Ana Maria Medeiros da Fonseca, foi coordenadora do programa Bolsa Família durante o primeiro mandato do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, de outubro de 2003 a janeiro de 2004

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Idealizadora do Bolsa Família

 

Ana Maria Medeiros da Fonseca, uma das idealizadoras do Bolsa Família (Foto: Elza Fiúza / DIREITOS RESERVADOS)

 

Ana Maria Medeiros da Fonseca, pesquisadora e idealizadora do Bolsa Família, coordenadora associada do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPP) da Unicamp.

Fez graduação em Historia – UNICAMP (1981), mestrado em História Social e do Trabalho – UNICAMP (1991), doutorado em História Social na área de família e relações de gênero – USP (2000). É pesquisadora do Núcleo de Estudos em Políticas Públicas da UNICAMP, desde 1987. Coordenou o programa de garantia de renda mínima do município de São Paulo (gestão Marta Suplicy), coordenou o programa Bolsa-Família (outubro 2003-janeiro 2004) e foi a secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Social (fevereiro/novembro 2004).

Analista de Políticas Sociais da Oficina do PNUD para a América Latina e o Caribe (2005-2006). Analista de Políticas Sociais da Oficina Regional da FAO desde 2007. Secretária Extraordinária para a Superação da Extrema Pobreza (SESEP/MDS). Tem atuado principalmente nos seguintes temas: pobreza, programas de transferencia de renda, cidadania, políticas públicas e família.

Ana foi secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Social (fevereiro/novembro 2004) e Analista de Políticas Sociais da Oficina do PNUD para a América Latina e o Caribe (2005-2006).

Ana Maria foi coordenadora do programa durante o primeiro mandato do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, de outubro de 2003 a janeiro de 2004. Depois, assumiu a secretaria Executiva do Ministério do Desenvolvimento Social de fevereiro a novembro 2004.

A idealizadora do Bolsa Família era coordenadora associada do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (NEPP) da Unicamp.

 

Trajetória acadêmica

 

Ana Fonseca concluiu a graduação em Historia na Unicamp em 1981 e, em seguida, cursou o mestrado em História Social e do Trabalho, também na Unicamp, concluído em 1991. O doutorado foi em História Social, na área de família e relações de gênero, na Universidade de São Paulo finalizado em 2000. Era pesquisadora do Núcleo de Estudos em Políticas Públicas da Unicamp, desde 1987.

A dedicação ao estudo dos programas de distribuição de renda levou Ana Fonseca, no inicio da década de 1990, e na qualidade de pesquisadora do NEPP, ser convidada para acompanhar e assessorar o programa chamado ‘Renda Mínima’ implantando na cidade de Campinas, durante a gestão do então prefeito José Roberto Magalhães Teixeira. “Precisamos deixar claro que foi no governo do Magalhães Teixeira que nasceu o primeiro programa de distribuição de renda mínima no país”, disse Ana Fonseca num vídeo documentário sobre sua carreira profissional gravado pelo NEPP. Nesse depoimento Ana Fonseca destacou ainda a importância que esse programa criado em Campinas teve para a implantação do Bolsa Família mais de uma década depois.

No inicio da década de 2000 Ana Fonseca foi convidada para coordenar o Programa de Garantia de Renda Mínima do município de São Paulo,  durante a gestão da prefeita Marta Suplicy. Nessa época existiam vários programas de distribuição de renda como Renda Mínima, Bolsa Escola, Bolsa Luz, Bolsa Gás e vários outros implantados pelos executivos dos três poderes. Foi na prefeitura de São Paulo que Ana Fonseca iniciou o lento caminho de estudos visando à unificação dos vários programas de distribuição de renda, em um único cartão digital.

Foi a partir dessa experiência, na prefeitura de São Paulo, que fez com que Ana Fonseca fosse convidada para coordenar o Programa Bolsa Família durante a gestão do primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva de outubro 2003 a janeiro de 2004.  Ela exerceu ainda o cargo de Secretária Executiva do Ministério do Desenvolvimento Social de fevereiro a novembro 2004.

 

Currículo dedicado à pesquisa e às políticas públicas

 

Ana Fonseca foi também analista de Políticas Sociais da Oficina do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para a América Latina e o Caribe durante os anos de 2005 a 2006 e analista de Políticas Sociais da Oficina Regional do Programa das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em 2007.

O currículo de Ana Fonseca aponta a dedicação de toda uma vida ao estudo dos programas de renda mínima. Logo após deixar o cargo de Secretária do Ministério do Desenvolvimento Social ela se reapresentou ao seu local de trabalho que mais gostava, o NEPP.

Mantinha um ritmo de trabalho intenso tanto de publicações, como viagem ao redor do mundo para discutir o tema que mais lhe agradava: distribuição de renda. Sua capacidade de diálogo era imensa e sabia ouvir e dialogar.

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Até o inicio de 2017 manteve intensa agenda de trabalho e de assessoria junto a vários países que adotaram programas de rende mínima tanto na América Latina, como na África. Seu grande prazer era falar da importância que os programas de renda mínima têm para transformar os países mais igualitários.

Ana Fonseca deixa de legado de uma vida dedicada ao estudo da pobreza e da distribuição de renda uma longa lista de trabalhos e livros publicados ao longo da sua vida.

Os textos científicos de Ana Fonseca se constituem em uma poesia de reflexão sobre as diferenças humanas em um mundo que está sempre em transformação.

Ana Maria morreu em 25 de março de 2018, aos 68 anos em Campinas.

 

Uma carreira de destaque

 

Todos seus colegas de trabalho são unanimes em afirmar da importância do trabalho acadêmico e das aplicações práticas do conhecimento construído por Ana Fonseca, durante os anos de atividade na academia e em instituições governamentais.

 

O atual coordenador do Núcleo de Políticas Públicas, professor Carlos Etulain, que conviveu com Ana Fonseca durante várias décadas e acompanhou de perto sua trajetória profissional destacou que “os estudos sobre transferência de renda desenvolvidos por Ana Fonseca são referência nacional e internacional”. Para Etulain, “Ana enfrentou cada desafio com capacidade impar e grande entusiasmo e soube combinar alegria, integridade política, intelectual e sensibilidade social”.

Etulain destacou que das melhores lembranças do convívio com Ana “ficam seus ensinamentos e a felicidade compartilhada nas valiosas horas de trabalho que Ana dedicou a instituição e aos amigos e amigas”.

A médica e pesquisadora Carmem Lavras, ex-coordenadora do Núcleo de Políticas Públicas da Unicamp, destacou que a trajetória profissional de Ana Fonseca “foi marcada por importantes contribuições no campo das políticas sociais e, em particular, por aquelas focadas no enfrentamento da pobreza, geração de renda”. Lavras lembrou ainda que Ana Fonseca “atuou no campo da avaliação de políticas públicas, tendo participado do grupo inicial de pesquisadores do NEPP e muito contribuiu com a consolidação desse campo de estudos no país, na década de 1990. Foi estudiosa, foi gestora, foi uma militante política que nunca se afastou de suas causas e, que sempre foi aberta ao diálogo e a escuta de outras opiniões, coisa rara nos dias atuais”.

Ao finalizar seu depoimento Carmem Lavras destacou que “Ana foi uma mulher guerreira, sem nunca ter se afastado do campo de batalha em defesa de um país mais justo e solidário. Foi uma pessoa alegre e descontraída e que deixará muitas saudades para nós amigas e amigos de trabalho e de vida”.

O professor Geraldo di Giovanni, ex-diretor do Instituto de Economia e ex-coordenador do Núcleo de Políticas Públicas da Unicamp, lembra a carreira profissional de Ana Fonseca. “No final da segunda metade dos anos 1980, no NEPP, Ana foi a primeira pessoa a estudar em profundidade o Programa de Renda Mínima da Prefeitura Municipal de Campinas, que se iniciara. Ao mesmo tempo passou a conhecer outras experiências do exterior que estudou com grande afinco”.

Giovanni destacou ainda que para ele, Ana “traçou uma trajetória intelectual pioneira no Brasil. Portadora de conhecimento teórico e dominando os detalhes, as características, os problemas, as possibilidades do programa campineiro e estava pronta para voar mais longe”. Lembrou ainda do convite feito a Ana pela Prefeitura Municipal de São Paulo, durante a gestão de Marta Suplicy.  “Ana ajudou a implantar o programa de transferência de rendimentos que atendeu centenas de milhares de famílias”, salientou Giovanni. O ex-coordenador do NEPP lembrou ainda que mais tarde, Ana Fonseca foi chamada pelo Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva para trabalhar no Programa Bolsa Família que, naquela época, dava os primeiros passos. “A atuação de Ana”, diz Giovanni, “foi decisiva para a consolidação bem sucedida deste magnífico, importante e exemplar programa assistencial”. E finalizou destacando que “Ana Fonseca soube, como ninguém, com seus saberes e sua habilidade política, estabelecer a ponte entre a Unicamp e a sociedade brasileira, fazendo com que os conhecimentos produzidos no interior do NEPP pudessem beneficiar cerca de 15 milhões de famílias. A Unicamp e o Brasil devem muito a esta mulher excepcional”.

 

Por meio de nota, Lula lamentou a morte da pesquisadora, a quem chamou de “mulher acadêmica nascida no Nordeste que ajudou a criar o maior programa de transferência de renda do planeta, o Bolsa Família”. “Minha solidariedade aos familiares e amigos de Ana, que deixou uma contribuição imensurável para o Brasil ao ajudar tirar milhões de brasileiras e brasileiros da extrema pobreza”, diz Lula, no texto.

Por meio de nota, a universidade da Unicamp disse que Ana Maria “deixa de legado de uma vida dedicada ao estudo da pobreza e da distribuição de renda uma longa lista de trabalhos e livros publicados ao longo da sua vida”.

(Fonte: https://www.istoedinheiro.com.br – EDIÇÃO Nº 1062 – ECONOMIA / Por Estadão Conteúdo – 26.03.18)

(Fonte: https://www.escavador.com)

(Fonte: http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2018/03/25 – NOTÍCIAS – COMUNIDADE INTERNA – 25, MAR – 2018)

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