Jacob Bronowski; principal divulgador da ciência
Jacob Bronowski (nasceu em Lódz, em 18 de janeiro de 1908 – faleceu em East Hampton, em 22 de agosto de 1974), foi matemático, paleontólogo e poeta inglês nascido na Polônia, foi um dos principais expoentes da base filosófica da pesquisa científica e, desde 1964, membro residente do Instituto Salk em La Jolla, Califórnia.
A mais recente e ambiciosa tentativa do Dr. Bronowski de descrever o lugar da ciência na história humana, uma série de televisão de 13 partes para a British Broadcasting Corporation chamada “The Ascent of Man”, foi transmitida em estações de televisão públicas americanas no inverno.
Nos programas, transmitidos pela primeira vez na Grã-Bretanha de maio a julho de 1973, e mais tarde no Canadá, o Dr. Bronowski desempenhou o mesmo papel de intérprete de seu tema que Lord Clark, o historiador de arte, teve na série anterior da BBC, “Civilisation”.
Filmagem da Série
Sylvia Fitzgerald, por vários anos assistente editorial do Dr. Bronowski no Instituto Salk, lembrou em uma entrevista por telefone que as filmagens da série ocorreram de julho de 1971 a dezembro de 1972. As cenas foram filmadas em locais tão variados quanto a Ilha de Páscoa no Pacífico Sul, Machu Picchu nos Andes peruanos, o Vale do Omo na Etiópia, onde os hominídeos precursores do homem viveram há dois milhões de anos, e a casa inglesa de Charles Darwin, autor da teoria da evolução biológica.
O Dr. Bronowski nasceu na Polônia em 18 de janeiro de 1908, filho de Abram e Celia Bronowski. A família logo migrou para a Alemanha e depois para a Inglaterra.
Na Inglaterra, o Dr. Bronowski frequentou a Universidade de Cambridge, onde recebeu seu doutorado em matemática em 1933. Em 1934, ele se tornou professor sênior na Universidade de Hull por oito anos.
Relatório sobre Hiroshima
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Dr. Bronnowski chefiou grupos estatísticos que estudavam os efeitos dos bombardeios na indústria e na economia. Essa foi uma das origens do que ficou conhecido como “pesquisa operacional”. Em 1945, ele foi vice-cientista da missão do Estado-Maior Britânico no Japão, onde escreveu um relatório intitulado “Os Efeitos das Bombas Atômicas em Hiroshima e Nagasaki”.
Em um artigo no The Saturday Evening Post em 1960, o Dr. Bronowski escreveu sobre sua experiência: “Quando vi a desolação desumana de Hiroshima e Nagasaki, fiquei convencido de que o desenvolvimento de armas atômicas poderia levar à destruição da humanidade”.
No mesmo artigo, porém, ele afirmou que os temores públicos de que os cientistas que haviam trabalhado em tais armas tivessem perdido o senso de certo e errado eram equivocados. “Pelo contrário, descobri que a consciência dos cientistas é a moral mais ativa do mundo”, escreveu ele.
O Dr. Bronowski encerrou o artigo relembrando o heroísmo do especialista em armas atômicas Louis Slotin (1910 – 1946) que, quando sua chave de fenda escorregou durante a delicada operação de manipulação do núcleo de uma bomba de plutônio, causando uma enorme chuva de nêutrons mortais, separou os pedaços da bomba com suas próprias mãos.
Com esse ato, o Sr. Slotin condenou-se à morte por doença causada pela radiação nove dias depois, mas salvou sete colegas na sala. O Dr. Bronowski comentou: “A moralidade — chamemos de heroísmo neste caso — tem a mesma anatomia em todo o mundo.”
Em 1950, o Dr. Bronowski tornou-se chefe de pesquisa do Conselho Nacional do Carvão da Grã-Bretanha, que assumiu o controle de todas as minas de carvão britânicas quando estas foram nacionalizadas após a Segunda Guerra Mundial. Ele ocupou o cargo por 13 anos, enquanto os pesquisadores do conselho trabalhavam para desenvolver combustíveis “sem fumaça” para queimar em grelhas britânicas.
Muitas vezes espirituoso
Um homem baixo e atarracado, o Dr. Bronowski costumava ser espirituoso, até mesmo sarcástico, nas conversas. Quando entrevistado na televisão, fazia pausas intensas e dramáticas enquanto pensava nas respostas para as perguntas. Escreveu muitos livros, incluindo o famoso “Ciência e Valores Humanos” e duas peças de teatro. Participava com frequência do programa de rádio da BBC “Brains Trust”, equivalente ao “Information Please” nos Estados Unidos.
Um dos maiores interesses do Dr. Bronowski era o artista e poeta inglês do século XIX, William Blake. Ele se tornou uma autoridade em Blake, sobre quem escreveu um livro, “William Blake e a Era das Revoluções”.
Embora defendesse um afrouxamento dos laços entre cientistas e governos e lamentasse uma “terrível perda de coragem” que corroía o apoio à ciência nos países ocidentais, o Dr. Bronowski manteve-se otimista quanto ao futuro. Ao final da série televisiva de 13 episódios, o Dr. Bronowski afirmou: “Se não dermos o próximo passo na ascensão do homem, ele será dado em outro lugar, na África, na China”.
Em 1941, o Dr. Bronowski casou-se com Rita Coblentz, uma escultora que usava o nome profissional Rita Colin. Eles tiveram quatro filhas: a Sra. Nicholas Jardine, a Sra. Robert Grant, a Sra. Jay Plett e Clare, uma aluna da Harvard College.
Jacob Bronowski morreu após um ataque cardíaco na manhã de 22 de agosto, na casa de amigos em East Hampton, onde ele e sua esposa estavam de férias. Ele tinha 66 anos.
Além da viúva e das filhas, o Dr. Bronowski deixa um irmão, Leo Baron.
(Fonte: Revista Caras – 26 de outubro de 2009 – EDIÇÃO 834 – Citações)
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1974/08/23/archives – New York Times/ ARQUIVOS/ Arquivos do New York Times/ Por Victor K. McElheny – 23 de agosto de 1974)
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