Giorgio Armani, estilista mestre da alfaiataria refinada
Estilista italiano, mestre da elegância, sinônimo de modernidade e o mestre do minimalismo italiano
Giorgio Armani, mestre da elegância. (Imagem: Getty Images)
Giorgio Armani (nasceu em 11 de julho de 1934, em Piacenza, na Itália — faleceu em 4 de setembro de 2025) foi um dos mais influentes estilistas do século 20 e 21, responsável por redefinir a elegância contemporânea.
Fundador da marca que leva seu nome, Armani construiu uma trajetória marcante e se consolidou como um dos nomes mais influentes e ricos da indústria da moda.
O designer de moda, conhecido pela sua alfaiataria refinada, era sinônimo de estilo e elegância italianos, símbolo do minimalismo atemporal, deixa uma marca profunda na história da moda com suas cores sóbrias e linhas puras. Ele também deixa uma empresa próspera, que se manteve independente por meio século.
Discreto e incansável — assim pode ser definido Giorgio Armani. Diferente da exuberância mercenária de Karl Lagerfeld, que trabalhava para várias marcas, ou da ambição multifacetada de Pierre Cardin, que construiu um império além da moda, Armani seguiu uma trajetória firme e coerente desde o início. Seu percurso foi tão fluido quanto a silhueta de suas criações.
O estilo Armani é, acima de tudo, uma elegância leve, fruto de uma desconstrução do vestuário que buscava o essencial. O estilista moldava o corpo sem recorrer a artifícios. Talvez um reflexo de sua formação inicial em medicina, que lhe deu conhecimento anatômico antes de se dedicar à moda.
Sem formação acadêmica em design, Armani aprendeu a desenhar por conta própria, copiando croquis de Yves Saint Laurent. Nos anos 1960, começou como vitrinista na Rinascente, tradicional loja de departamentos de Milão, e depois como estilista na Cerruti. Em 1973, fundou sua própria empresa com o arquiteto Sergio Galeotti, seu companheiro, falecido em 1985. Primeiro como consultor de estilo, depois com suas próprias coleções.
O estilista era sinônimo do estilo moderno italiano e de elegância. Armani combinava o talento de designer com a habilidade de empresário, conduzindo uma empresa que faturava cerca de 2,3 bilhões de euros (cerca de R$ 14,6 bilhões) por ano.
Construtor de um império na indústria do luxo, “il re Giorgio” (“Rei Giorgio”), um criador visionário, destacava-se em alta-costura, prêt-à-porter, acessórios, perfumes, joias, além de arquitetura de interiores e hotéis de luxo em cidades como Milão, Paris, Nova York, Tóquio, Seul e Xangai.
Nascido em 11 de julho de 1934, em Piacenza, na Itália, iniciou sua carreira no design de moda após trabalhar como vitrinista e assistente em casas de moda de Milão.
Em 1975, fundou a Giorgio Armani S.p.A., criando um estilo marcado pela sobriedade, cortes impecáveis e paleta de cores neutras. Suas roupas revolucionaram o guarda-roupa feminino e masculino, introduzindo ternos desestruturados, leves e sofisticados, que se tornaram símbolo de poder e modernidade.
A marca expandiu-se para diversos segmentos — da alta-costura ao prêt-à-porter, passando por acessórios, perfumes, decoração, hotéis e gastronomia — consolidando Armani como um império do lifestyle.
Conhecido por sua independência e por manter o controle de sua empresa, Armani também foi um embaixador de Milão no mundo, engajando-se em projetos culturais e sociais ligados à cidade.
Em 50 anos de trabalho, consagrados pelas capas da Time, pelo sucesso em Hollywood, pelos “One Night Onlys” ao redor do mundo e pela honraria de Cavaleiro da Grande Cruz da Ordem do Mérito da República recebida das mãos do presidente da Itália, Sergio Mattarella, nunca houve uma contradição, uma única violação de uma ética feita de dedicação e paixão.
Seu perfeccionismo permitiu ao estilista controlar uma a uma cada saída de um desfile, de acompanhar de perto cada detalhe. “Sou pragmático e racional, mas todas as minhas ações vêm do coração”, enfatizou ele, ao apresentar o livro intitulado “Per amore” anos atrás.
Impulsionado pelo cinema
Aos poucos, Armani reinventou o blazer, tornando-o mais desestruturado. Seus ternos masculinos, feitos com tecidos suaves emprestados do guarda-roupa feminino, ofereciam liberdade de movimento. As ombreiras e forros praticamente desapareceram, combinados com calças sem pregas.
A virada veio em 1980, com o filme “Gigolô Americano”. As cenas de Richard Gere vestindo Armani se tornaram icônicas e projetaram o estilista nos Estados Unidos, garantindo visibilidade internacional. Em 1982, ele estampou a capa da revista Time.
Antes disso, em 1976, Armani já havia lançado moda feminina, invertendo o caminho tradicional: trouxe cortes masculinos suavizados por tecidos fluidos. A coreógrafa Pina Bausch, por exemplo, era adepta fiel de suas criações. Com essa abordagem, Armani antecipou uma nova visão de empoderamento feminino, muito antes do termo virar tendência.
Discrição como assinatura
Figura emblemática da moda, Armani era reconhecido por sua aparência atlética, bronzeada e seu uniforme informal — camiseta escura e saudação discreta ao fim dos desfiles. Seu olhar azul penetrante parecia transformar a moda sem revoluções, com uma modernidade minimalista e elegante, amplamente imitada.
Suas criações em tons sóbrios, especialmente o famoso “grège” — cor resultado da mistura de cinza e bege que muitos atribuem a ele — compunham um guarda-roupa de luxo silencioso, fácil de usar, embora às vezes criticado por certa austeridade.
Mas seu sucesso também se deve à visão empresarial. Com mais de 10 marcas derivadas de seu nome — de Giorgio Armani a Emporio Armani, passando por perfumes e acessórios —, construiu um império diversificado. As receitas de fragrâncias (em parceria com a L’Oréal) e óculos (produzidos pela Essilor Luxottica) são fundamentais para a independência financeira da grife.
Muito além da moda
Seu estilo ultrapassou o vestuário. Com a marca Armani Casa, hotéis em Dubai e Milão, e o Emporio Armani Caffè — inaugurado em Paris em 1998 —, consolidou uma imagem de bom gosto em todas as esferas.
Apaixonado pelas artes, desenhou figurinos para a ópera Così fan tutte, produziu o documentário “Minha Viagem à Itália”, de Martin Scorsese, e manteve laços estreitos com o cinema. Criou também o espaço cultural Armani/Teatro, projetado por Tadao Ando, como vitrine de seu universo.
A independência da marca — fora dos grandes conglomerados — sempre foi uma escolha de Armani. Aos 90 anos, ele admitiu que poderia vender a empresa ou abrir capital, mas apenas quando não estivesse mais no comando.
Giorgio Armani morreu, aos 91 anos, na quinta-feira (4).
(Direitos autorais reservados: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2025/09/04 – UNIVERSA/ NOTÍCIAS/ REDAÇÃO/ De Universa, com agências* – 04/09/2025)
*com Reuters, AFP e ANSA
1996 – 2025 UOL – O melhor conteúdo. Todos os direitos reservados.
(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/pop-arte/moda-e-beleza/noticia/2025/09/04 – Globo Notícias/ POP & ARTE/ MODA E BELEZA/ Por Redação g1 – 04/09/2025)
(Direitos autorais reservados: https://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo – RFI/ NOTÍCIAS/ MUNDO/ História de
Silvano Mendes, da RFI em Paris

