Béla Tarr, mestre do cinema húngaro e diretor de ‘Sátántangó’ e ‘O Cavalo de Turim’

O diretor húngaro Béla Tarr durante festival de Berlin, em 2023 — (Foto: © ODD ANDERSEN / AFP)
Tarr era uma das figuras mais influentes do cinema de arte europeu.
Diretor teve diversas parcerias com o vencedor do Nobel László Krasznahorkai
Obras complexas e sombrias, em preto e branco, impressionam pelo ritmo lento e pelo cuidado com os planos
Béla Tarr (nasceu em Pécs, na Hungria, em 21 de julho de 1955 – faleceu em 6 de janeiro de 2026, em Budapeste, Hungria), cineasta húngaro, foi uma das figuras mais influentes e reverenciadas do cinema de autor europeu.
Reconhecido como um dos grandes nomes do cinema contemplativo, sombrio e melancólico, Béla Tarr construiu uma filmografia marcada por melancolia, visuais em preto e branco, com takes extensos.
Seu estilo rigoroso e austero o colocou entre os cineastas mais influentes do cinema de arte europeu.
Nascido em Pécs, na Hungria, em 21 de julho de 1955, Tarr iniciou a carreira no estúdio experimental Balázs Béla. Após dirigir filmes como “Family Nest”, “Almanac of Fall” e “Damnation”, alcançou projeção internacional em 1994 com “Sátántangó”, épico em preto e branco de sete horas inspirado no romance homônimo de László Krasznahorkai (vencedor do Nobel de Literatura em 2025).
Apesar da duração, o filme é constantemente lembrado como uma das obras mais relevantes dos anos 1990 e é visto como uma referência fundamental do “cinema lento” contemporâneo.
A obra, que retrata o colapso do comunismo no Leste Europeu, consolidou a parceria entre diretor e escritor, repetida depois em “Harmonias de Werckmeister” (2000), adaptação de “A melancolia da resistência”.
Reconhecido mundialmente por uma obra radical, austera e profundamente pessimista, Béla Tarr tornou-se um nome de culto a partir de filmes que desafiaram convenções narrativas e formais do cinema tradicional.
Seu trabalho é marcado por longos planos-sequência, ritmo deliberadamente lento, fotografia em preto e branco e uma visão desencantada da sociedade, frequentemente associada ao colapso moral, político e espiritual do Leste Europeu no pós-comunismo.
Ao longo da carreira, Béla Tarr construiu uma filmografia relativamente curta, porém extremamente influente, que inclui títulos como Condenação (1988) e Almanac of Fall (1984). Seu cinema rejeitava o entretenimento fácil e exigia do espectador uma experiência quase física do tempo, da repetição e do esgotamento humano — características que o transformaram em referência para cineastas, críticos e cinéfilos ao redor do mundo.
Seu último longa, “O Cavalo de Turim” (2011), também escrito com Krasznahorkai, é considerado seu trabalho mais sombrio e definitivo. O filme remete à lenda sobre o colapso mental de Friedrich Nietzsche e acompanha a rotina exaustiva de um homem e sua filha.
Em 2011, após lançar O Cavalo de Turim, Tarr anunciou que não faria mais longas-metragens de ficção, afirmando que havia chegado ao limite do que desejava expressar como realizador. Desde então, passou a se dedicar ao ensino e à formação de novos cineastas, mantendo sua influência viva fora das salas de cinema.
Aclamado pela crítica, venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim. Após a estreia, Tarr anunciou a aposentadoria, mudou-se para Sarajevo e fundou a escola film.factory.
Béla Tarr morreu na terça-feira, 6 de janeiro, aos 70 anos. A informação foi divulgada pela agência húngara MTI, por meio do realizador Bence Fliegauf, que falou em nome da família. Tarr enfrentava uma doença prolongada.
Segundo a Academia Europeia de Cinema, da qual o cineasta era membro,Tarr morreu “após uma longa e grave doença”.
“Lamentamos profundamente a perda de um diretor excepcional e uma personalidade com forte voz política, que não só era muito respeitado pelos seus colegas, como também era aclamado pelo público em todo o mundo. A família enlutada pede a compreensão da imprensa e do público e que não seja solicitada a fazer declarações nestes dias difíceis”, declarou a Academia Europeia de Cinema.
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(Direitos autorais reservados: https://www.msn.com/pt-br/cinema/noticias – Folha de S.Paulo/ SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)/ CINEMA/ NOTÍCIAS/ História de HENRIQUE ARTUNI – 06/01/2026)
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