Igor Stravinsky (Oraniembaum, 17 de junho de 1882 Nova York, 6 de abril de 1971), pianista e maestro russo, um dos maiores compositores do século 20. Sob certos aspectos foi uma espécie de Picasso da música. Mais ou menos da mesma idade, começaram a carreira em Paris, conseguiram a fama na segunda década do século 20, enriqueceram, obtiveram sucesso junto à elite dos Estados Unidos e nunca revelaram a menor preocupação com coerência, escolas ou tendências estilísticas. Assim, enquanto Picasso, após a revolução do Cubismo (1908-1920), voltou a fazer uma pintura de inspiração grega, cheia de equilíbrio e elegância, Stravinsky, após escandalizar a Europa (e ser vaiado) com seus moderníssimos balés, como “A Sagração da Primavera”, de 1914, retornou um estilo por ele mesmo reconhecido como “neoclássico”. E ambos os artistas produziram com tanta abundância que o resultado foi forçosamente desigual.
No caso de Stravinsky, os momentos menos felizes são justamente os do neoclassicismo, na década de 30, à qual pertence a Sinfonia dos Salmos” – uma quase exceção. Mas o velho mestre, surpreendentemente, ainda reservava energia e outros truques. Em 1955, por exemplo, escreveu um “Canticum Sacrum” em honra de São Marcos, para a basílica do mesmo nome, em Veneza, e surpreendeu novamente o mundo por adotar certos procedimentos da chamada música serial inventada pelo austríaco Arnold Schoenberg (Viena, 13 de setembro de 1874 – Los Angeles, 13 de julho de 1951). Até então, era costume oporem-se justamente os dois músicos: Schoenberg, como exemplo da radicalização de princípios, e Stravinsky, da concessão ao público e aos efeitos. Tudo isso veio abaixo com o “Canticum Sacrum” Stravinsky se provou, como Picasso, capaz de escrever certo por linhas das mais tortuosas. Em resumo, o “Canticum Sacrum” é belíssimo e assegura a Stravinsky status de gênio.
Stravinsky recebeu a cidadania americana em 1945. Em 1963, resolveu visitar sua pátria, quase meio século após sua última estada por lá. Foi recebido com carinho pelos fãs e homenageado pelo governo soviético. Apesar da saúde já bastante debilitada, continuou trabalhando até os 80 anos, vindo a falecer no dia 6 de abril de 1971, em Nova York.
(Fonte: Veja, 4 de maio de 1977 Edição n° 452 CONCERTOS/ Por Olívio Tavares de Araújo Pág; 110)
Igor Stravinsky está sepultado na ala russa do cemitério de São Miguel, em Veneza, ao lado do túmulo de Sergei Diaghilev, fundador do Ballet Russo e responsável pela encenação do Pássaro de Fogo, do compositor e maestro Igor Stravinsky (1882-1971).
(Fonte: Veja, 14 de abril de 1971 Edição n° 136 DATAS Pág; 61)
- Igor Stravinsky, um dos maiores compositores do século 20.


