José Maria Marin, ex-presidente da CBF, teve trajetória marcada por alinhamento à ditadura e inimizade com Vladimir Herzog
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José Maria Marin (nasceu em São Paulo (SP) – faleceu em São Paulo (SP), em 20 de julho de 2025), foi ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Marin teve uma trajetória marcada tanto pela presença nos bastidores do futebol brasileiro quanto por polêmicas que atravessaram décadas. Político de carreira, foi deputado estadual, vice-governador e chegou a assumir o governo de São Paulo no início dos anos 1980. Mais tarde, mergulhou de vez na cartolagem esportiva, tornando-se presidente da CBF entre 2012 e 2015.
Figura polêmica do futebol brasileiro, o dirigente comandou a CBF entre março de 2012 e abril de 2015, ano em que chegou a ser preso na Suíça a pedido do Departamento de Justiça norte-americano, junto com outros dirigentes, no caso que ficou conhecido como Fifagate, sobre corrupção no futebol internacional.
Depois de meses na Suíça, ele foi transferido para os EUA, onde foi julgado e condenado pela Justiça à prisão. Em 2020, ele foi colocado em liberdade em razão do seu estado de saúde e voltou ao Brasil.
Seu nome, no entanto, ganhou repercussão mundial em 2015, ao ser um dos sete dirigentes presos na Suíça durante uma operação do FBI que investigava a corrupção na FIFA. Marin foi extraditado para os Estados Unidos, onde ficou preso por quase cinco anos.
Um dos episódios mais inusitados da trajetória dele foi em 2012, antes de assumir a CBF. Na cerimônia de premiação da Copa São Paulo de Juniores, Marin foi flagrado por câmeras de televisão colocando no bolso uma das medalhas destinadas aos jogadores do Corinthians, campeão do torneio.
Na época, a Federação Paulista de Futebol disse que a medalha já estava reservada a Marin, mas no fim um jogador ficou sem ganhar seu prêmio e só o recebeu depois.
Em 2018, foi condenado por crimes como lavagem de dinheiro e recebimento de propina em contratos de marketing e transmissão de torneios organizados pela Conmebol e Concacaf.
Cumpriu parte da pena em regime fechado, mas foi autorizado a cumprir prisão domiciliar em 2020, após alegar fragilidade de saúde durante a pandemia. Desde então, vivia longe dos holofotes.
Além de sua atuação no futebol e de sua passagem pela presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, teve uma longa carreira política formada ainda durante o período da ditadura militar no Brasil, à qual foi alinhado.
Marin começou a vida pública como vereador em São Paulo, em 1963. Durante os anos de regime militar, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que dava sustentação institucional ao governo. Foi eleito deputado estadual em 1970 e reeleito em 1974, destacando-se por sua ligação com a ala mais conservadora do regime e por sua retórica contra veículos de comunicação considerados “subversivos”.
Em 1975, Marin fez discursos na Assembleia Legislativa de São Paulo em que acusava a TV Cultura de promover a “comunização” do país. À época, o jornalista Vladimir Herzog era diretor de jornalismo da emissora. Em suas falas, Marin afirmava que a programação da TV estatal enfatizava “apenas fatos negativos, apresentando miséria e problemas sem apresentar soluções”, conforme recuperado pelo portal UOL no domingo (20).
Dezesseis dias depois de um desses discursos, Vladimir Herzog foi preso e assassinado por agentes do Doi-Codi, órgão de repressão da ditadura. O caso se tornaria um dos episódios mais emblemáticos da violência estatal do período e da luta por memória e justiça no Brasil.
Perto do fim da ditadura, Marin seguiu na vida pública, tornando-se vice-governador de São Paulo e, mais tarde, governador interino por alguns meses, antes de se afastar da política partidária e voltar suas atenções ao esporte.
José Maria Marin morreu na madrugada do domingo (20) aos 93 anos em São Paulo, segundo informações do ge. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês.
O funeral ocorreu na tarde em São Paulo (SP), cidade natal do dirigente.
O velório foi na tarde na capital paulista, das 13h às 16h, na Bela Vista. Em seguida, o corpo de Marin foi cremado.
(Direitos autorais reservados: https://forbes.com.br/geral/2025/07 – GERAL/ Redação Forbes Brasil – 20/07/2025)
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