Bede Rundle, filósofo neozelandês que fez contribuições substanciais à filosofia da linguagem, da mente e da ação, à metafísica e à teologia filosófica, sob a influência dos escritos de Wittgenstein, ele passou a pensar que, para compreender a natureza e o papel da linguagem em nossas vidas, as estruturas lógicas e linguísticas abstratas, pioneiras de Gottlob Frege, Bertrand Russell e Noam Chomsky, são menos relevantes do que uma investigação cuidadosa e detalhada de como a linguagem é empregada por falantes comuns, incluindo cientistas

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Bede Rundle, filósofo na tradição de Aristóteles, Kant e Wittgenstein

Bede Rundle, à esquerda, lecionou no Trinity College, em Oxford, por 40 anos.

 

 

Bernard Bede Rundle (nascido em Wellington, em 21 de fevereiro de 1937 – faleceu em 24 de setembro de 2011), filósofo neozelandês que lecionou por 40 anos no Trinity College, em Oxford, e fez contribuições substanciais à filosofia da linguagem, da mente e da ação, à metafísica e à teologia filosófica. Ele defendeu a visão atualmente impopular, mas correta, de que a filosofia não é, como a ciência, uma disciplina cognitiva que constrói teorias, mas um empreendimento crítico de autorreflexão humana. Nisso, ele se manteve na tradição de Aristóteles, Kant e Wittgenstein e nos deu um modelo de como fazer filosofia.

 

Rundle refletiu sobre livros inteiros, seis deles ao longo de 37 anos: meticulosamente elaborados, ricos em insights e repletos de argumentos. Gramática em Filosofia (1979), que começa com “A filosofia pode começar com admiração, mas logo termina em confusão”, é um dos livros mais ambiciosos e importantes em filosofia da linguagem desde as Investigações Filosóficas de Wittgenstein. Nele, Rundle ataca as concepções predominantes de conceitos semânticos-chave, como significado, verdade, referência e necessidade. Sua especialização inicial foi lógica matemática, que lecionou por 10 anos em Oxford. Mas, sob a influência dos escritos de Wittgenstein, ele passou a pensar que, para compreender a natureza e o papel da linguagem em nossas vidas, as estruturas lógicas e linguísticas abstratas, pioneiras de Gottlob Frege (1848 — 1925), Bertrand Russell e Noam Chomsky, são menos relevantes do que uma investigação cuidadosa e detalhada de como a linguagem é empregada por falantes comuns, incluindo cientistas.

Mente em Ação (1997) rejeita veementemente a visão da mente como uma máquina, ou como uma entidade “dentro” do nosso cérebro, ao contrário do que nossa cultura neurocientífica e popular frequentemente nos faz acreditar. Ele também demonstrou que os animais não raciocinam, que existe uma demarcação nítida entre humanos e animais e que temos livre-arbítrio.

No terceiro de seus livros mais notáveis, “Por Que Existe Algo em Vez de Nada” (2004), que recebeu considerável atenção, Rundle abordou uma das questões mais importantes da filosofia, formulada por Gottfried Leibniz no século XVIII, de uma nova maneira. Rundle sustentou que a questão não pode ser respondida pela ciência, mas deve receber um tratamento filosófico genuíno. Ele o fez abordando um famoso argumento a favor da existência de Deus, apresentado por Tomás de Aquino no século XIII.

Como este universo é contingente, ou seja, pode não ter existido, em algum momento não existiu e, posteriormente, passou a existir. Como algo só pode começar a existir em relação a algo já existente (por exemplo, uma partida de futebol só pode começar se os jogadores estiverem em campo), uma coisa não contingente e necessária, Deus, deve ter existido para que este universo começasse a existir. Se não houvesse uma coisa necessária, Deus, não haveria nada agora.

Ao contrário da maioria dos filósofos recentes, Rundle encontrou alguma verdade nesse argumento. Em sua versão, devemos de fato afirmar que, se nada tivesse existido, nada existiria agora; em outras palavras, é impossível que absolutamente nada tivesse existido. Pois dizer que poderia não ter havido nada “então” (antes do Big Bang) ou “agora” pressupõe uma estrutura temporal de referência e, portanto, espaço, movimento e objetos.

No entanto, isso não justifica plenamente Tomás de Aquino, pois “a única coisa que proporcionaria um cenário no qual o nosso universo pudesse entrar seria outro universo”. Não existe uma entidade necessária, Deus, mas alguma coisa física ou outra deve ter sempre existido necessariamente.

Se correto, esse argumento tem consequências dramáticas para a maioria dos humanos e suas crenças religiosas ou científicas sobre a origem do mundo, pois mina a ideia de um evento absolutamente primeiro do mundo, seja a Criação ou o Big Bang. Rundle também lança dúvidas sobre a noção de agência divina e, de fato, sobre a coerência da noção de Deus.

Ele teve uma educação católica, mas pouca simpatia pela religião ou por cientistas que se dedicavam à especulação teológica. No início deste ano, ele me deixou claro seu descontentamento: “Como se não tivéssemos respostas claras para as perguntas ‘De onde viemos? Para onde vamos?’ – desde o ventre de nossas mães até a sepultura.”

Nascido em Wellington, em 21 de fevereiro de 1937, estudou lá no St. Patrick’s College e na Victoria University. Seu interesse por filosofia foi despertado quando, ainda menino, se deparou com a introdução ao assunto feita por CEM Joad na biblioteca local. Após obter seu primeiro diploma em 1959, foi para o Magdalen College, em Oxford. Lá, jogou tênis pela faculdade com o advogado Michael Beloff e tênis de mesa pela universidade. Após concluir seu bacharelado em Filosofia (BPhil) em 1961, foi para o Queen’s College como pesquisador júnior por dois anos antes de ser eleito para a Trinity Fellowship.

Ele ocupou cargos de professor visitante nos EUA, mas recusou ofertas de cátedra, preferindo o sistema tutorial, cujo declínio recente ele lamentava. Figura modesta e generosa, era muito popular entre seus alunos. Levava seu papel de tutor para graduados tão a sério quanto o de administrador sênior de vinhos da sala de convivência.

Bede Rundle faleceu aos 74 anos, em 24 de setembro de 2011.

Em 1968, casou-se com sua esposa Ros, com quem teve um filho e uma filha.

Ele deixa esposa e filhos.

(Créditos autorais reservados: https://www.theguardian.com/world/2011/oct/31 – The Guardian/ MUNDO/ NOTÍCIAS/ FILOSOFIA/ por Edward Kanterian – 31 Out 2011)

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