David Astor, se tornou um dos grandes editores radicais do século XX, acreditava fervorosamente que os jornalistas não deveriam tomar partido em questões políticas

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Editor radical e militante

 

 

Francis David Langhorne Astor (nasceu em 5 de março de 1912 – faleceu em 7 de dezembro de 2001), filho do visconde e que se tornou um dos grandes editores radicais do século XX, 

Lord Jenkins de Hillhead, um dos brilhantes jovens escritores recrutados por Astor quando este era editor do Observer na década de 1950, afirmou em uma homenagem na noite passada que ele foi “o editor de jornal mais distinto daquele período”.

Donald Trelford, sucessor de Astor no cargo, o classificou como um dos dois ou três editores mais inovadores que a Grã-Bretanha teve desde a guerra de 1939-45.

Astor foi testado naquela guerra, física e emocionalmente, como fuzileiro naval da Marinha Real Britânica, tendo recebido a Croix de Guerre. Assim que terminou, ele se juntou ao Observer, jornal de propriedade de sua família milionária.

O Sr. Trelford disse: “Ele era um homem de imensos contrastes, nascido em berço de ouro, mas com uma compaixão instintiva pelas vítimas do mundo. Alguns editores encaram a política como um jogo, mas a seriedade do jornal sob sua direção devia-se ao fato de ele ter lutado na guerra. Ele sabia que a política afetava a vida das pessoas.”

Embora Astor tenha sido editor do Observer até 1975, seus anos mais corajosos e gloriosos são considerados os anos 1950 e o início dos anos 1960, quando ele se destacou em relação a outros jornais com campanhas, eventualmente bem-sucedidas, pela descolonização, contra o apartheid e a pena de morte, e sobre outras questões sociais como a censura literária.

Seus artigos de opinião contra o governo conservador de Anthony Eden sobre a Operação Suez de 1956, nos quais ele escreveu “não tínhamos percebido que nosso governo era capaz de tamanha tolice e desonestidade”, custaram ao seu jornal a liderança de circulação sobre o Sunday Times e causaram danos comerciais duradouros ao Observer, dos quais nem ele nem o jornal se arrependeram.

Lord Jenkins disse: “Ele foi muito corajoso em relação ao Suez. Ele também transformou seu jornal no grande veículo de defesa da África. Ele representava o centro liberal. Foi por meio dele que aprendi a ser jornalista. Ele inspirou outros a praticarem o bom jornalismo – ainda não entendo bem como”.

O Sr. Trelford, editor do Observer de 1975 a 1993, disse: “Ele criou um novo tipo de jornalismo, o ‘qualipop’, combinando as qualidades de jornais sérios e populares. Ele era um excelente descobridor de escritores, embora tivesse dificuldades para escrever ele mesmo.”

Astor era filho do segundo Viscout Astor de Hever e de sua esposa Nancy, a primeira mulher eleita para o Parlamento. O Sr. Trelford disse que ele não se deixava intimidar por políticos, pois cresceu entre eles com sua família em Cliveden.

Ele lembrou de Astor recebendo um telefonema furioso de Harold Wilson, primeiro-ministro trabalhista durante parte das décadas de 1960 e 1970.

As últimas palavras de Astor para ele foram: “Tive conversas com vários primeiros-ministros desde que era editor do Observer – e espero me encontrar com mais uns sete durante o meu tempo aqui. Boa tarde”.

O ex-editor político da BBC e ex-editor adjunto do Guardian, John Cole, executivo do Observer que trabalhou com Astor em meados da década de 1970, disse: “Ele compartilhava do princípio de C.P. Scott [editor do Manchester Guardian de 1872 a 1929]de que o propósito do jornalismo sério era ‘influenciar as mentes e as consciências dos homens’. Astor fez isso em relação à Crise de Suez, à descolonização na África e a uma variedade de questões sociais em seu país, incluindo a proteção de mulheres vítimas de violência doméstica”.

Outra ex-colega afirmou que Astor financiou, durante anos, o primeiro abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica na Grã-Bretanha. Katharine Whitehorn, colunista do The Observer de 1960 a 1996, lembrou como ele se cercava de colegas e colaboradores pouco convencionais, incluindo o editor literário Terence Kilmartin, a quem conheceu durante um salto de paraquedas da Executiva de Operações Especiais (SOE) na França, na Segunda Guerra Mundial.

No entanto, Astor acreditava fervorosamente que os jornalistas não deveriam tomar partido em questões políticas. Por essa razão, ele nunca votou.

Astor morreu ontem aos 89 anos.

(Direitos autorais reservados: https://www.theguardian.com/media/2001/dec/08 – NOTÍCIAS/ MÍDIA/ por John Ezard – 8 de dezembro de 2001)

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