John S. Sumner, inimigo do vício
John S. Sumner (nasceu em Washington, D.C., em 22 de setembro de 1876 — faleceu em 20 de junho de 1971, em Incorporated Village of Floral Park, em Long Island, Nova York), que como secretário executivo da Sociedade para a Supressão do Vício travou guerra contra as “forças do mal” na cidade de Nova York.
Como guardião não oficial da moral pública por 37 anos, o Sr. Sumner costumava ler livros obscenos, examinar imagens indecentes e ouvir gravações obscenas, em um esforço para aconselhar várias agências de aplicação da lei, a polícia e os tribunais sobre materiais que consideravam ilegais.
“Estamos preocupados com a aplicação de uma lei que criminaliza a publicação ou venda de material obsceno, lascivo, indecente ou inapropriado”, disse ele em entrevista. “Há muitos desses supostos intelectuais que, apreciando a obscenidade por si só, imediatamente clamam por liberdade de expressão quando tentamos impedir a venda de um livro repleto de conteúdo imundo. Poderiam muito bem dizer que as leis de difamação também se opõem a essa liberdade.”
Em privado, o Sr. Sumner era o modelo de um respeitável homem de família, frequentador assíduo da igreja, sem vício maior do que fumar charutos e apreciar um coquetel ocasionalmente. Seu senso de humor era aguçado: ele negava, sorrindo, que andasse por aí com folhas de figueira para pregar em estátuas de nus.
Questionado sobre por que a pornografia não tinha efeito adverso sobre ele, certa vez disse: “Quando você lê um livro para determinar se ele constitui uma violação da lei, você não obtém o mesmo resultado que obteria se o lesse para entretenimento.”
O principal trabalho do Sr. Sumner, que consistia em rastrear traficantes profissionais de vícios, recebeu menos atenção do que seus ataques a livros que ele considerava impróprios para o público.
Normalmente, o Sr. Sumner e sua sociedade só chegavam às manchetes quando processavam algum livro. Um caso famoso foi sua campanha contra a editora Doubleday por ter publicado “Memórias do Condado de Hecate”, de Edmund Wilson. Uma condenação obtida nos tribunais estaduais em 1946 foi confirmada pela Suprema Corte em 1948.
O livro, há muito liberado para leitura geral, continha seis contos. A parte supostamente ofensiva estaria no conto intitulado “A Princesa dos Cabelos Dourados”, que continha algumas passagens explícitas de relações sexuais.
Peguei o livro de Drelser
O Sr. Sumner exercia grande influência nos bastidores. Em 1915, ele processou a editora de “The Genius”, de Theodore Dreiser, visitando-a com um exemplar que havia marcado e informando-a, ao mesmo tempo, de que as passagens marcadas eram ilegais. A editora retirou o livro de circulação e foi outra empresa que finalmente o publicou.
Outros livros que o Sr. Sumner processou foram “Ulisses”, de James Joyce, “O Amante de Lady Chatterley”, de D.H. Lawrence, e “Jur Gen”, de James Branch Cabell.
Embora o Sr. Sumner tenha reconhecido que sua atuação em relação a um livro aumentou suas vendas, ele afirmou que isso também tornou as editoras mais cuidadosas com o que lançavam no mercado e, a longo prazo, contribuiu para a decência.
Ele também teve participação no processo que levou Mae West a ser presa por 10 dias por dirigir a peça chamada “Sex”. Uma das últimas peças a que o Sr. Sumner assistiu foi “Wine, Women and Song”, em 1942, que a sociedade conseguiu encerrar.
Em uma entrevista concedida em 1950, o Sr. Sumner foi questionado sobre o Relatório Kinsey.
“Não li”, disse ele; “Mas tenho certeza de que nunca teríamos conseguido uma condenação se tivéssemos insistido nisso.”
Afinal, eram basicamente estatísticas — não o tipo de coisa que uma pessoa pudesse ler e apreciar. Ganhou muita notoriedade injustificada.
“É claro que não tinha valor científico. Apenas ex-exibicionistas, em sua maioria, responderiam às perguntas feitas por Kinsey.”
John Saxton Sumner nasceu em Washington, D.C., em 22 de setembro de 1876, filho do contra-almirante George Watson Sumner. Após trabalhar no setor bancário e de corretagem, formou-se em Direito pela Universidade de Nova York em 1904 e iniciou sua carreira jurídica em 1905.
Ele ingressou na sociedade em 1913 como assistente do primeiro secretário, Anthony Comstock (1844 – 1915), e o sucedeu dois anos depois, após o Sr. Comstock perder uma ação judicial para suprimir “September Morn”, a pintura de nus castos.
Ele serviu como secretário da ACM (Associação Cristã de Moços) junto à 26ª e 82ª Divisões nas ofensivas de Argonne e St. Mihiel durante a Primeira Guerra Mundial.
A Sociedade para a Supressão do Vício, fundada pela Assembleia Legislativa em 1873 e apoiada por J. Pierpont Morgan e John D. Rockefeller Jr., entre outros, mudou seu nome para Sociedade para Manter a Decência Pública em 1947. Ela deixou de existir pouco depois da aposentadoria do Sr. Sumner.
John Sumner morreu de pneumonia no domingo 20 de junho de 1971 no Lar de Idosos Floral Park (LI). Ele tinha 94 anos e morava no número 87 da Hawthorne Place, em Manhasset, LI.
Além de sua filha, ele deixa quatro netos e oito bisnetos.
O Sr. Sumner, que tinha problemas de visão e audição nos últimos anos, estava “felizmente alheio” ao conteúdo sexual explícito em livros, peças de teatro e filmes que agora são bastante comuns por Nova York, disse sua filha, a Sra. Eloise Powell, com quem ele morava. Ele se aposentou em 1950.
O funeral foi realizado, na Igreja Episcopal de Cristo, em Manhasset.
(Créditos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1971/06/22/archives – New York Times/ Arquivos/ Arquivos do The New York Times – 22 de junho de 1971)
© 2008 The New York Times Company

