Jacques van de Beuque (Bavay, França, 1922 – Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2000), colecionador francês
Depois de vinte anos dedicados à pesquisa do artesanato popular brasileiro, Van de Beuque juntou uma coleção de 1 300 objetos que dão ideia bastante expressiva desse imenso e quase desconhecido manancial artístico. Uma coleção que dá uma visão geral da arte santeira no Brasil, incluindo produções do século XVIII e contemporâneas, do nordeste, de Minas Gerais e de São Paulo.
Van de Beuque viveu no Brasil desde 1946 e começou a coleção em meados da década de 50, numa de suas viagens ao Recife, quando conheceu o Mestre Vitalino (Vitalino Pereira dos Santos, 1909-1963). Chegou a reunir quase 1 000 bonecos da fase inicial do artista. Van de Beuque conheceu os artesãos pernambucanos Severino, em Tracunhaém, e Zé Caboclo, em Caruaru: “Foram eles que me despertaram para essa arte, na minha opinião a mais genuína, porque anônima e desinteressada”, disse certa vez.
Apaixonado pela arte popular brasileira, ele reuniu a maior coleção do país. São 8 mil peças, de 200 artistas nacionais. O mais importante deles é o pernambucano Mestre Vitalino (1909-1963), de quem a coleção abriga 400 trabalhos. Em 74, começou a criação do Museu da Casa do Pontal, para exibir o acervo do francês.
Para a sua realização, foram necessários anos de pesquisas, recorrendo a colecionadores particulares, pois a maioria dos artistas populares brasileiros vive isolada no interior de seus Estados. É o caso, do mineiro Francisco de Fátima, de endereço desconhecido, que tinha como único ponto de referência o Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte. Sobressaem-se os dezessete santos em barroco e em madeira de Dito Pituba (1848-1926).
Da produção nordestina, os santeiros do grupo de Tracunhaém, como Severino e sua mulher Lídia, e Antônio Leão, com suas figuras gordas e seus anjos de pernas de barro. No campo da cerâmica, há o curioso presépio do pernambucano Manuel Eudóxio, que construiu as imagens à sua semelhança. Composto por onze peças, todos os elementos são negros, inclusive Nossa Senhora, São José e o menino Jesus.
Muitas peças são de artesãos anônimos, mas há preciosidades assinadas por alguns dos principais artistas populares brasileiros, como Mestre Vitalino, Nhô Caboclo, Zé Caboclo e Geraldo Teles Oliveira (G.T.O.)
Jacques van de Beuque morreu de parada cardíaca em 10 de agosto de 2000, aos 78 anos, no Rio de Janeiro.
(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1208200012 – DA SUCURSAL DO RIO – FOLHA DE S.PAULO – COTIDIANO – 12 de agosto de 2000)
(Fonte: Veja, 11 de agosto de 1976 – Edição 414 – ARTE/ Por Cláudio Bojunga – Pág: 122/123)

