António Lobo Antunes, expoente da literatura portuguesa
Escritor foi diversas vezes apontado como candidato ao Nobel de Literatura
O romancista português António Lobo Antunes — (Foto: Divulgação/Grupo Leya)
António Lobo Antunes (nasceu em 1° de setembro de 1942, em Benfica, Lisboa, Portugal – faleceu em 5 de março de 2026, em Lisboa, Portugal), expoente da literatura portuguesa, foi um dos escritores lusófonos mais lidos e traduzidos do mundo, autor de uma obra exigente, que revela com ironia os conflitos internos da sociedade contemporânea de seu país. Diversas vezes apontado como candidato ao Nobel de Literatura, Lobo Antunes ampliou as fronteiras do romance e também se aventurou na poesia e autobiografia.
O romancista português, um dos escritores de língua portuguesa mais lidos e traduzidos do mundo, já foi diversas vezes apontado como um possível vencedor do Prêmio Nobel da Literatura e publicou seu último romance em 2022, foi cronista da sociedade portuguesa contemporânea, é o autor de uma obra exigente, que mistura romance, poesia e autobiografia em um estilo barroco e metafórico.
Casado duas vezes e pai de três filhas, ele havia superado o câncer em três momentos, enquanto continuava escrevendo, em média, quase um romance por ano, mas havia deixado de publicar novas obras recentemente. Segundo um jornalista a quem concedeu uma série de entrevistas, o autor teria sofrido de uma forma de demência, informação que nunca foi confirmada pela família ou pessoas próximas.
Um dos seus últimos romances foi “O Tamanho do Mundo”, sobre um idoso que recorda os detalhes da vida, publicado em 2022. “Tudo o que cerca a literatura, as traduções, os prêmios, o ruído que acompanha o sucesso nunca teve grande importância para mim”, afirmou em novembro de 2012.
De psiquiatra a escritor
Com dramas pessoais como a morte, a solidão e a ausência de amor, Lobo Antunes traçou, com uma prosa barroca, elaborada e metafórica, um retrato sem concessões de uma sociedade portuguesa que continua marcada por meio século de ditadura e por uma guerra colonial na qual ele participou como médico militar em Angola, de 1971 a 1973.
Nascido em 1º de setembro de 1942 em uma família da alta burguesia de Lisboa, Lobo Antunes, que era o mais velho de seis irmãos, trabalhou como psiquiatra em um hospital de Lisboa ao retornar do conflito em Angola.
Seu segundo romance, “Os cus de Judas” (1979), monólogo de um homem que voltou da guerra em Angola, foi elogiado pela crítica e, a partir de 1985, ele se dedicou exclusivamente à literatura.
Da morte de um dependente de drogas em “A morte de Carlos Gardel” (1994) ao esvaziamento da região do Alentejo em “O Arquipélago da Insônia” (2008), passando pelas desventuras de uma gangue imaginária em “O meu nome é Legião” (2007), o escritor sempre tomou o partido das vítimas e pelos oprimidos.
Alguns críticos comparam a sua obra à do grande escritor português Eça de Queiroz, autor de um retrato corrosivo de Portugal no século XIX.
“Amo este país. Somos feios, baixos e tontos, mas amo”, declarou uma vez o escritor que, em “Manual dos Inquisidores” (1996), denunciou com mordacidade as mentiras e desilusões posteriores ao advento da democracia em 1974.
Formado, segundo dizia, lendo Faulkner e Scott Fitzgerald, o grande admirador de Céline e Tolstói publicou quase 30 romances e coletâneas de crônicas de imprensa, e recebeu em 2007 o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa.
Um homem “em guerra civil”
Naquele ano, revelou que sofria de câncer no intestino. Desde então, lançou vários romances, incluindo “Sôbolos rios que vão” (2010), que tem como narrador um homem confrontado com a doença e a proximidade da morte.
“A literatura não é um prazer”, porque o escritor “paga um preço alto em termos de saúde e de esperança e está constantemente exposto aos seus próprios erros e limitações”, declarou, com certo desalento, em outubro de 2013.
Repleto de contradições, Lobo Antunes se descrevia como um homem “terno e afetuoso”, mas também “introvertido e cheio de dúvidas”. “Não é fácil viver comigo mesmo. É como se estivesse sempre em guerra civil”.
Provocador nato, Lobo Antunes também era conhecido pelo senso de humor: “Li um texto de um crítico que dizia que continuarão lendo meus livros com paixão daqui a 5.000 anos. Acredito que ele tem razão, mas isso não me serve para nada”.
Horrores da guerra
Nascido em 1942 em uma família da alta burguesia de Lisboa, Lobo Antunes descobriu, no início da década de 1970, os horrores da guerra colonial em Angola, para onde foi enviado como médico militar.
Ao retornar a Portugal, trabalhou como psiquiatra em um hospital de Lisboa e conheceu o sucesso com seu segundo romance, “Os cus de Judas” (1979), monólogo de um homem que voltou da guerra.
A partir de 1985, ele passou a se dedicar exclusivamente à literatura.
O universo das suas personagens revela com ironia os conflitos internos de uma sociedade portuguesa marcada por meio século de ditadura e a desilusão que se seguiu à chegada da democracia em 1974, em particular em “Manual dos Inquisidores” (1996).
Autor de quase 30 romances e de várias coletâneas de artigos de imprensa, Lobo Antunes recebeu em 2007 o Prêmio Camões, a mais importante distinção literária da língua portuguesa.
António Lobo Antunes faleceu aos 83 anos.
Casado duas vezes e pai de três filhas, ele superou o câncer em três momentos, enquanto continuava escrevendo, em média, quase um romance por ano, mas havia parado de publicar novas obras recentemente.
Segundo um jornalista a quem concedeu uma série de entrevistas, o autor sofreria de uma forma de demência, informação que nunca foi confirmada oficialmente.
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