Elvis Aron Presley, influenciador do rock no mundo inteiro. Um dos maiores artistas da história.

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Elvis Aron Presley (1935-1977), ídolo popular, um dos maiores artistas da história. Em mais de vinte anos de carreira, Elvis colheu um êxito fulgurante no show-business americano. Bateu recordes na vendagem de discos – 250 milhões de cópias -, trabalhou em 32 filmes e tornou-se um nome adorado pelas multidões. Elvis, o garoto de Tupelo (onde nasceu no dia 8 de janeiro de 1935), acostumado a dizer sempre “sim senhor, sim senhora” às pessoas mais velhas, não poderia imaginar que o simples presente de aniversário que ofereceu à mãe em 1953 traria tantas e tamanhas consequências. O presente – pelo qual pagou 4 dólares subtraídos de seu parco salário de motorista de caminhão – era um compacto gravado na Sun Records de Memphis, para onde os Presley haviam se mudado, à procura de uma vida menos miserável – o pai era plantador de algodão. Elvis tinha 18 anos e já começava a ser olhado com certa aversão pelos moradores de Memphis. Moços e velhos se chocavam com sua mania de pentear atrevidamente os cabelos, de andar pelas ruas com roupas de cetim, em cores berrantes. “Ele usava um cabelo muito mais comprido que o nosso, costeletas e roupas brilhantes de cetim rosa e preto. Tudo isso cheirava a caipira”, disse certa vez um colega de escola.

O fato é que, mesmo com essa aparência, Elvis acabou impressionando Sam Philips, proprietário da gravadora Sun Records. Ele ouviu a voz do rapaz e comentou: “Esse branco tem voz de negro”. Seu primeiro disco “All Right Mamma” vendeu, em uma semana, 7 000 cópias Nada extraordinário. Elvis excursionaria depois pelo circuito country dos Estados Unidos. Com muito custo, arranjou permissão para fazer um pequeno número na feira de música de Nashville. Subiu ao palco e cantou balançando as pernas. Foi o primeiro delírio. “Eu não conseguia parar”, contaria depois.

Foi num desses shows de estrada que Elvis despertou a atenção de um espectador um tanto especial. Chamava-se Tom Parker, o “coronel” Parker – título honorário que recebeu do governo dos Estados Unidos. A partir desse dia, o coronel nunca mais sairia da vida de Elvis. Foi ele quem convenceu os diretores da gravadora RCA a comprar os direitos da Sun Records por 35 000 dólares: foi ele quem contratou os serviços de especialistas em marketing para o lançamento de 78 diferentes produtos com a marca Elvis Presley.

Do coronel sabe-se muito pouco, a não ser que já era esperto empresário country e que, no passado, construíra uma reputação de comerciante não muito honesto: conta-se que vendia uma mistura de água com anilina como se fosse limonada e que seu cachorro-quente só tinha dois pequenos pedaços de salsicha nas pontas. A televisão logo se interessou pelo novo ídolo. Mas não ousou mostrar como requebrava. Em 1956, no Ed Sullivan Show, apareceram apenas o peito e o rosto de Elvis, e a gritaria da meninada.

O produto Elvis Presley estava definitivamente sob o domínio do coronel. O primeiro LP do cantor para a RCA (Heartbreak Hotel”) vendeu 1 milhão de cópias. Mas era preciso mais. E havia mesmo muito mais. Elvis foi para Hollywood, representou rapazes galantes e bonzinhos em filmes açucarados. Elvis aceitou a convocação para o Exército em março de 1958, sem nenhuma regalia. Cortou os cabelos, foi para a Alemanha, ganhou 7 dólares por semana. Voltou noivo.

Que patriota! Que bom moço! E vai casar! O rapaz dos escândalos definitivamente mudara. As mamães americanas já o aceitavam, tudo estava bem. Mesmo? O coronel achava melhor ficar longe do público e suspendeu todas as apresentações ao vivo. Elvis, só no cinema. Resultado: ele, que já estava triste, desde a morte da sua mãe, assistiu impassível ao surgimento dos Beatles e dos Rolling Stones.

Em 1969, muitos quilos a mais, alguns requebros a menos, Elvis voltou a se apresentar no Hilton Hotel de Las Vegas. Nos shows seguintes, o cansaço e o desânimo marcariam seu rosto rechonchudo. Elvis fugia das entrevistas, das pessoas. Não queria que o vissem gordo e de cabelos brancos aqui e ali. Quando fez 41 anos, as rádios de sua cidade comemoraram a data programando seus maiores sucessos. E o aeroporto internacional distribuiu fatias de um monumental bolo aos passageiros. Mas Elvis não pôs os pés fora de Graceland.

Quando Elvis Presley surgiu, em 1954, o rock and roll – a dança e a palavra – não eram novidades nos Estados Unidos. Juntas ou separadas, elas sempre foram muito usadas nos blues dos negros dos campos de algodão. E a dança começou a ser sugerida a partir de 1948, em ritmadas gravações dos chamados race records, discos de um mercado subterrâneo, dirigido quase exclusivamente ao público negro. Obscuros e segregados da maioria dos compradores brancos, o cantor Roy Brown e o conjunto The Ravens enviavam às suas restritas plateias o mesmo apelo de rock noturno. Somente em 1952, um no após outra gravação quase clandestina mas significativa (“We re Gonna Rock”, por Gunter Lee Car), o disc-jóquei Alan Fred iniciava a integração racial sonora em seu amalucado programa “Moondog s Rock and Roll Party”.

Ele tocava discos de negros em seus programas destinados à classe média branca. E já no ano seguinte, pela primeira vez, o rock and roll frequentava a parada de sucessos americana com “Crazy, Man Crazy”, por Bill Haley e Seus Cometas. Quer dizer: literalmente cobria-se e se adocicava um original negro mais pulsante, procedimento que incluía censura à desenfreada malícia das letras sugerida a partir do próprio rótulo do gênero, que simbolizava o ato sexual na gíria dos negros do sul.

Elvis Presley era um branco do sul. Apesar da severa fiscalização da mãe, ele não desligava o rádio das emissoras proibidas, que tocavam a “música do pecado”, o blues em transformação de Big Bill Broozy e Arthur (Big Boy) Crudup, influenciadores de Ray Charles e seu rhythm and blues urbano. Foi com uma música de Crudup – “That s All Right Mamma” – que Elvis conseguiu chegar ao seu primeiro disco comercial. Fundiam-se por instinto na interpretação de Elvis a esganiçada música caipira (hillbilly ou, mais amplamente, country and western) e o roufenho rhythm and blues (o blues rural do negro já urbanizado). Era a mistura que Sam Philips, dono da pequena gravadora Sun Records, previa como futuro êxito americano.

50 milhões de fãs – Elvis em seus primeiros cinco discos para a Sun Records (entre agosto de 1954 e agosto de 1955), ainda alternaria números de country and western, rhythm and blues e rocabilly (uma denominação inicial da fusão caipira com o rock negro). A partir de janeiro de 1956, no entanto, quando começa sua fulminante escalada mundial com “Heartbreak Hotel”, passaria a revezar apenas baladas e rock and rolls. E, seu lançamento de dezembro de 1959, “Elvis Gold Records Vol. 2”, podia sustentar com orgulho o subtítulo: “50 milhões de fãs não podem estar errados”. Em sua volta aos Estados Unidos em 1960, depois de servir o exército na Alemanha, o comportamento pessoal e musical de Elvis sofreria uma freada brusca, talvez pela soma da ortodoxa disciplina do exército com o desamparo da morte da mãe. Para desespero de seus fãs mais ardorosos, o rebelde Elvis subordinava seu estilo sonoro cada vez mais aos açucarados violinos hollywoodianos.

Ajudado na subida pelo impacto que provocara sua música rejuvenescedora em oposição aos Perry Comos e Mantovanis que inundavam a década de 50, Elvis aproximava-se agora destes velhos opostos em sucessivos discos balofos, tornados ainda mais obsoletos pela aparição estonteante dos Beatles e Rolling Stones na Inglaterra e dos Animals e de Bob Dylan nos Estados Unidos. Curiosamente, seus seguidores obtinham sucesso musical, em parte por retomarem o caminho abandonado pelo precursor.

Lennon e Roberto Carlos – Através de vários retornos a Memphis (a capital do country e do blues) e ao contato com músicos de estúdio, Elvis tentaria recobrar a parte mais sólida de seu mito, a violência rítmica. Seus tremeliques vocais dos primeiros discos, adequados a cadência do econômico embalo de guitarras, baixo e bateria, continuam insuperáveis. Causavam inveja a John Lennon, que, ao fim do sonho, voltou-se para as raízes do rock and roll num LP onde praticamente imita o tipo de reverberação musical usada por Presley nos primórdios de sua carreira, e que podia ser ouvido ainda nos pequenos intervalos que lhe concediam os volumosos metais, cordas e pesados corais que o acompanharam nas últimas gravações.

Influenciador do rock no mundo inteiro, Elvis tem um curioso paralelo brasileiro em Roberto Carlos – que, por sinal, começou imitando-o nos programas de auditório. Um início turbulento, combatido pelas tradições, seguindo de uma trajetória conservadora e musicalmente redundante. Outra analogia interessante: Roberto estaria para o tropicalismo assim como Elvis para a beatlemania. Enfim, ele foi o pai da revolução de costumes dos últimos vinte anos, desencadeada pela música. Talvez mais exatamente: o médium da transformação. Como disseram o baterista D. J. Fontana e o guitarrista Scotty Moore, seus antigos músicos, ao biógrafo do cantor, Jerry Jopkins, “ele nunca entendeu competamente o que significou”. Sem o saber, inconscientemente mesmo, ele cantou o hino da integração racial de duas poderosas culturas – a negra e a branca, ambas transplantadas para o Terceiro Mundo. Ao nível de massa, ele repetiu o que fizera o jazz no campo erudito.

Tumulto igual os Estados Unidos não viam desde 1926. Naquele ano, no mesmo agourento mês de agosto, em meio a soluços, gritos e crises nervosas, os americanos sepultaram Rodolfo Valentino. Passados 51 anos, a histeria voltou as ruas no começo da tarde de terça-feira dia 16, quando o rádio e a televisão anunciaram a morte de outro ídolo popular. Centenas de jovens se acotovelaram diante do Hospital Batista de Memphis, Tennessee, para onde o rei do rock fora levado hoaras antes, as pressas, pelo empresário Joe Esposito. Ele havia encontrado o corpo de Elvis de bruços na mansão do artista, Graceland. Causa da morte: arritmia cardíaca. De uns anos para cá, Elvis estava psíquica e fisicamente muito mal. Em depoimentos prestados a Steve Dunleavy, autor do recém-lançado “Elvis, What Happened?”, três ex-guarda-costas do cantor revelaram que ele ingeria pílulas desvaidaramente: para trabalhar, para dormir, para acordar, para emagrecer. Mais: temia ser assassinado. Perturbado com essa possibilidade, chegou a comprar, num só mês, 32 pistolas. Padecia também de um “bloqueio do cólon”, doença que o levou a duas temporadas no hospital em 1975. Por tudo isso, Elvis morreu gordo, inchado, envelhecido, aos 42 anos. Na quinta-feira, dia do enterro, um Cadillac conduziu ao cemitério o caixão, forrado de cetim branco, seguido de perto pelo carro de sua ex-mulher Priscilla Beaulieu (casamento em maio de 1967, divórcio em fevereiro de 1972) e sua filha Lisa Marie, de 9 anos. Em outros automóveis sentaram-se personagens famosas, como Sammy Davis Jr., Jacqueline Onassis e sua filha Caroline, John Wayne, Ann Margret, Bob Hope.

Enquanto isso, discos e mais discos do cantor eram procurados e vendidos ferozmente em todo o mundo. No Brasil, a gravadora Som Livre não perdeu tempo: em dois dias, comprou fonogramas da RCA e lançou no mercado um álbum duplo de sucessos. Velhos discos foram retirados do fundo do baú e negociados.

Nada preocupados com negócios, os fã-clubes do cantor espalhados pelo país (existem sete em atividade) procuravam se consolar mutuamente. Consternados estavam, os membros da Gang Elvis, de São Paulo, que têm por obrigação “solicitar e defender Elvis nas rádios, revistas e jornais, ser indiscutivelmente, 100%, fanelvis”. “Morreu uma parte dos Estados Unidos”, disse o presidente Jimmy Carter. E, por consequencia, arquivou-se um capítulo marcante na cultura ocidental.

(Fonte: Veja, 24 de agosto, 1977 – Edição n.° 468 – Show e Música/ Por Tarik de Souza – Pág; 80/81 e 82)

1° de maio de 1967 – Elvis Presley se casou com Priscilla Beaulieu em Las Vegas. Eles se separaram em 1973.
(Fonte: http://www.guiadoscuriosos.com.br/fatos_dia – 1° de maio)

9 de outubro de 1973 – Elvis Presley se divorciou de Priscila, depois de seis anos de casamento. Os dois se conheceram quando ela tinha 13 anos.
(Fonte: http://www.guiadoscuriosos.com.br/fatos_dia – 9 de outubro)

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