Hermann Hesse, escritor alemão, naturalizado suíço em 1923, um poeta universal.

0
Powered by Rock Convert

Hesse: o registro da tempestade

Hermann Hesse (Calw, 2 de julho de 1877 – Montagnola, Suíça, 9 de agosto de 1962), escritor alemão, naturalizado suíço em 1923, um poeta universal.

Na sua obra de poesia “Andares” ele representa uma espécie de poesia do exílio moral. Hesse escreveu o livro na Suíça, durante a Segunda Guerra Mundial, relatando a sua participação espiritual e intelectual no conflito.

É um poeta pacifista, pois não existem ideais nas guerras nem guerras de ideais. Elas são a libertação da inumana violência do homem. Quase isolado numa chácara, nela mal lhe chegavam os ecos da tempestade que sacudia o resto da Europa. Mas ele, sensível, soube construir o registro de sua experiência.

“Andares” não limita seus temas. É poesia de muitos argumentos, esparsa, espontânea. Hesse escrevia conforme as sugestões do momento. Moderno parece o conteúdo, menos moderna a forma. De qualquer maneira, o poeta transmitiu sua visão de mundo com absoluta clareza: ela é atual como é atual o senso crítico, filosófico, histórico das suas abordagens.

Em “O Quarto Ano de Guerra”, Hesse sugeriu acreditar num mundo em que ainda flamejasse o amor. Raras, contudo, foram as pausas dessa espécie. Sua lírica não era passatempo, repouso do trabalho da prosa, mas meditação, resumo elaborado de mil sensações de poeta que, na prosa, se desperdiçariam pela obrigação de contar fatos, de criar personagens diversas, de obedecer à unidade de um argumento. “Andares” significa uma exteriorização do poeta, um solilóquio consigo mesmo, frequentemente assoberbado pela ideia da morte e do destino. E tem a mesma austeridade, a mesma concepção romântica do indíviduo, clara, quase categórica, que se encontra na prosa de Hermann Hesse.

(Fonte: Veja, 25 de fevereiro de 1976 – Edição 390 – LITERATURA/ Por Bruna Becherucci – Pág; 92)

Powered by Rock Convert
Share.