Juca de Oliveira: seis décadas de personagens marcantes na TV e no cinema
Ele foi um dos nomes mais importantes da dramaturgia brasileira.
Ele começou a carreira na TV Tupi na década de 1960.
Entre os personagens mais conhecidos estão o Drº Albieri, de o Clone, e Santiago, pai de Carminha, em Avenida Brasil.
Juca de Oliveira em ‘O Clone’ (2001) — (Foto: Gianne Carvalho/Globo)
Juca de Oliveira (nasceu em março de 1935, em São Roque (SP) — faleceu em 21 de março de 2026 em São Paulo), ator e dramaturgo, foi um dos nomes mais importantes da dramaturgia brasileira, com uma carreira que atravessa teatro, televisão e cinema.
Ex-bancário, ele migrou para o mundo da atuação e da dramaturgia na década de 1950. Ao todo, participou de mais de 30 novelas e minisséries, além de ter integrado o elenco de mais de dez longas-metragens e 60 peças de teatro, incluindo aquelas em que trabalhou como autor.
Nascido em março de 1935, em São Roque (SP), José Juca de Oliveira Santos descobriu a vocação artística ainda jovem, quando abandonou a faculdade de Direito para ingressar na Escola de Arte Dramática de São Paulo.
Ali, dividiu os primeiros palcos com nomes como Aracy Balabanian e Glória Menezes, antes de seguir para o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde atuou em montagens de obras clássicas como O Pagador de Promessas e A Morte do Caixeiro Viajante.
A carreira televisiva de Juca começou na TV Tupi, durante os anos 1960, quando participou de teleteatros e humorísticos. Mas foi em 1969 que alcançou enorme popularidade ao interpretar Nino, protagonista da novela Nino, o Italianinho. O ator participou de 304 episódios da produção entre 1969 e 1970, consolidando-se como um rosto conhecido do grande público.
Na década seguinte, Juca emplacou uma sequência de papéis marcantes. Viveu João Gibão na primeira versão de Saramandaia (1976), personagem lembrado até hoje por seu carisma e pela mistura de realismo mágico presente na trama. Ainda nos anos 1970, integrou novelas como Cuca Legal (1975), À Flor da Pele (1976) e Pecado Rasgado (1978), interpretando figuras centrais e reforçando seu estilo dramático, frequentemente associado a personagens densos e de forte presença emocional.
Nos anos 1990, voltou a se destacar na TV Globo com o papel de Praxedes de Menezes na novela Fera Ferida (1993) e, posteriormente, com Egisto Ghirotto, em Os Ossos do Barão (1997). Em 1998, atuou em Torre de Babel como Agenor da Silva, mostrando sua versatilidade em tramas contemporâneas e familiares ao grande público.
Entre os personagens mais lembrados da fase recente de sua carreira está o geneticista Doutor Augusto Albieri, de O Clone (2001–2002). A novela, sucesso absoluto no Brasil e no exterior, apresentou o ator para uma nova geração, que acompanhou a história envolvente sobre clonagem humana e dilemas éticos da ciência. Albieri se tornou um dos papéis mais emblemáticos de Juca, frequentemente lembrado entre seus maiores trabalhos.
Outros destaques na TV incluem Santiago, o misterioso antagonista de Avenida Brasil (2012), uma das novelas de maior repercussão da década, além de participações em Flor do Caribe (2013), Os Experientes (2015) e O Outro Lado do Paraíso (2017–2018), no qual interpretou o juiz Natanael Montserrat. Cada personagem reforçou seu domínio em papéis complexos, muitas vezes moralmente ambíguos ou emocionalmente intensos.

Juca de Oliveira em ‘Torre de Babel’ — Foto: Jorge Baumann/Globo
Cinema
No cinema, Juca também construiu um caminho sólido. Em 1967, interpretou Sebastião Naves no longa O Caso dos Irmãos Naves, baseado em uma história real de injustiça durante o Estado Novo. Décadas depois, retornou às telas em papéis como o Professor Ceresso, no filme Bufo & Spallanzani (2001), e Aníbal, em O Signo da Cidade (2007), além de atuar em De Onde Eu Te Vejo (2016). Sua filmografia inclui ainda Outras Estórias (1998) e trabalhos como roteirista, entre eles a comédia Caixa Dois (2007) e a peça que deu origem a Qualquer Gato Vira-Lata (2011).
Além da atuação, Juca se destacou como autor teatral, escrevendo peças de sucesso como Meno Male, Hotel Paradiso e Caixa Dois. Com a carreira atravessando mais de seis décadas, o ator acumulou prêmios importantes, incluindo o Troféu APCA de Melhor Ator em 1973 e o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Gramado em 2001, pelo filme Bufo & Spallanzani.
Apaixonado pelo teatro — que ele próprio descreve como seu “porto seguro” —, Juca de Oliveira segue sendo uma referência artística no Brasil. Sua trajetória é marcada pela intensidade dos personagens, pela consistência de sua carreira e pela capacidade de se reinventar ao longo das gerações.
Juca de Oliveira morreu no sábado (21) aos 91 anos. Ele estava internado desde 13 de março em um hospital em São Paulo.
(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2026/03/21 – Globo/ POP & ARTE/ NOTÍCIA – 21/03/2026)
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