Piloto pousa avião em trem a 120 km/h para quebrar recorde

Aeronave acrobática Zivko Edge 540 foi equipada com um motor de 400 cavalos de potência. Tudo para viabilizar um novo recorde — (Foto: Predrag Vučković)
Por alguns segundos, aeronave patrocinada pousou no topo do vagão e, logo em sequência, decolou em uma subida vertical.
Dario Costa realiza o primeiro pouso e decolagem de um trem de carga em movimento em Afyonkarahisar, Turquia — (Foto: Samo Vidic)
O que você acha da ideia de passar 28 horas seguidas fazendo embaixadinhas ou então tentar escapar de um carro em alta velocidade no menor tempo possível? E é essa sensação de “frio na barriga” que faz donos de recordes mundiais tentarem superar os próprios limites – o que, de vez em quando, faz com que eles se coloquem em situações bastante arriscadas.
Um exemplo do tipo aconteceu no dia 15 de fevereiro: na data, o italiano Dario Costa fez uma manobra inédita na aviação em Afyonkarahisar, na Turquia, pousando a aeronave Zivko Edge 540 em um trem de carga que viajava em velocidade a 120 km/h, antes de decolar novamente.
Quando o avião estava a aproximadamente 200 metros do vagão alvo, a superfície de pouso desapareceu da visão do piloto devido ao seu ângulo de descida, forçando-o a voar às cegas. Então, Costa se aproximou cuidadosamente do veículo em movimento, alinhando-se com a estreita cobertura do nono – e último – contêiner até pousar.
Patrocinada pela Red Bull, a façanha exigiu uma perfeita sincronização de velocidade e precisão de controle administrativo da aeronave. Enquanto o trem seguia a sua velocidade operacional máxima de 120 km/h, Costa teve que reduzir a velocidade do avião para 87 km/h enquanto lidava com a turbulência causada pelas variações na velocidade do ar e realizava pequenos ajustes para manter a estabilidade longitudinal e lateral.
Afyonkarahisar foi o lugar escolhido por ser ideal para a execução controlada e segura de um projeto como o executado pelo piloto acrobático com a Red Bull devido a sua infraestrutura ferroviária, condições operacionais e geografia favorável.
Um voo longo
Aterrissar e decolar em uma plataforma móvel representa um grande avanço em aerodinâmica e coordenação entre pilotos. Ter feito isso na velocidade máxima do trem demonstra como um planejamento cuidadoso e uma manobra de voo precisa podem expandir os limites do voo controlado em ambientes não tradicionais.
Por isso, Costa começou a treinar para executar a façanha ainda no início de 2024, quando as equipes de engenharia e de voo desenvolveram simulações e realizaram testes controlados para replicar a dinâmica de pouso no Centro de Desempenho de Atletas da Red Bull, na Áustria. Nesse meio tempo, o piloto também aprimorou o seu foco e velocidade de reação.
“O pouso foi um dos projetos mais desafiadores e exigentes da minha carreira. Havia muitas variáveis para medir, mas o maior teste foi aprender a pousar às cegas em uma pista móvel muito pequena, confiando apenas em habilidades cognitivas e de voo”, disse Costa, em comunicado.
Mesmo com as dificuldades, Costa afirmou que a experiência foi incrível. E além de tirar o fôlego, foi a primeira vez que uma aeronave interagiu, com sucesso, com um trem em movimento, feito que uniu o meio de transporte motorizado mais antigo com o mais moderno do mundo. “Foi um projeto complexo que exigiu precisão, trabalho em equipe e confiança. Estou orgulhoso de termos executado conforme o planejado”, contou.
Durante os testes, as tecnologias avançadas de simulação foram fundamentais, uma vez que os testes práticos de voo em um trem em movimento não eram permitidos nem viáveis. Nesse caso, os ensaios controlados feitos em solo se tornaram cruciais para o sucesso do projeto, sobretudo para que Costa fosse capaz de alinhar a aeronave com o trem, considerado este o momento mais crítico de toda a operação.
Conexão
Costa não é um novato no que diz respeito a grandes desafios aeronáuticos. Em setembro de 2021, ele voou com uma aeronave por toda a extensão de dois túneis rodoviários perto de Istambul, também na Turquia. Ao todo, percorreu 1.730 metros.
Depois desse projeto, no entanto, Costa não se sentiu satisfeito. A inspiração para o novo desafio veio quando ele observou um trem de passageiros na cidade de Cars, localizada no extremo nordeste do país. A partir daí, ele passou a considerar conceitos de pouso não convencionais da aviação.
“Depois de voar por um túnel, eu me perguntava o que poderia ser mais desafiador, mas pousar em um trem em movimento, em um ponto que você mal consegue ver, confiando puramente na sensação do vento, exige um nível de concentração totalmente diferente. Tenho orgulho de termos mudado a definição do que é possível na aviação”, concluiu Costa.

