JULIEN BENDA, FILÓSOFO.
Escritor francês, apóstolo da razão sobre o sentimentalismo, era um ‘homem sem coração’
Julien Benda (nasceu em 26 de dezembro de 1867, em Paris, França — faleceu em 7 de junho de 1956, em Fontenay-aux-Roses, França), foi um dos filósofos e romancistas mais controversos da França.
Benda nunca foi um autor popular, mas era muito comentado nos círculos literários e intelectuais que o conheciam. Ele começou a escrever em 1898 e, no meio século que se seguiu, poucas de suas obras deixaram de provocar debates.
Apóstolo da razão em detrimento do sentimentalismo, a ponto de um crítico o apelidar de “O Homem Sem Coração”, Benda defendia o intelecto em detrimento do misticismo e da intuição, e a ciência em detrimento da arte e da poesia.
Assim, entrou em constante conflito com a maioria dos outros escritores franceses, incluindo intelectuais como Charles Péguy, ensaísta, e Henri Bergson, filósofo. Ao mesmo tempo, Benda era um notável defensor da liberdade, da justiça e da verdade.
Em nome desses princípios, iniciou sua carreira literária defendendo a causa do Capitão Alfred Dreyfus em artigos para revistas. Planejado para ser engenheiro, M. Benda nasceu em Paris, filho de pais judeus de classe média, em 26 de dezembro de 1867.
Quando jovem, interessou-se por matemática e planejava ser engenheiro. Mas, apesar de sua paixão pela ciência, não conseguiu passar nos exames de admissão para a principal escola de engenharia da França, a École Polytechnique.
Após estudos malsucedidos na Escola Central de Ciências Aplicadas, ingressou na Sorbonne, a faculdade de artes liberais da Universidade de Paris, onde se formou em história.
No início do século XX, Julien Benda escreveu para os Cahiers de la Quinzaine, uma importante revista literária editada por Charles Péguy, que compartilhava das opiniões de Julien Benda sobre o caso Dreyfus. Logo entrou em conflito com Charles Péguy e com o que considerava seu irracionalismo.
Não gostou dos ataques do editor à Sorbonne e ficou chocado com a depreciação da ciência feita por ele. A principal fonte de renda de M. Benda durante esse período foi o negócio de exportação de seu pai. O negócio faliu em 1913 e o filósofo decidiu seguir carreira literária independente.
Seu primeiro romance, “T’Ordination”, havia sido publicado um ano antes. A obra tinha como objetivo sustentar a tese de Benda de que o sentimentalismo destrói a razão.
Ele tentou obter o cobiçado Prêmio Goncourt por ela, mas um ataque anterior que fizera a Bergson em nome do intelectualismo lhe rendera inimigos na Academia Goncourt, e ele acabou perdendo.
Um segundo romance foi publicado em 1922, no qual Benda retratou uma luta entre a vontade intelectual e o coração. Antes e depois disso, ele contribuiu para um grande número de revistas e jornais, além de publicar livros de crítica sobre o cenário contemporâneo.
Mesmo o patriotismo de Benda durante as guerras mundiais era intelectual, e não emocional. Ele se orgulhava de ser francês, dizia, porque “juro que a França, uma certa França, constitui uma via de passagem de valores essenciais”.
Um democrata convicto, Benda…
Em 1942, Benda escreveu uma análise do regime democrático intitulada “O Grande Teste das Democracias”. Ele afirmou que a democracia estava sendo continuamente conquistada pelo homem civilizado, mas que certas deformações poderiam colocá-la em risco.
Na época, a democracia francesa estava subjugada pelos ocupantes nazistas e pelo regime de Vichy. Nos últimos anos, Benda viveu aposentado e sua atividade literária diminuiu consideravelmente.
Julien Benda faleceu em 7 de junho de 1956 em sua casa em Fontenay-aux-Roses, nos arredores da cidade. Ele tinha 88 anos.
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1956/06/08/archives – New York Times/ Arquivos/ Arquivos do New York Times/ Exclusivo para o The New York Times – PARIS, 7 de junho — 8 de junho de 1956)
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