James Joyce, escritor irlandês de aventurosa e excêntrica vida, o maior escritor do século 20.

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A saga do irlandês

Joyce: “Eu próprio, um pecador, gostava dos defeitos de meu pai.”

James Joyce (Dublin, 2 de fevereiro de 1882 – Zurique, 13 de janeiro de 1941), escritor irlandês de aventurosa e excêntrica vida, o maior escritor do século 20, irlandês genial, antiacadêmico por excelência. Ao falar sobre seu romance Ulisses, deu uma das melhores definições do livro: “É tão difícil para mim escrevê-lo quanto será para os leitores lê-lo.” A profecia se cumpriu, e Ulisses é o romance mais famoso e menos lido da literatura do século 20. Ele costuma repousar como um monólito indecifrável na prateleira dos leitores que, um dia, resolveram conferir a razão de sua fama. Essa obra, que está na base de toda a literatura modernista e influenciou autores tão diferentes como o dramaturgo irlandês Samuel Beckett e os escritores americanos William Faulkner e John dos Passos, explodiu a linguagem e criou uma nova maneira de representar a realidade, feita de milhares de fragmentos. Algo que, na pintura, é comparável ao que Braque e Picasso fizeram com o cubismo analítico, seccionado em infinitos planos uma mesma figura.

A vida de um artista está sempre ligada à sua obra, ajudando a explica-la. Esse fio condutor biográfico é especialmente importante em Joyce, que usava seu cotidiano como laboratório para a ficção. Seu texto era o campo de batalha onde fazia o ajuste de contas com os desafetos, dava vazão a seus desejos reprimidos de infidelidade conjugal e ironizava os que se escandalizavam com sua vida cigana. Seus contemporâneos ora identificavam com o Chapeleiro Maluco de Alice, de Lewis Carroll, ora com o castelão arrogante de uma torre de marfim que olhava tudo e todos do alto de sua soberba – mesmo quando precisava extrai-lhes empréstimos para aplacar os crônicos apertos financeiros.

O pai do escritor, John Joyce, é uma tragicômica mistura dos personagens de Charles Dickens – como o turbulento Micawber – com as sofridas figuras de Fiodor Dostoiévski: imprevidente, tinha os negócios mais improváveis e tornava na hora qualquer lucro obtido com a primeira fantasia que lhe viesse à cabeça. Bêbado, batia na mulher. Tinha uma bela voz de tenor, linguagem pitoresca e um humor que “não deixava que a vida da família fosse nem confortável nem tediosa”. Todos esses atributos e defeitos – com a honrosa exceção dos espancamentos da mulher – foram herdados por James, o filho mais velho dos Joyce e o predileto de seu pai. “Sendo eu próprio um pecador, até gostava dos defeitos de meu pai”, comentou certa vez o escritor. Na descrição mal-humorada do psicanalista Carl Gustav Jung, que o conheceu pessoalmente, “Joyce era um homem de pouca virtude, inclinado à extravagância e ao alcoolismo”. Joyce, por sua vez, criticava a “fanática tradição antialcoólica” de Jung e o achava um chato.

Joyce foi um aluno brilhante, típico gênio da turma: vaidoso e insolente, e assim se manteve pela vida afora. Aos 18 anos já cometia a proeza de publicar uma crítica de uma peça teatral de Henrik Ibsen que mereceu um comentário elogioso, por escrito, do dramaturgo norueguês. Seus primeiros trabalhos literários foram peças de teatro e poemas, mas logo ele iria sentir que a prosa era seu território, embora mantivesse o hábito de produzir versos satíricos contra os dasafetos.

Começou com contos, reunidos em Dublinenses. Num único dia escreveu a primeira versão do que seria Retrato do Artista Quando Jovem, texto que contém todas as sementes de sua obra madura: o herói individualista Stephen Dedalus do Retrato é o alter ego de Joyce e iria se desdobrar no judeu errante Leopold Bloom, protagonista de Ulisses. Finnegans Wake fecha o ciclo heroico de Bloom, sendo publicado pouco antes do começo da II Guerra Mundial e da morte de Joyce.

Joyce foi um dos mais exóticos personagem – mas como artista, utilizou o processo criativo de escritor, o famoso recurso estilístico de Ulisses, o monólogo interior, e de que maneira Joyce chegou a ele, através de livres associações de palavras. Nos detalhes íntimos da vida conjugal de Joyce – torridamente expostos na correspondência do escritor com sua mulher, Nora, foi publicada originalmente na França em 1957. Nessa correspondência confirma-se que Nora – que serviu de inspiração para a Molly Bloom de Ulisses – nunca leu nenhum livro sequer do marido nem tinha a menor curiosidade pelo que ele escrevia. Filha de um padeiro alcoólatra de Dublin, ela conservou como seu horizonte de leitura as revistas de mexericos, apesar de circular com seu marido em rodas de intelectuais onde havia com frequência a presença de amigos como os escritores Italo Svevo, Yeats, Ezra Pound e Samuel Beckett.

Joyce e Nora tiveram dois filhos – Giorgio e Lucia. Giorgio herdou a voz de tenor do avô e do pai, a quem acompanhava nos recitais domésticos. Lucia desenvolveu graves problemas mentais que culminaram com seu internamento definitivo com esquizofrenia, depois que Joyce esgotou todos os recursos médicos – até uma terapia com o antipático Jung – para tentar curá-la. A filha louca, os graves problemas de visão e as inúmeras cirurgias oculares sofridas amargaram os últimos dias do escritor. Nada, porém, que o impedisse de beber seu vinho branco com os amigos e, já bem alto, ensaiar uns passos que eles chamavam de “a dança da aranha”, aludindo à figura longilínea e magricela do escritor. Um bom humor em meio aos percalços da vida. Joyce faleceu dia 13 de janeiro de 1941, aos 58 anos, por úlcera duodenal perfurada e peritonite, em Zurique.

(Fonte: Veja, 17 de janeiro de 1990 – Edição n° 1113 – LITERATURA/ LIVROS Por Angélica de Moraes – Pág; 80/81)

Em 13 de janeiro de 1941 – Morreu na Suíça, aos 59 anos, o escritor irlandês James Joyce, autor de Ulisses, considerado o maior escritor da literatura inglesa do século XX.
(Fonte: www.guiadoscuriosos.com.br – Fatos do dia – 13 de janeiro de 2011)

Morre o escritor James Joyce, autor de Ulisses e Finnegans Wake, em 13 de janeiro de 1941.
(Fonte: Zero Hora – ANO 45 – N° 15.840 – Hoje na História – Almanaque Gaúcho/ Por Olyr Zavaschi – 13 de janeiro de 2009 – Pág; 54)

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