José Hernández (General San Martín, Província de Buenos Aires, 10 de novembro de 1834 – Belgrano, 21 de outubro de 1886), poeta e autor da edição argentina de “Martín Fierro” em Buenos Aires em 1872, do poema nacional dos povos rio-platenses.
Mas algo além de sua simplicidade temática e formal, os fragmentos das 1 193 sextilhas gauchescas do argentino José Hernández, vertidos ao português, apareciam de vez em quando em publicações esparsas, especialmente no Rio Grande do Sul, onde até peões sabem de cor trechos do “Martín Fierro” e dedicam-lhe um respeito equiparável ao que consagram a seus velhos cabalos “crioulos”, companheiros de longas viajadas.
O dialeto, a pintura da vida, os costumes rurais, a denúncia social de Hernández contra o desprezo que o argentino de tendência europeizante votava ao patrício da savana jamais foram obstáculos insuperáveis à leitura do poema.
Pelo menos na região meridional do Brasil, que tem em comum com seu país as mesmas áreas – o pampa – e personagem: o gaúcho da fronteira. Suspeita-se, inclusive, que “Martín Fierro” teria existido “de verdade” e era brasileiro, certamente porque Hernández começou a escrevê-lo na cidade de Livramento, onde esteve exilado.
Identidade – A melhor literatura gauchesca do Prata cresceu entre os ásperos cueiros da técnica realista e do positivismo artístico. Mais dramática e narrativa, usa uma linguagem nada castiça, falada pelos habitantes do pampa.
Algo que exigia de seus autores, residentes emMontevidéu e Buenos Aires, um contato íntimo com a vida pastoril e domínio das formas estróficas dos “payadores” (trovadores do campo). Assim ocorreu com o uruguaio Bartolomé Hidalgo (1788-1823) e com os argentinos Estanislao del Campo (1834-1880) e o próprio Hernández, que era militar, político e jornalista.
Com esses subsídios foram escritas as aventuras de um gaúcho, o “Martín Fierro”, muito cioso de sua dignidade, em permanente conflito com autoridades prepotentes. E que um dia é arrastado ao serviço num forte de fronteira, onde sofre injustiças e deserta, transformando-se em renegado, levando uma vida em que se misturam realidades humanas e coisas eternas, amor e ódio, duelos, mortes, descrições de costumes, sabedoria popular e reflexões filosóficas.
(Fonte: Veja, 26 de outubro de 1972 – Edição 216 – LITERATURA/ Por J. A. Dias Lopes – Pág: 88/89)
- José Hernández é autor do poema nacional dos povos rio-platenses, Martín Fierro.


