Anselmo Duarte nasceu em 21 de abril de 1920, na cidade do Salto, interior paulista. Seu primeiro trabalho em cinema, ainda menino, foi como “molhador de tela”. Ele tinha 10 anos de idade. No tempo das fitas mudas, o projetor ficava atrás da tela e a esquentava. Era preciso jogar água a cada dois rolos de fita, para evitar incêndio. Na infância ele queria ser projetista, como o irmão Alfredo . Seu primeiro filme como ator foi no inacabado “It’s all true”, de Orson Welles, em 1942. Logo, Anselmo, moço muito bonito, se transformou no maior galã do cinema brasileiro, de 1940 a 1950.
Estrelou filmes na Cinédia, na Atlântida e na Vera Cruz. Seu primeiro filme como diretor foi o “Absolutamente Certo”, comédia como aquelas que faziam sucesso na época. Isso foi em 1957. E foi logo em 1962 que Anselmo Duarte dirigiu e lançou: “O Pagador de Promessas”, filme que mudou sua vida e pode-se dizer, mudou os rumos do cinema nacional. O filme foi lançado no Festival de Cannes e o jovem diretor venceu concorrentes , como: Luis Buñuel, Antonioni e Robert Bresson. O estouro foi tão grande, mas tão inesperado, que até a Embaixada Brasileira se negou a emprestar a Anselmo Duarte a bandeira tamanho oficial, para ser exposta ao lado da bandeira de outros ganhadores, no salão do evento.
E o jovem cineasta teve que arranjar outra de tamanho menor, que foi rejeitada. Nem o Brasil valorizava o Brasil. Uma vez de volta , continuaram as perseguições. O pessoal do Cinema Novo lançou campanha contra o novo vencedor. E a perseguição prosseguiu no filme seguinte; “Vereda da Salvação,” que também foi referendado e elogiado no Festival de Berlim. Isso aborreceu muito Anselmo Duarte, que no entanto continuou sua carreira.
De 1942 a 1968, Anselmo Durante participou como ator de 30 filmes, sendo os principais; “Querida Suzana’;”Terra Violenta”; “Inconfidência Mineira”; “Um Pinguinho de Gente”;”Aviso aos Navegantes”;”Tico-tico no Fubá””Apassionata”;”Arara Vermelha”;”Absolutamente Certo”;”As Pupilas do Senhor Reitor”;”O caso dos irmãos Naves”;”A Madona do Cedro”;Ïndependência ou Morte”;”Assim era a Atlântida”; “Ninguém segura essas mulheres”;”Já não se faz amor como antigamente”;”Paranóia”;”Embalos Alucinantes”; “Tensão no Rio”;”Brasa Adormecida” e outros.
Como diretor, além do ‘Pagador de Promessas”, foi o responsável por “Absolutamente Certo”; “Vereda da Salvação”; “Um Certo Capitão Rodrigues”; “Ninguém segura essas mulheres”, “O crime de Zé Bigorna”; “Já não se faz amor como antigamente”; e outros. Em televisão fez algumas aparições como ator e diretor.
Em 1979 fez na Rede Globo de Televisão : Feijão Maravilha”. Há poucos registros audiovisuais de Anselmo Duarte na televisão brasileira. No dia 21 de abril de 2004, sua vida foi publicada em livro, pela Coleção Aplauso.
Faleceu em 7 de Novembro de 2009, aos 89 anos de idade.
(Fonte: www.museudaTV.com.br)
Anselmo Duarte (1920-2009), ator e cineasta, diretor do único filme brasileiro premiado com a Palma de Ouro em Cannes. Anselmo Duarte tinha 89 anos e morreu na madrugada deste sábado. Ele estava internado desde o dia 27 de outubro no Hospital das Clínicas, em São Paulo, devido a um AVC (Acidente Vascular Cerebral).
Em setembro, o ator e cineasta chegou a ficar internado no Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas) por quase um mês, para avaliação e tratamento cardiológico e urológico.
Na época, o hospital informou que o quadro cardíaco do cineasta, comprometido por um infarto do miocárdio, havia sido estabilizado.
Duarte ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 1962 por O Pagador de Promessa, que também foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro. Estrelado por Glória Menezes e Leonardo Villar, o filme desbancou títulos de Luis Buñuel e Michelangelo Antonioni e permanece até hoje como o único filme brasileiro a ganhar o maior prêmio do festival.
Duarte dirigiu 11 filmes, entre 1958 e 1979, mas no Brasil ficou mais conhecido por seu trabalho como ator ele estrelou diversos clássicos do cinema brasileiro, como Tico-Tico no Fubá (1952) e Brasa Adormecida (1987).
O corpo do cineasta será enterrado na cidade onde nasceu, Salto (interior de SP), no domingo, 8 de novembro.
(Fonte: pipocamoderna.virgula.uol - 7 de novembro de 2009)
Anselmo Duarte, cineasta brasileiro
Anselmo Duarte, que faleceu neste fim de semana, era um resumo vivo de alguns dos principais momentos da história do cinema brasileiro. Foi galã da Atlântida e da Vera Cruz, tornou-se diretor vinculado a nomes do Cinema Novo, seguiu carreira realizando os filmes que quis (e se dando mal, na maioria das vezes), aposentou-se, recebeu homenagens e não se integrou à Retomada pós-1994. Um resumo no sentido de ter passado por vários momentos importantes dessa história, e mais que isso: plantou seu nome mundialmente ao ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1962.
Virou clichê, porém, lembrar de Anselmo apenas por esta conquista. Mais ainda atribuir a vitória a um consenso do júri em torno de um filme que agradasse a todos. Ora, por mais que O Pagador de Promessas pudesse eventualmente não ser melhor que O Anjo Exterminador ou A Noite, que concorriam naquele ano, seria um delírio imaginar que um júri de Cannes fosse escolher o filme de Anselmo sem gostar dele. Resultado de impasse ou não, pouco importa: a premiação foi legítima. E, sem qualquer dúvida ou patriotismo: foi justa.
Mas Anselmo não dirigiu só O Pagador de Promessas. Ainda que tenha tido carreira claudicante de cineasta, teve ao menos dois títulos de envergadura semelhante. Absolutamente Certo! marcou a estreia como diretor, e dirigindo a si mesmo, em 1957, numa comédia musical ao mesmo tempo alegre e melancólica, que discutia a classe média baixa no país por meio de situações banais e cotidianas. Vereda da Salvação, realizado depois do Pagador, retratava o universo dos camponeses e a eterna luta de trabalhadores pela posse da terra.
Por mais que parte da historiografia queira negar, as semelhanças entre o cinema de Anselmo Duarte e alguns momentos de Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos foram muito fortes. O Pagador de Promessas e Deus e o Diabo na Terra do Sol, em especial, mantém um curioso diálogo, bastante perceptível ao se assistir a ambos os filmes em sequência. Anselmo não propunha a radicalidade de Glauber, mas tinha intenções próximas: captar a angústia de um suposto povo brasileiro em sua luta contra a opressão do poder. A linguagem é que os diferenciava. Se Glauber era alegórico, Anselmo preferia o classicismo; Glauber usava de símbolos e imagens referenciais, enquanto Anselmo apostava numa narrativa direta. Nenhum era melhor ou pior que o outro.
O que mais encantava especificamente em Anselmo Duarte era justamente essa visão objetiva e sem ranços, utilizada nos seus melhores filmes. Nada de discursos, ideologismos absolutistas ou demagogia: importava lançar na tela uma situação de conflito e tensão e, daí, permitir que o cinema desse conta de explorar as potencialidades dessa situação. Glauber era assim também. E ambos, de maneiras distintas, foram grandes e fundamentais. Perda de tempo é buscar a rotulação de Anselmo Duarte, essa espécie de camaleão da nossa cinematografia. O maior reconhecimento que ele pode ter, hoje, quando finalmente descansou, é ter seus filmes relembrados, vistos (e revistos) e sempre valorizados. Ele fez por merecer.
(Fonte: pipocamoderna.virgula.uol Por Marcelo Miranda – 8 de novembro de 2009)
- Anselmo Duarte (1920–2009), ator e cineasta
- Anselmo Duarte (1920–2009), ator e cineasta
- Anselmo Duarte (1920–2009), ator e cineasta



