Embaixadora aposentada Leda Lucia Martins Camargo, uma das maiores diplomatas nascidas no Rio Grande do Sul
Ela chefiou representações brasileiras em Moçambique, na República Tcheca e na Suécia.
Embaixadora Leda Lucia Martins Camargo — (Foto: Marco Favero/ Agencia RBS)
Leda Lúcia Martins Camargo (nasceu em Porto Alegre, em 5 de março de 1946 — faleceu em Porto Alegre, em 15 de fevereiro de 2026), era diplomata e ex-embaixadora gaúcha, formou-se no Instituto Rio Branco em 1977, e se consolidando como uma das mais importantes diplomatas nascidas no Rio Grande do Sul.
Dedicou sua vida ao Serviço Exterior Brasileiro, tendo desempenhado funções de relevo no âmbito do MRE. Foi Embaixadora do Brasil na Suécia (2011—2014), na República Tcheca (2008—2011) e em Moçambique (2004-2008).
No Brasil, exerceu diversas funções de destaque, em especial as de chefe do Escritório de Representação no Rio Grande do Sul (2014-2016) e o posto de chefe de gabinete da Subsecretaria-Geral de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior, função que exerceu entre (1997—2000).
Nascida em 5 de março de 1946, Leda chefiou representações brasileiras em três países: foi Embaixadora do Brasil em Moçambique entre 2004 e 2008; na República Tcheca, de 2008 a 2011; e na Suécia, de 2011 a 2014.
Ela ingressou na carreira diplomática em 1977, após concluir sua formação no Instituto Rio Branco.
Dedicou sua vida ao Serviço Exterior Brasileiro, tendo desempenhado funções de relevo no âmbito do MRE. Foi Embaixadora do Brasil na Suécia (2011—2014), na República Tcheca (2008-2011) e em Moçambique (2004—2008).
Filha de Ernani Saldanha de Camargo e Leda Adelina Martins Camargo, Leda se graduou em Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1969. Nos anos seguintes, acumulou estudos de pós-graduação em Direito Internacional, Ciências Políticas e Sociologia em diversas instituições internacionais, incluindo a Academia de Direito Internacional de Haia, nos Países Baixos.
Ainda durante a graduação, na década de 1960, Leda conheceu, em uma viagem ao Paraguai, a então estudante de jornalismo Ana Amélia Lemos. A amizade entre as duas permaneceu forte desde então, por quase 60 anos.
Quando retornou ao Brasil, Leda ingressou no Instituto Rio Branco, onde se graduou em 1977. Como representante do Itamaraty, a gaúcha teria uma carreira de quase quatro décadas de serviços prestados.
Durante a carreira diplomática, Leda serviu como secretária e conselheira nas embaixadas brasileiras em Nova Déli, Washington, Buenos Aires e Roma, além de ter atuado como cônsul-adjunta em Santiago, no Chile. Já em 2004, foi nomeada para ser a embaixadora brasileira em Moçambique, onde atuou entre 2004 e 2008.
Atuando no país africano, Leda se apaixonou pela história e cultura local. Ainda, cultivou amizade com grandes personalidades do país, como o escritor Mia Couto e Graça Machel, primeira-dama de Moçambique e ex-esposa de Nelson Mandela, que participou do Fronteiras do Pensamento em Porto Alegre no ano de 2019.
Nos anos seguintes, a diplomata gaúcha ainda seria embaixadora em outros dois países. Foi a representante máxima da diplomacia brasileira na República Tcheca, entre 2008 e 2011, e depois na Suécia, entre 2011 e 2014.
No país escandinavo, a diplomata gaúcha fez uma outra amizade marcante em sua trajetória: se tornou amiga pessoal da rainha do país, a rainha Silvia, nascida na Alemanha mas filha de mãe brasileira.
Curiosamente, sua última missão como diplomata foi em seu Estado natal. Entre 2014 e 2016, Leda atuou como chefe do escritório de representação do Itamaraty no Rio Grande do Sul. Quando voltou ao território gaúcho, a diplomata passou a conviver mais com os amigos que moravam no Estado, como a ex-governadora Yeda Crusius, a quem conheceu durante a década de 1990.
— Conheci a Leda em compromissos profissionais ainda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, e quando ela voltou a Porto Alegre tivemos um período de contato maior. Além de uma grande representante do Brasil, ela também sempre foi uma grande representante do Rio Grande do Sul, sempre defendeu os interesses do Estado e da economia gaúcha por onde passou. Como amiga, era uma ótima companhia, muito divertida, com um humor que tinha uma ironia fina. Vou sentir muita falta dos nossos momentos juntas — ressalta a ex-governadora.
Depois de sua aposentadoria, Leda permaneceu morando em Porto Alegre, ocupando um apartamento na Rua 24 de Outubro, no bairro Moinhos de Vento. Em sua casa, recheada de obras de arte e artigos que havia colecionado ao longo de sua vida, Leda fazia jantares e recepções recorrentes aos amigos.
Em 2022, Leda organizou e publicou o livro Os Diplomatas e suas Histórias (Editora Francisco Alves), que reúne relatos de nomes como Rubens Ricupero, Marcos Azambuja, José Botafogo Gonçalves e Celso Amorim. Nos últimos anos, a diplomata também fez parte da Confraria Paz, grupo de políticos e personalidades gaúchas que se reuniam mensalmente para debater temas de interesse público ao país.
— Quando criamos o grupo, convidamos a Leda para fazer parte, sabendo que ela teria grande contribuição a dar, por toda sua experiência e conhecimento. Logo ela se tornou uma das participantes mais ativas, não faltava a nenhuma reunião mensal, inclusive muitas acabaram sendo realizadas em sua casa. Era uma pessoa que sempre teve profunda preocupação com o Brasil, e um orgulho estupendo de ser brasileira e da cultura do nosso país — reforça Léo Voigt, amigo pessoal de Leda e um dos fundadores da confraria.
Desde 2024, Leda vinha enfrentando um mieloma múltiplo, um tipo de câncer que se desenvolve na medula óssea. Segundo familiares, a doença avançou a partir de setembro do ano passado. O quadro a levou a uma internação no Hospital São Lucas, da PUCRS, onde ela morreu nesta manhã.
Leda morreu na manhã do domingo (15), aos 79 anos, em Porto Alegre.
Leda nunca se casou nem teve filhos. Ela tinha uma irmã, Rejane, já falecida, de quem sempre foi muito próxima ao longo da vida. Leda também mantinha relação de grande proximidade com os dois sobrinhos, Nelson e Alessandra, principalmente depois que voltou a fixar residência em Porto Alegre.
— Ainda estou em choque. A dinda era uma pessoa incrível, com uma grande história de vida, uma grande carreira, e era também uma grande companhia. Hoje, perdi a minha segunda mãe — afirma o afilhado Nelson.
O velório de Leda Lúcia Martins Camargo ocorreu na segunda-feira (16), entre 12h e 17h, no Angelus Memorial e Crematório, na Avenida Porto Alegre, 320, bairro Medianeira, na Capital. Foi a despedida desta que foi uma das mais destacadas representantes do Brasil e do Rio Grande do Sul pelo mundo.
— A Leda foi uma grande diplomata e também uma grande amiga, fizemos viagens inesquecíveis juntas. Era uma pessoa muito culta, apaixonada por arte e literatura, e que tinha grande capacidade de fazer conexões e reunir amigos. É uma figura que despertou grande respeito e admiração pessoal em quem a conheceu — destaca a ex-senadora gaúcha.
Nota do Itamaraty
Nota do Ministério das Relações Exteriores
“O Ministério das Relações Exteriores (MRE) recebeu, com profundo pesar, a notícia do falecimento da Embaixadora Leda Lucia Martins Camargo, ocorrido em 15 de fevereiro de 2026, em Porto Alegre (RS).
O Ministro das Relações Exteriores, Embaixador Mauro Vieira, e a Secretária-Geral das Relações Exteriores, Embaixadora Maria Laura da Rocha, em nome do Itamaraty, expressam à família e aos amigos e amigas da Embaixadora Leda Lucia Martins Camargo as mais sentidas condolências.”
(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/02/15 – Globo Notícias/ RS/ RIO GRANDE DO SUL/ NOTÍCIA/ Por Madu Brito, g1 RS – 15/02/2026)

