Alvin Karpis (Montreal, Quebec, Canadá, 10 de agosto de 1907 – Torremolinos, Espanha, 26 de agosto de 1979), ou Old Creepy, um dos raríssimos gângsteres capitulados nos anos 30 “inimigo público número 1” pela polícia americana, conheceu cedo o crime.
Aos 10 anos, roubou sua primeira arma, com a qual infernizaria lojas e empórios no Kansas em sua juventude. Nem bem chegara à maioridade, já liderava uma das mais ativas quadrilhas dos Estados Unidos.
À frente dela, protagonizou uma frenética sequência de sequestros, assaltos e homicídios, até ser apanhado em 1936 pelo então recém-nascido FBI. Condenado à prisão perpétua, Karpis foi remetido ao ninho dos criminosos especialmente perigosos – Alcatraz, a ilha-presídio na Baía de San Francisco, uma das mais célebres do mundo. Ali, amargou 25 anos.
Até sua desativação, em 1963, a prisão de Alcatraz foi sobretudo uma usina de ódios. Eram odiados os guardas que, armados com revólveres, automáticas e submetralhadoras, mantinham a ordem a ferro e a fogo. Odiavam-se os detentos: brancos e negros, rigorosamente segregados, viviam em perpétuo estado de guerra. Odiava-se mais: os presos vibravam a cada êxito da Alemanha na II Guerra Mundial.
No crepúsculo de sua estada em Alcatraz, em 1962, Karpis ainda teve tempo para dar aulas de violão a um jovem prisioneiro que sonhava tronar-se um ídolo da música pop. Seu nome: Charles Manson. Anos depois, Manson alcançaria manchete em todo o mundo, como sonhara, mas como o assassino da atriz Sharon Tate. Libertado em 1969, Karpis foi deportado para o Canadá, sua terra natal, e de lá partiu para a Espanha, onde morreria em 1979.
No final de sua vida, foi procurado por um pacato professor universitário canadense chamado Robert Livesey, a quem relatou sua história. Livesey transformou o relato em livro. Lançado em 1980 em Nova York, o volume prontamente subiria ao topo das listas dos mais vendidos. Sintomaticamente, Livesey logo receberia uma descarga incomum de telefonemas de cumprimentos de ex-detentos célebres.
(Fonte: Fonte: Veja, 29 de junho de 1983 – Edição 773 – LIVROS/ Por PAULO NOGUEIRA – ALCATRAZ, de Robert Livesey – Pág: 139)

