George Pell, cardeal australiano que chegou a ser tesoureiro do Vaticano antes de ser acusado e absolvido de abuso sexual em seu país

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Cardeal australiano George Pell, ex-tesoureiro do Vaticano absolvido por pedofilia

Australiano foi a figura mais elevada na hierarquia católica a ser condenada por abuso de menores mas acabou por ser absolvido mais tarde

George Pell died following surgery in Rome.(Getty Images: Kristian Dowling)

George Pell (Ballarat, no sul do estado de Victoria, 8 de junho de 1941 – Roma, 10 de janeiro de 2023), cardeal australiano que chegou a ser tesoureiro do Vaticano antes de ser acusado e absolvido de abuso sexual em seu país.

De um humilde começo na Austrália rural, Pell se tornou um dos assessores de maior confiança para o papa Francisco no Vaticano, até a explosão do escândalo de pedofilia.

Nascido na pequena cidade de Ballarat, no sul do estado de Victoria, Pell chegou mais alto na Igreja Católica do que qualquer outro australiano antes dele.

O prelado ainda tinha um processo aberto, na condição de coacusado. Os advogados da parte demandante anunciaram que vão levá-lo à frente. O caso foi apresentado pelo pai de um ex-coroinha que alegou ter sofrido abuso sexual por parte do cardeal.

“O processo seguirá adiante contra a Igreja e contra qualquer patrimônio que Pell tenha deixado”, disse Shine Lawyers, em um comunicado.

– Um ano de prisão –

Antes de sua prisão na Austrália, Pell era considerado o braço direito do papa Francisco e a terceira pessoa mais importante da Igreja Católica.

Em 2014, como chefe da Secretaria de Economia do Vaticano, o cardeal australiano recebeu do papa Francisco a tarefa de limpar a cúria da corrupção.

Apenas três anos depois, porém, retornou voluntariamente para a Austrália, onde enfrentaria acusações de abuso sexual. Ele negou-as, com veemência, até sua morte.

O primeiro julgamento terminou sem um acordo do júri, mas, no segundo, foi declarado culpado de ter abusado de dois coroinhas de 13 anos na década de 1990.

Em 2019, foi condenado a passar seis anos atrás das grades e levado para a prisão de Barwon, perto de Melbourne. Ficou recluso por mais de 12 meses. Em abril de 2020, o Supremo Tribunal da Austrália reverteu sua sentença, absolvendo-o.

Meses depois, Pell voltou para Roma, onde foi recebido pelo pontífice argentino no Palácio Apostólico, em outubro de 2020. Na semana passada, compareceu ao funeral do papa emérito Bento XVI, na Praça de São Pedro.

Embora absolvido pela Justiça, uma investigação do governo criticou a inação de Pell ante as acusações de pedofilia que surgiram na Igreja Católica da Austrália.

“Em 1973, o cardeal Pell não apenas estava ciente do abuso sexual de crianças no clero, como também considerou medidas para evitar situações que pudessem provocar falatório sobre o assunto”, concluiu a comissão em 2020.

George Pell faleceu em Roma aos 81 anos — informou uma autoridade eclesiástica na quarta-feira (noite de terça, 10, em Brasília).

De acordo com o jornal oficial do Vaticano, o cardeal morreu de complicações cardíacas ligadas a uma operação no quadril, à qual foi submetido na terça-feira (10) em um hospital de Roma.

“Com profundo pesar posso confirmar que sua eminência, o cardeal George Pell, faleceu em Roma na primeira hora da manhã”, disse o arcebispo australiano Anthony Fisher em um comunicado enviado à AFP.

Donald McLeish, da Rede de Sobreviventes de Abusos de Padres, disse que o cardeal encarnava a indiferença da Igreja para com as vítimas de pedofilia.

“Seu nome é conhecido por sobreviventes do mundo todo”, disse ele à AFP.

“Não só por sua inação, mas pela frieza que teve com as vítimas e os sobreviventes”, acrescentou.

Já o ex-primeiro-ministro conservador da Austrália Tony Abbott despediu-se dele como “um santo dos nossos tempos”, cujo nome foi manchado por “acusações atrozes”. O ex-premiê descreveu seu julgamento como “uma forma moderna de crucificação”.

O arcebispo de Melbourne, Peter Comensoli, afirmou que Pell foi “um líder muito significativo e influente da Igreja, tanto na Austrália, quanto internacionalmente”.

O corpo do cardeal foi repatriado para a Austrália e enterrado na cripta da Catedral de St. Mary, em Sydney, disseram autoridades eclesiásticas.

O primeiro-ministro trabalhista Anthony Albanese, que se descreve como um católico não praticante, enviou suas condolências a “todos que estão de luto”.

(FONTE: https://br.noticias.yahoo.com/video – NOTÍCIAS/ por AFP – 10/01/23)

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