Raoul Wallenberg, diplomata sueco e heroi da Segunda Guerra Mundial, desafiou nazistas e salvou judeus da morte

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Raoul Wallenberg, o ‘Schindler’ sueco

 

Raoul Wallenberg posa para foto em 1937, ainda antes de se tornar diplomata. (Foto: 1937 – Keystone/ Getty Images)

Diplomata ajudou na fuga de dezenas de milhares de judeus e acabou preso em Budapeste em 1945.

(Foto: BBC)

 

 

Raoul Gustaf Wallenberg  (nasceu em Lidingö, em 4 de agosto de 1912 – faleceu em Moscou, em 17 de julho de 1947), diplomata sueco e heroi da Segunda Guerra Mundial, desafiou nazistas e salvou judeus da morte.

Em julho de 1944, o sueco Raoul Wallenberg tinha 31 anos e uma missão na cabeça: salvar da deportação nazista estimados 100 mil judeus-húngaros que ainda viviam em Budapeste.

Naquele mês, ele chegava à Embaixada da Suécia na capital da Hungria. Até essa data, o alemão Adolf Eichmann (1906-1962), oficial nazista em Budapeste, já havia enviado cerca de 400 mil pessoas ao campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, na Polônia.

Formado em arquitetura pela Universidade de Michigan (EUA) e vindo de uma família conhecida como “os Rockefellers da Suécia”, Wallenberg contou com mais do que um clã influente para adquirir imunidade diplomática sueca e, com ela, agir numa Budapeste convulsionada pela ocupação alemã.

A ajuda extra veio do presidente americano Franklin Roosevelt, que nos derradeiros seis meses da guerra criou a organização “War Refugee Board”, à qual o governo sueco aderiu.

A Suécia era neutra na Segunda Guerra Mundial; assim, na condição de diplomata (embora não de carreira),  Wallenberg pôde emitir passaportes provisórios (“shutxz-passes”) e alugar prédios que, pintados de amarelo, serviriam de moradia e de “território seguro”, garantindo a sobrevivência para milhares de perseguidos.

Por sua atitude, Wallenberg passou a ser chamado de “Schindler sueco”, uma referência ao industrial alemão Oskar Schindler (1908-1974), famosos mundialmente  por ter salvado cerca de 1.200 judeus do Holocausto, a maioria empregados de sua fábricas.

DISCUSSÃO ÁSPERA

Inimigos nada cordiais, Wallenberg e Eichmann possivelmente discutiram as deportações de judeus num jantar na casa do diplomata sueco Lars Berg, no fim de 1944.

Berg relembrou o diálogo áspero que ambos teriam tido em entrevista publicada pela “The New York Times Magazine” em 1980. “Foi um jantar especialmente civilizado para uma época brutal. Tomamos brandy, ninguém falou alto, mas era possível ver o fogo da artilharia russa através da janela (o Exército Vermelho começava o cerco a Budapeste para expulsar os nazistas).”

Nesse encontro, Wallenberg teria afrontado Eichmann e dito: “Veja, você tem que enfrentar isso. Perdeu a guerra. Porque não desistir agora?”

Eichmann teria respondido que o fim até poderia estar próximo, mas continuaria a fazer seu trabalho, mesmo que fosse morto. Então, sempre de acordo com o relato de Berg, Eichmann e Wallenberg se encararam. “Não pense que você é imune só porque é um ‘diplomata neutro'”, teria dito o alemão.

Coincidência ou não, alguns dias depois, o carro diplomático de  Wallenberg, sem a sua presença, foi esmagado por um caminhão.

SUMIÇO E MISTÉRIO

Seis meses após a chegada de Wallenberg a Budapeste, o Exército Vermelho concluiu a ocupação da cidade, em 17 de janeiro de 1945.

Como os soviéticos eram aliados dos americanos, ele foi ao encontro do general russo Malinovsky.

Quando essa reunião ocorreu, a diplomacia soviética enviou telegramas aos suecos dizendo que Wallenberg estava a salvo, mas ele nunca mais foi visto.

A mãe de Wallenberg procurou e embaixada soviética em Estocolmo, capital sueca, em 1945, com um pedido de esclarecimentos sobre seu paradeiro. Como resposta, ouviu que ele “estava bem de saúde, num local seguro, em Moscou”.

A diplomacia sueca não fez muito empenho em afrontar a União Soviética, pois Wallenberg não era, de fato, um diplomata de carreira. E, à época, ninguém queria confusão com os soviéticos.

Em 1947, um informe da chancelaria em Moscou disse que Wallenberg tinha morrido depois de sofrer um ataque cardíaco.

Logo depois, no mesmo ano, um encarregado de negócios estrangeiros soviético respondeu à questão do paradeiro de Wallenberg de modo diferente: “Ele não é uma pessoa conhecida na União Soviética”.

Surgiram, então, rumores de que ele tinha morrido numa escaramuça de rua durante a tomada de Budapeste.

Em 1957, vários prisioneiros foram libertados e, entre eles, houve quem confirmasse ter visto Wallenberg num ‘gulag’ (campo de trabalhos forçados) soviético, afirmando que se referiam a ele como “o prisioneiro número 7”.

Acredita-se na possibilidade de o ditador soviético Josef Stálin (1878-1953) ter inferido que a operação de resgate dos judeus-húngaros poderia ser apenas um disfarce para Wallenberg, pois havia a suspeita de ele ser um espião a serviço dos Estados Unidos.

Hoje é sabido que Wallenberg tinha contato com agentes do Escritório de Serviços Estratégicos (OSS, na sigla em inglês), o serviço de segurança americano durante a Segunda Guerra, que foi o predecessor da CIA.

Especula-se que ele tenha sido cooptado ainda bem jovem, quando estudava na Universidade de Michigan.

(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/08- Folha de S.Paulo/ MUNDO – ÚLTIMAS NOTÍCIAS – por SILVIO CIOFFI/OLIVIA FREITAS – 09/08/2014)

 

 

 

O misterioso desaparecimento de Raoul Wallenberg, o ‘Schindler’ sueco que foi declarado morto 71 anos depois

Budapeste, Hungria, 1945. O diplomata sueco Raoul Wallenberg é detido naquele ano por militares soviéticos que entraram na cidade perto do final da Segunda Guerra e nunca mais é visto.

Em 1957, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia informou que ele tinha morrido após um ataque cardíaco em 17 de julho de 1947 na prisão de Lubyanka, em Moscou.

A família do diplomata não acreditou nesta versão e passou décadas tentando descobrir o que realmente tinha acontecido. Até que eles finalmente desistiram e pediram à Agência Tributária da Suécia para declarar Wallenberg oficialmente morto.

A agência atendeu o pedido no fim de outubro de 2016, 71 anos depois do desaparecimento.

Mas Wallenberg não era um diplomata comum. Durante sua estadia em Budapeste, ele ajudou milhares de judeus a escapar dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e sua história se transformou em lenda depois de 1945.

Mesmo sendo considerado o “Schindler sueco”, ainda persiste o mistério sobre o verdadeiro destino do diplomata.

Resgate

Wallenberg nasceu na Suécia em 1912. Em julho de 1944 chegou a Budapeste, já ocupada pelos nazistas, para trabalhar como diplomata. Naquele mesmo ano, ele começou os esforços para resgatar judeus.

Os alemães já tinham deportado quase 440 mil judeus da Hungria em apenas dois meses. A maioria deles tinha ido para o campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia.

Wallenberg então começou a emitir documentos suecos que protegeriam seus portadores e evitariam que mais judeus fossem deportados. Com estes documentos eles iriam para a Suécia.

Antes da chegada de Wallenberg, a embaixada sueca em Budapeste já emitia documentos de viagem para judeus húngaros, que funcionavam como passaportes do país.

Wallenberg decidiu modificar a aparência destes documentos, para dar um cunho mais oficial aos passes. Ele acrescentou as cores da bandeira sueca e colocou selos com a coroa sueca. Estes documentos ficaram conhecidos como os “passes de proteção” (ou “Schutzpass” em alemão).

Wallenberg negociou com o governo húngaro para emitir quase 5 mil destes passes. De acordo com a Fundação Internacional Raoul Wallenberg, o diplomata chegou a entregar três vezes mais do que 5 mil documentos.

Algumas pessoas faziam filas na embaixada sueca em Budapest para retirar estes documentos de viagem, mas Wallenberg e os funcionários diplomáticos também distribuiam os passes pela cidade.

Uma testemunha relatou à BBC como o diplomata interceptou um trem cheio de judeus que estava prestes a sair de Budapeste com destino a Auschwitz. Wallenberg subiu no teto dos vagões do trem levando um pacote de passaportes e começou a distribuir os documentos para mãos estendidas pelas janelas abertas.

O diplomata também comprou e alugou mais de 30 edifícios em Budapeste, incluindo hospitais, e colocou bandeiras suecas em suas portas. Desta forma, estes locais funcionavam como território neutro e pelo menos 15 mil judeus se refugiaram nestes prédios.

Wallenberg foi homenageado no Memorial do Holocausto, o Yad Vashem, em Jerusalém, como um dos “Justos entre as Nações”.

Ataque cardíaco ou execução?
A teoria mais comum sobre o destino de Wallenberg é que ele morreu em uma prisão soviética. De acordo com o jornal sueco Aftonbladet, em 19 de janeiro de 1945, Wallenberg foi encarcerado em Lubyanka, em Moscou, acusado de espionagem.

O “relatório Smoltsov”, incluido no ano 2000 em uma investigação de uma equipe de especialistas russos e suecos, informou que o diplomata morreu de um ataque do coração em sua cela no dia 17 de julho de 1947, quando tinha apenas 34 anos.

Mas documentos do serviço secreto soviético, a KGB, tornados públicos em 1991, indicavam que Wallenberg tinha sido interrogado em Lubyanka no dia 23 de julho de 1947, ou seja, seis dias depois da data divulgada pelo “relatório Smoltsov”.

A mãe de Wallenberg, Maj von Dardel, e seu padrasto, Fredrik von Dardel, cometeram suicídio em 1979. Em agosto de 2016 o Congresso Mundial Judeu citou um relatório no qual se alegava que Wallenberg tinha sido executado em 1947. A informação vinha dos diários de Ivan Serov, ex-diretor da KGB, publicados em junho de 2016.

‘Morte em 1952’

 

Nina Lagergren e o prefeito de Budapeste, Gabor Demszky, perto de um monumento em homenagem a Wallenberg na capital húngara em 2003. (Foto: BBC)

Nina Lagergren e o prefeito de Budapeste, Gabor Demszky, perto de um monumento em homenagem a Wallenberg na capital húngara em 2003. (Foto: BBC)

 

Em novembro de 2015 a família de Wallenberg pediu à Agência Tributária Sueca que ele fosse oficialmente declarado morto. “Será considerado que ele morreu em 31 de julho de 1952”, afirmou a agência.

Pia Gustafsson, funcionária da agência, explicou que a data foi escolhida por ser exatamente “cinco anos depois de seu desaparecimento, que acredita-se ter ocorrido no fim de julho de 1947”.

Este procedimento segue uma lei sueca que se aplica quando as circunstâncias da morte de uma pessoa não ficam claras, disse Gustafsson à BBC. O jornal sueco Aftonbladet informou que a família do diplomata pediu que ele fosse declarado morto oficialmente para “deixar Raoul descansar em paz”.

(Créditos autorais: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/11 – Globo Notícias/ MUNDO/ NOTÍCIA/ Da BBC – 14/11/2016)

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