H. Clay Folger; renunciou ao cargo de presidente da Standard Oil de Nova York para planejar um memorial a Shakespeare.
Possuía uma coleção de livros raros e propôs disponibilizar as obras do dramaturgo e poeta para estudantes de literatura.
Henry Clay Folger (nasceu em 18 de junho de 1857 em Nova Iorque – faleceu 11 de junho de 1930 no Brooklyn, Nova York), foi ex-presidente da Standard Oil Company de Nova York e proprietário de uma das maiores coleções de obras de Shakespeare do mundo.
O Sr. Folger nasceu nesta cidade, filho de Henry C. e Eliza J. Clark Folger. Após se formar no Adelphi College, no Brooklyn, ingressou na Amherst University, onde obteve os títulos de Bacharel em Artes e Mestre em Artes em 1879 e 1881, respectivamente.
Em 1º de julho de 1879, provavelmente poucos dias após deixar a faculdade, começou a trabalhar no ramo petrolífero como escriturário no escritório da Charles Pratt & Co., no Brooklyn.
Naquele outono, sem abandonar o emprego de escriturário, iniciou seus estudos em Direito na Universidade Columbia e, dois anos depois, recebeu o título de Bacharel em Direito, com honras (cum laude).
O Sr. Folger foi, em diferentes momentos, diretor e executivo de várias grandes companhias petrolíferas do grupo Standard. Em 25 de fevereiro de 1909, tornou-se diretor desta empresa, cargo que ocupa até o presente momento.
Assumiu a vice-presidência da empresa em 23 de fevereiro de 1911, permanecendo no cargo até 4 de dezembro de 1911, quando se tornou presidente. Continuou como presidente até 31 de maio de 1923, quando assumiu a presidência do conselho.
Ele renunciou à presidência em 30 de março de 1928 para se dedicar ao desenvolvimento de sua coleção de Shakespeare e aos seus planos de torná-la permanentemente disponível aos estudantes.
O interesse do Sr. Folger por Shakespeare começou quando ele estudava no Adelphi College. O trabalho posterior de reunir e organizar sua biblioteca sempre foi, para ele e para sua esposa, uma verdadeira paixão.
Ele apreciava os livros em si, gostava de colecioná-los e, talvez acima de tudo, deleitava-se com a ideia de que o magnífico resultado de seus esforços estaria sempre acessível aos estudantes e amantes de Shakespeare nos Estados Unidos, às pessoas que compartilhavam seu grande interesse pelo poeta.
Não há dúvida de que a coleção Folger, com cerca de 25.000 volumes, é a melhor dos Estados Unidos. Em extensão, rivaliza com a do Museu Britânico. Herbert Putnam (1861 – 1955), bibliotecário da Biblioteca do Congresso, disse dela: “Na qualidade de seus itens, não é superada nem mesmo pelo Museu Britânico”.
George H. Sargent, o bibliógrafo, afirmou que ninguém pode esperar acumular outra coleção como essa. Existem 200 primeiros fólios conhecidos. O Sr. Folger possuía trinta e cinco deles.
Em 1919, ele pagou à Companhia Rosenbach da Filadélfia US$ 100.000 pelo volume único de Gwynn, contendo nove peças teatrais, publicado em 1619.
O Sr. Folger escreveu muitas monografias sobre Shakespeare. Por suas realizações como colecionador e autoridade em Shakespeare, recebeu o título de Doutor em Literatura pela Universidade de Amherst em 1914. Ele era membro do Grolier Club, do Nassau Country Club e da fraternidade Alpha Delta Phi.
Há dois anos, foi anunciado que o Sr. Folger construiria em Washington, num terreno atrás da Biblioteca do Congresso, um edifício para abrigar sua coleção, e que faria uma doação para sua manutenção e desenvolvimento.
Henry Clay Folger faleceu em 11 de junho de 1930 no Hospital St. John’s, no Brooklyn, após uma cirurgia. Ele foi internado há duas semanas, vindo de sua casa de campo em Glen Cove, Long Island. Ele completaria 73 anos na próxima quarta-feira.
Os parentes próximos que sobreviveram são a viúva, que era a Srta. Emily C. Jordan, de Elizabeth, Nova Jersey, na época do casamento em 1885; uma irmã e dois irmãos. O funeral será realizado amanhã, às 20h, na capela da Igreja Congregacional Central, na Rua Hancock, perto da Avenida Franklin, no Brooklyn. A residência do Sr. e da Sra. Folger na cidade fica há muitos anos no número 24 da Rua Brevoort, no Brooklyn.
(Créditos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1930/06/12/archives – New York Times/ Arquivos/ Arquivos do The New York Times – 12 de junho de 1930)

