Darcy Penteado, artista plástico, escritor e militante do movimento gay.

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Foi pioneiro militante dos movimentos LGBT brasileiro

Darcy Penteado (São Roque, 1926 – São Paulo, 2 de dezembro de 1987), artista plástico, escritor e militante do movimento gay.

Autodidata, vivendo desde os 10 anos em São Paulo, tornou-se aos 17 ajudante de projetista numa fábrica de fogões, para logo a seguir se dedicar ao desenho de modas, à publicidade (na qual conquistaria proeminência em 12 anos de carreira) e à ilustração.

A partir de 1947 voltou-se para a cenografia, que fez inclusive para a televisão entre 1955 e 1960.

Sua primeira individual ocorreu em 1949, em São Paulo; dois anos depois participou de sua primeira coletiva, expondo no Salão Paulista de Arte Moderna. Desde então expôs individual ou coletivamente pinturas e desenhos num sem-número de ocasiões, em salões e certames como a Bienal de São Paulo, o Salão Nacional de Arte Moderna, o Salão de Belo Horizonte, a Bienal de Paris, etc., ou em cidades como Lisboa (1956), Hamburgo (1964) e Roma (1965).

Encontro com sua arte

Foi, porém, na Itália que mostrou pela primeira vez suas obras realizadas a partir de elementos “vividos”, encontrados no lixo do Trastevere ou em antiquários, as quais se misturavam a avisos fúnebres e religiosos que coletava nos muros romanos.

Essa tentativa de recuperar o tempo perdido iria revelar-se desde então como uma das características permanentes da arte de Darcy Penteado, como o demonstram as séries Sombras da Infância e Musas da Noite.

Nestas séries, iniciadas em 1982, repercute certo sentimento felliniano, aliado a uma infinita nostalgia da infância, dos brinquedos que se foram, dos antepassados retratados em seus trajes domingueiros, tudo isso lado a lado com inquietantes detalhes de pássaros negros acorrentados, a imprimirem ao conjunto a nota surrealisante.

O retratista

A partir de 1955, Darcy Penteado começou a executar retratos, tornando-se nesse gênero artista bastante conhecido, inclusive na Europa.

Com efeito, vivendo entre 1963 e 1968 na França e na Itália, logrou ali se manter graças à aceitação de seus portraits, tendo retratado então personalidades do mundo artístico como Françoise Sagan, Silvana Mangano e Audrey Hepburn.

No Brasil realizou mais de mil retratos, notadamente de mulheres da sociedade, fruto antes de habilidade que da arte.

Versatilidade

Foi ilustrador de livros e suas gravuras podem ser encontradas em Praia oculta, de Domingos Carvalho da Silva, 1949; Mulheres freqüentemente, de Helena Silveira, 1953; Contos de cabra-cega, de Marcel Aymé, 1960-61), premiado pela Câmara Brasileira do Livro em 1962 e outros.

Destacou-se ainda como Melhor Figurinista de 1959 na II Exposição de Artes Plásticas do Teatro (Bienal de São Paulo) por seu trabalho de 1958 para Pedreira das almas, de Jorge de Andrade, e também contemplado, como cenógrafo e figurinista, com os prêmios Governador do Estado e Saci, esse da Associação Paulista de Críticos Teatrais.

A despeito de sua vasta obra como pintor, Darcy Penteado pode ser considerado essencialmente um desenhista.

Com efeito, mesmo em seus óleos e pastéis repercute muito intensa a nota gráfica, através de uma inconfundível predominância da linearidade.

Darcy Penteado, que sempre gostou de circular em festas elegantes e se tornou famoso retratando senhores da alta sociedade, retirou-se para uma grande casa no alto da Serra da Cantareira, nos arredores de São Paulo, onde continuou a produzir paisagens nostálgicas onde passeavam figuras do passado, principalmente uma dama de negro, com grande chapéu, que ele próprio comparou à presença da morte.

Essas paisagens foram o grande sucesso da sua última exposição, realizada em novembro de 1986, na Galeria de Arte André, em São Paulo.

“ME AVISEM” – Pintando, escrevendo – pretendia publicar um livro sobre a maneira pela qual a sociedade passou a tratar o homossexual depois do surgimento da Aids -, Penteado, nos últimos três meses, passou a viver cada vez mais recluso, recusando-se a receber os amigos e tratando de seus assuntos profissionais por telefone.

Darcy Penteado faleceu em 2 de dezembro de 1987, aos 61 anos, vítima de insuficiência respiratória e pneumonia intestinal, provocadas pela Aids, cujos sintomas Penteado insistiu em negar até o fim, em São Paulo.

(Fonte: Veja, 9 de dezembro de 1987 – Edição n° 1005 – DATAS – Pág; 115)
(Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»)
(Fonte:http://www.pitoresco.com/brasil/dpenteado/penteado)

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