James Watson, foi biólogo molecular americano que ajudou a decifrar estrutura do DNA, um dos cientistas mais influentes do século 20 e coautor da descoberta da estrutura do DNA, entrou para a história da ciência, ao lado do britânico Francis Crick, ao revelar a estrutura em dupla hélice do DNA, descoberta que rendeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1962

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James Watson, um dos descobridores da estrutura do DNA

 

James D. Watson, um dos descobridores do DNA, autografa seu livro para uma pesquisadora no Baylor College of Medicine, em Houston, em 2007. — Foto: REUTERS/Richard Carson

James D. Watson, um dos descobridores do DNA, autografa seu livro para uma pesquisadora no Baylor College of Medicine, em Houston, em 2007. — (Foto: REUTERS/Richard Carson)

Cientista americano ganhou o Nobel e ajudou a fundar o Projeto Genoma Humano.

Americano recebeu o Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina em 1962

Ele também será lembrado pela capacidade incomum de gerar controvérsias

 

 

James Watson (nasceu em 6 de abril de 1928, em Chicago, Illinois – faleceu em 6 de novembro de 2025, em Long Island, Nova York), foi biólogo molecular americano, um dos cientistas mais influentes do século 20 e coautor da descoberta da estrutura do DNA.

Mesmo quando jovem, Watson era conhecido tanto por sua escrita e por sua personalidade forte, incluindo a disposição em usar dados de outro cientista para impulsionar sua carreira, quanto por sua atuação na ciência.

Nascido em Chicago em 6 de abril de 1928, ele se formou na Universidade de Chicago em 1947 e, depois, concentrou-se em genética em seu doutorado na Universidade de Indiana. Em 1951, ingressou no Laboratório Cavendish, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, onde conheceu o o britânico Francis Crick (1916 – 2004).

Ele será lembrado não só por suas descobertas extraordinárias no campo da ciência, que foram a base para uma revolução no final do século 20, mas pela capacidade incomum de gerar controvérsias. Sua reputação acabou manchada por comentários sobre genética e raça.

Watson também esteve no centro desse furacão. A partir de 1988, trabalhando para os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), nos EUA, ele liderou o surgimento do Projeto Genoma Humano – um consórcio internacional destinado a identificar as mais de 3 bilhões de “letras químicas” contidas no DNA do ser humano.

Uma vez estabelecida a empreitada, ele permaneceu como seu líder nos NIH até 1992, quando conflitos com a nova diretoria dos institutos, Bernardine Healy, o levaram a deixar o cargo. Francis Collins assuniu a função e levou o projeto à conclusão, em 2003.

Em 2007, Watson se tornou a segunda pessoa no mundo a ter seu genoma completo sequenciado. Ele disponibilizou os dados.

Watson entrou para a história da ciência aos 25 anos, ao lado do britânico Francis Crick, ao revelar a estrutura em dupla hélice do DNA, descoberta que rendeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1962.

Mais tarde, liderou o início do Projeto Genoma Humano, iniciativa que buscou mapear todo o código genético humano, e dirigiu o Cold Spring Harbor Laboratory, em Nova York, que ajudou a transformar em um dos principais centros de pesquisa em biologia molecular.

A trajetória científica de Watson, porém, terminou marcada por controvérsias.

Em 2007, ele foi afastado de cargos honorários após sugerir, em entrevista, que pessoas negras seriam “menos inteligentes” do que brancas, declarações que ele voltou a repetir anos depois.

O prêmio Nobel que perdeu seus títulos por defender que negros são menos inteligentes que brancos por seus genes

As pesquisas e descobertas científicas de James Watson (1928-2025) abriram as portas para ajudar a explicar como o DNA se reproduz e transporta as informações genéticas, definindo as bases para os rápidos avanços da biologia molecular.

Suas pesquisas valeram a ele o Prêmio Nobel de Medicina de 1962, ao lado de Maurice Wilkins (1916-2004) e Francis Crick (1916-2004), pela descoberta da estrutura de dupla hélice do DNA.

As ideias do cientista americano, falecido na semana passada, no dia 7 de novembro, com 97 anos de idade, trouxeram reconhecimento mundial, mas também fizeram com que ele caísse em desgraça.

Em janeiro de 2019, Watson foi despojado dos seus títulos honoríficos, depois de afirmar, em um documentário transmitido pela televisão, que os genes influenciariam uma suposta diferença nos resultados médios, em testes de inteligência ou de quociente intelectual, entre negros e brancos.

Watson havia trabalhado por décadas no laboratório Cold Spring Harbor de Nova York, nos Estados Unidos. Mas, naquele momento, a instituição afirmou que seus comentários eram “infundados e imprudentes”.

Declarações polêmicas

James Watson mostra um modelo de DNA no seu laboratório, em 1962 © Getty Images

James Watson mostra um modelo de DNA no seu laboratório, em 1962 (© Getty Images)

Aquele não foi o primeiro comentário controverso de Watson sobre um suposto vínculo entre etnia e inteligência. Ele já havia afirmado, anos antes, que os africanos seriam menos inteligentes que os europeus.

Em 2007, o cientista trabalhava no laboratório Cavendish da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, quando declarou ao jornal britânico The Times seu “pessimismo em relação ao futuro da África”.

Ele afirmou que “todas as nossas políticas sociais estão baseadas no fato de que sua inteligência é a mesma dos brancos, quando todas as provas indicam que, na realidade, não é assim.”

Watson disse esperar que todos fossem iguais, mas “as pessoas que precisaram tratar com trabalhadores negros concluíram que isso não é verdade”.

Nascido em Chicago, no Estado americano de Illinois, o acadêmico também declarou que as pessoas não deveriam ser discriminadas pela sua etnia, pois “existem muitas pessoas de cor que são muito talentosas”.

Suas palavras geraram uma enxurrada de críticas. Watson foi igualmente condenado por políticos e cientistas.

O Museu de Ciências de Londres cancelou uma conferência do pesquisador e o laboratório Cold Spring Harbor o suspendeu temporariamente. A diretoria da instituição acabaria decidindo, mais tarde, pela sua destituição como reitor.

Naquele mesmo ano, Watson se desmentiu e pediu desculpas pelas suas palavras, durante o lançamento de um livro na sede da Sociedade Real Britânica.

“A todos os que deduziram, do que eu havia dito, que a África, como continente, é geneticamente inferior, a todos eles, peço desculpas”, declarou ele. “Não é o que eu quis dizer. Não existe base científica para essa afirmação.”

O cientista tentou colocar a culpa do ocorrido no jornal britânico que o entrevistou. Ele explicou que sua declaração teria sido publicada de forma que não refletia corretamente suas ideias.

“Entendo perfeitamente por que as pessoas, ao lerem aquelas palavras, reagiram desta forma”, prosseguiu Watson.

Ao saber desta declaração, um porta-voz do jornal The Sunday Times confirmou o conteúdo da publicação e destacou que a entrevista havia sido gravada.

Apesar da reação negativa inicial, depois de publicar suas desculpas, Watson conseguiu manter seus títulos honoríficos, como reitor emérito, professor emérito Oliver R. Grace e membro honorário do laboratório Cold Spring Harbor.

Mas tudo mudou em 2019, com suas novas declarações ao programa de TV American Masters: Decoding Watson (“Mestres americanos: decodificando Watson”, em tradução livre), da rede pública PBS, dos Estados Unidos.

O cientista declarou que mantinha inalterada sua visão sobre etnia e inteligência.

Estas palavras causaram a retirada do seu Prêmio Nobel de Medicina. Paralelamente, o laboratório Cold Spring Harbor cassou todos os seus títulos, além de decidir romper todos os vínculos com Watson.

“As declarações do Dr. Watson são repreensíveis e carecem de respaldo científico”, declarou o laboratório, em um comunicado.

O texto acrescentava que as palavras do cientista anulavam o pedido de desculpas publicado anteriormente.

Naquela época, Watson já tinha mais de 90 anos. E, segundo a imprensa americana, ele vivia em uma casa de repouso, onde se recuperava de um acidente automobilístico, com consciência “mínima” do seu entorno.

Ganhadores do Prêmio Nobel em 1962. Da esquerda para a direita, Maurice H. Wilkins (Medicina, 1916-2004); Max Perutz (Química, 1914-2002); Francis Crick (Medicina, 1916-2004); John Steinbeck (Literatura, 1902-1968); James D. Watson (Medicina, 1928-2025); e John Kendrew (Química, 1917-1997). © Getty Images

Ganhadores do Prêmio Nobel em 1962. Da esquerda para a direita, Maurice H. Wilkins (Medicina, 1916-2004); Max Perutz (Química, 1914-2002); Francis Crick (Medicina, 1916-2004); John Steinbeck (Literatura, 1902-1968); James D. Watson (Medicina, 1928-2025); e John Kendrew (Química, 1917-1997). © Getty Images

A venda da medalha do Nobel

Em 2014, Watson também havia sido notícia por sua decisão de vender a medalha de ouro do Nobel. Foi a primeira vez na história em que um vencedor do prêmio fazia algo semelhante.

A medalha foi a leilão e adquirida por um multimilionário russo. Ele pagou US$ 4,8 milhões (cerca de R$ 25,5 milhões) e imediatamente a devolveu a Watson.

O cientista declarou em um comunicado na ocasião que sua intenção era dedicar parte da receita ao financiamento de projetos nas universidades e instituições científicas onde estudou e trabalhou ao longo da carreira.

“Desejo fazer mais doações filantrópicas ao laboratório Cold Spring Harbor, à Universidade de Chicago e ao Clare College de Cambridge, para seguir colaborando para que o mundo acadêmico continue sendo um ambiente onde prevalecem as grandes ideias e a decência”, afirmou ele.

Naquele mesmo ano, o biólogo molecular declarou que havia sido excluído da comunidade científica depois de ter formulado seus comentários sobre etnia.

Watson nasceu em Chicago em abril de 1928, filho de Jean e James, descendentes de colonos ingleses, escoceses e irlandeses.

Aos 15 anos de idade, ele conseguiu uma bolsa para estudar na Universidade de Chicago. Ali, ele se interessou pela inovadora técnica da difração, na qual os raios X eram refletidos pelos átomos para revelar suas estruturas internas.

Para prosseguir com suas pesquisas sobre as estruturas do DNA, ele se transferiu para Cambridge, onde conheceu Crick. Os dois cientistas começaram a construir modelos em grande escala de possíveis estruturas de DNA.

Após sua descoberta científica, Watson e sua esposa, Elizabeth, se mudaram para Harvard, onde ele passou a ser professor de biologia. O casal teve dois filhos.

Em 1968, Watson assumiu a direção do laboratório Cold Spring Harbor, no Estado americano de Nova York, uma antiga instituição considerada um dos institutos de pesquisa mais importantes do mundo.

James Watson morreu na quinta-feira (6) em East Northport, Nova York (EUA), aos 97 anos.

A informação foi confirmada por seu filho, Duncan Watson ao jornal “The New York Times”.

(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2025/11/07 – Globo Notícias/ CIÊNCIA/ NOTÍCIA/ Por Redação g1 – 07/11/2025)

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(Direitos autorais reservados: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2025/11 – Folha de S.Paulo/ Folhapress/ CIÊNCIA/ por Salvador Nogueira – 7.nov.2025)

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*Com informações de Madelin Halpert.

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