A morte foi confirmada nas redes sociais por Márcio Gomes, músico que promoveu o retorno de Franco aos palcos após ela ficar 15 anos longe deles.

“Com grande tristeza, comunico o falecimento de nossa Luciene Franco. Foram quase setenta dias de luta! Está agora nos braços do Pai! Amiga em todos os momentos da minha vida. Eu consegui trazê-la aos palcos depois de seu afastamento voluntário, foi um presente para todos. Sua voz foi e será das mais lindas que já ouvi”, escreveu ele no Instagram.

Franco lidava com complicações de saúde em sua coluna desde o último mês de julho, segundo postagem feita no seu Instagram.

(Créditos autorais reservados: https://www.msn.com/pt-br/entretenimento/noticias – Folha de S.Paulo/ ENTRETENIMENTO/ NOTÍCIAS/ SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – 10/12/2024)

(Créditos autorais reservados:  https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2024/12/10 – Globo Notícias/ POP & ARTE/ MÚSICA/ Blog do Mauro Ferreira/ Por Mauro Ferreira – 10/12/2024)

Por Mauro Ferreira

Jornalista carioca que escreve sobre música desde 1987, com passagens em ‘O Globo’ e ‘Bizz’.

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