Kirsten Flagstad, ex-soprano do Metropolitan Opera, em 1937, ela cantou três papéis heroicos em dias consecutivos: Brunhilde em “O Crepúsculo dos Deuses” na matinê de 2 de março, Elsa em “Lohengrin” na noite seguinte e Isolda na noite subsequente

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Flagstad indestrutível; Durabilidade de sua voz disse fantástica — confiabilidade marcada longa carreira sem pretensões de atuação estreia no Met

 

 

Kirsten Flagstad (nasceu em 12 de julho de 1895, Hamar, Noruega – faleceu em 7 de dezembro de 1962, em Oslo, Noruega), ex-soprano do Metropolitan Opera.

Se alguma vez existiu uma mulher que parecesse indestrutível, essa mulher era Kirsten. Durante seus anos no Metropolitan Opera, ela, o sol, a lua e as marés pareciam operar com igual confiabilidade.

Edward Johnson, então diretor-geral, a chamava de “nossa cantora mais cara e a mais barata, porque ela nunca cancela”. Não há registro de Flagstad ter adiado uma apresentação por motivo de doença. Aliás, não há registro de sua voz cansada.

A durabilidade de sua voz era fantástica. Em 1937, ela cantou três papéis heroicos em dias consecutivos: Brunhilde em “O Crepúsculo dos Deuses” na matinê de 2 de março, Elsa em “Lohengrin” na noite seguinte e Isolda na noite subsequente.

Também não há registro de histórias sobre grandes explosões de temperamento da parte dela. Ela sempre chegava na hora para os ensaios e apresentações, era uma boa colega e era amada por todos os funcionários da casa. Essa disposição equilibrada, que alguns chamavam de plácida, refletia-se em seu canto.

Ela não era uma cantora impulsiva. Frida Leider (1888 – 1975), a maior soprano wagneriana da geração imediatamente anterior à de Flagstad no Metropolitan, era uma Isolda mais feminina e mais calorosa. Flagstad nunca se entregou a um papel como Leider fazia; esse não era o seu estilo.

Sem pretensões de atuação

Uma mulher alta, de rosto belo e sereno, Flagstad nunca fingiu ser uma grande atriz. Por isso, permanecia praticamente imóvel no palco, contentando-se em proferir gloriosos tons.

Nesse aspecto, sua abordagem contida era preferível à de cantores que não sabem atuar, mas pensam que sabem. Que voz! Como descrevê-la? Era enorme, mas não soava enorme porque nunca era forçada ou desafinada.

Tinha um timbre prateado e frio, e era executada instrumentalmente, quase como se um violino gigante emitisse frases legato. Nunca foi um som apaixonado o que Flagstad produzia, e ainda assim seu canto tinha emoção e musicalidade.

E que autoridade! Uma frase de Flagstad, com seu acabamento perfeito e afinação primorosa, era inconfundível. Sua carreira foi muito longa. Estreou em 1913 e cantou até meados da década de 1950.

Uma das razões pelas quais conseguiu se manter ativa foi a solidez de seu método vocal. Outra, igualmente importante, foi o fato de que, quando jovem, não se apressou em assumir papéis dramáticos. A princípio, ela cantou em operetas.

Depois, assumiu alguns papéis de soprano ligeiro. Aos poucos, preparou-se para o dia em que cantaria os grandes papéis wagnerianos; e embora tivesse o papel de Brunhilde decorado desde muito jovem, só o interpretou na década de 1930.

Esse tipo de visão e planejamento não é imitado por muitos cantores hoje em dia, que se precipitam em papéis antes de estarem prontos e que viajam de jato de um continente para outro sem dar à voz a chance de descansar.

Flagstad representava uma geração que tinha mais tempo livre, assim como seu grande parceiro, o tenor Lauritz Melchior. Desde que os dois deixaram o Metropolitan, nós, em Nova York, simplesmente não ouvimos Wagner.

É verdade que Birgit Nilsson, atualmente a maior soprano wagneriana, é uma cantora brilhante, embora sem o controle de Flagstad (quem em qualquer geração tem esse tipo de controle?).

Mas Nilsson não tem um tenor com quem cantar. Afortunados somos nós que tivemos o privilégio de ouvir Flagstad e Melchior em seu auge!

Estreia no Met

Ela fez sua estreia no Metropolitan Opera em 2 de fevereiro de 1935, na apresentação da matinê de “Die Walküre”. O mais incrível é que ela chegou lá sem nenhum alarde. Quem já tinha ouvido falar de Kirsten Flagstad? Nós, estudantes daquela época, certamente não.

Éramos todos wagnerianos, que matávamos aula constantemente para ir ao Met e ouvir nossos cantores favoritos interpretando nosso compositor favorito. Tínhamos ouvido falar de Anny Konetzni e, no início daquela temporada, fomos em massa assistir à sua decepcionante estreia como Brunhilde em “Die Walküre”.

Assim, imaginamos que uma Sieglinde desconhecida chamada Flagstad obviamente não seria muito melhor. Foi assim que perdemos a estreia de Flagstad. Quando lemos as críticas, começamos a telefonar uns para os outros, trocando acusações.

Na sexta-feira seguinte, quando Flagstad cantou sua primeira Isolda, é claro que estávamos todos lá, chegando ao teatro por volta do meio-dia para garantir os melhores lugares em pé.

Nós, jovens críticos que éramos, concordamos que Flagstad era de fato tudo o que o Sr. Downes, o Sr. Gilman e o Sr. Sanborn haviam dito que ela era.

E continuamos concordando, assim como o público, por mais 20 anos. E assim também concordarão as futuras gerações, ao ouvirem suas gravações.

Se alguma mulher parecia indestrutível, era Kirsten, que morreu em 7 de dezembro em sua terra natal, a Noruega, aos 67 anos.

(Fonte: https://www.nytimes.com/1962/12/18/archives – New York Times/ ARQUIVOS/ Especial para o New York Times – Arquivos do do New York Times/ Por Harold C. Schonberg – NOVA YORK – 18 de dezembro de 1962)

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