Ernst Ludwig Kirchner, foi um dos fundadores do grupo de pintura expressionista Die Brücke (A Ponte)

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Kirchner: segundo as regras de sua própria arte

Ernst Ludwig Kirchner (Aschaffenburg, 6 de maio de 1880 – Davos, Suíça, 15 de junho de 1938), pintor expressionista alemão. Foi um dos fundadores do grupo de pintura expressionista Die Brücke. 

Kirchner criou aos 25 anos com mais três amigos o grupo Die Brücke, ainda em Dresden, e mais tarde transferiu-se para Berlim. É no grupo Die Brücke que se origina o Expressionismo, e esse grupo tem suas raízes na associação de quatro artistas, quatro estudantes de Arquitetura de Dresden que a certa altura, em 1905, decidiram dedicar-se integralmente à arte.

 

Os quatro – Ernst Ludwig Kirchner, Karl Schmidt Rottluff (1884-1976), Erich Heckel (1883-1970) e Fritz Bleyl (1880-1966) – tinham todos origem burguesa, filhos de famílias que não consideravam a arte uma profissão. E o nome que escolheram para seu grupo não tinha nenhum significado transcendente – apenas, Rottluff o sugeriu ao ver uma ponte ferroviária. Mais tarde, os quatro se mudaram de Dresden para Berlim. E ali não só receberam a adesão de outros artistas, como Emil Nolde (1867-1956) e Otto Müller (1874-1930), como viram florescer outros grupos similares.

 

Suas pinturas contêm uma ironia e uma inquietação que também se veem nas requintadas gravuras em madeira onde muitas vezes retrata o seu círculo íntimo de amizades. Kirchner aplicou-se em estudar antigas gravuras góticas e os trabalhos de Albrecht Durer, para enfim fazer destilar esse aprendizado em imagens carregadas de tensão e erotismo.

 

O que Kirchner registra, em sucessivos auto retratos, é uma indomável ansiedade interior, ampliada em cores fortes na pintura ou acentuada na maneira de gravar – uma agitação febril que o faz produzir intensamente mas provoca também seu internamento num sanatório em 1915, depois de fundar em Berlim um instituto de pintura moderna. 

Considerado por muito tempo apenas uma das figuras a compor o grande painel expressionista, é impossível porém separar seu trágico fim das suas imagens. Em 1931, Kirchner foi destituído da Academia de Belas Artes de Berlim e, em 1937, nada menos que 639 de suas obras foram confiscadas pelo governo como “degeneradas”.

Reunidos em Munique, em 1937, os melhores artistas do Expressionismo alemão tiveram suas obras apresentadas por Adolf Hitler como o exemplo mais grave do que o Führer considerava uma “arte degenerada”. Ao terrível anátema se seguiram punições concretas. Vários artistas foram mesmo proibidos de pintar, e suas telas que já estavam nos museus foram recolhidas aos porões.

Destas, 25 foram expostas na grande mostra de arte decadente em Munique, em 1937, sob as ordens de Adolf Hitler. Desesperado com a situação política, com sua própria solidão, o descrédito e novamente numa crise nervosa, Kirchner matou-se em julho de 1938.

Em 1933 Hitler foi nomeado chanceler do Reich, e pouco depois os expressionistas caíam em desgraça. Alguns, como Kirchner, pagaram com a própria vida esse golpe das trevas contra a explosão de criatividade e busca de novos caminhos que caracterizou o Expressionismo.

 

(Fonte: Veja, 5 de outubro de 1983 – Edição 787 – ARTE/ Por CASIMIRO XAVIER DE MENDONÇA – Pág: 150)

 

 

 

 

 

 

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