MESTRE DE XADREZ
José Raúl Capablanca y Graupera (nasceu em 19 de novembro de 1888 em Havana – faleceu em 8 de março de 1942 em Nova York), foi um dos maiores enxadristas cubanos de todos os tempos. Menino prodígio no xadrez e campeão do mundo durante seis anos, sem que ninguém ousasse disputar-lhe a supremacia, Capablanca recorria às táticas existentes como se tivesse nascido sabendo utilizá-las.
Adotou as aberturas e táticas cuidadosas criadas pelo austríaco, Wilhelm Steinitz (1836-1900), enxadrista profissional de tempo integral, que pesquisou cuidadosamente o xadrez. Foi campeão do mundo de 1866 a 1893. Criou, com um alemão, Siegbert Tarrash, as famosas aberturas defensivas, que transformaram os inícios de partida em verdadeiras equações matemáticas.
Capablanca acabou derrotado por um novo teórico do tabuleiro: o russo emigrado Alexander Alekhine (1892-1946). Desde o século XX, com efeito, os russos já eram notáveis enxadristas. Mas Alekhine seria o primeiro de uma interminável sucessão de grandes mestres a aparecer para o mundo.
José Raoul Capablanca, de Havana e Nova York, é lembrado não apenas em dois países, mas no âmbito mundial do xadrez.
Embora um gênio desde o início, campeão aos 12 anos, ele era sem pedantismo ou vaidade, bonito, polido, urbano, uma honra para o Columbia College e para seu país. Aos 20 anos, ele derrotou Frank Marshall (1877 — 1944) por 8 a 1, campeão dos Estados Unidos, então um dos cinco ou seis melhores jogadores do mundo.
Entre 1916 e 1924, ele nunca perdeu uma partida. De 1921 a 1927, ele foi campeão mundial. Um especialista disse que “o xadrez é para ele uma espécie de língua materna”. Posicionar-se e julgá-los era tão fácil e simples para ele quanto trabalhoso para a maioria.
Quais são os processos mentais de um homem que irrompe no mundo como o jovem deus deste jogo majestoso? O Dr. Lasker, campeão mundial por um quarto de século, disse sobre ele que “sua profundidade é de um matemático, não de um poeta, sua mente é romana, não grega”. O relato de Capablanca sobre si mesmo é diferente.
Quando alguém lhe perguntava se jogar xadrez exigia alguma inteligência, ele respondia, em tom de brincadeira: Não. O homem comum poderia adquirir um jogo excelente praticando-o meia hora por dia. Quanto à altitude alcançada por alguns mortais favorecidos, ele disse, em contradição direta com o Dr. Lasker:
A maioria das pessoas considera o jogo uma tentativa de raciocínio árido. Não é. O xadrez exige menos inteligência do que imaginação e talento artístico.
Ou seja, o seu grande jogador de xadrez é grego e não romano, e seus processos não são lógicos, mas imaginativos. Outros competidores do Sr. Capablanca consideravam seus métodos intuitivos. Não foi apenas em partidas de campeonato que Capablanca foi implacável com seus poderes. Suas vitórias rápidas, disputas “maratonistas” e jogadas “simultâneas” ajudaram a queimar a vela, e ele morreu aos 53 anos.
(Fonte: Super Interessante – Edição Nº 7 – Ano 2 – Julho 1988 – Editora Abril – Histórias – 2 mil anos de xadrez – Pág; 74/78)
(Créditos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1942/03/10/archives – New York Times/ Arquivos/ Arquivos do New York Times – 10 de março de 1942)

