Fundador da Coligay, reconhecida como a primeira torcida LGBTQIA+ do Brasil

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Volmar Santos, criador da Coligay, 1ª torcida organizada gay do país

 

Volmar Santos, criador da Coligay, 1ª torcida organizada gay do país

Torcedores da Coligay em 10 de abril de 1977. (Imagem: Kamilarpp/Wikimedia Commons)

Volmar Santos, fundador da Coligay, primeira torcida LGBTQIA+ do Brasil

Volmar Santos – Coligay — Foto: GZH Passo Fundo

 

Volmar Santos, fundador da Coligay, reconhecida como a primeira torcida LGBTQIA+ do Brasil.

Volmar Santos ficou marcado na história do futebol brasileiro ao fundar a Coligay nos anos 1970, em Porto Alegre. A iniciativa surgiu em um contexto de forte preconceito e ajudou a dar visibilidade à presença LGBTQIA+ nas arquibancadas.

Amante de futebol e torcedor apaixonado do Grêmio, Volmar foi também comunicador, radialista, colunista social e teve papel de destaque no Carnaval de Passo Fundo.

A Coligay surgiu no final da década de 1970, vinculada ao Grêmio, e manteve as atividades até 1983. Durante o período, o movimento comemorou o título gaúcho de 1977, o Campeonato Brasileiro de 1981, e a Liberadores e o Mundial, em 1983. A história foi documentada em livro pelo jornalista Léo Gerchmann.

Coligay nasceu durante a ditadura

A Coligay foi fundada em 1977, por iniciativa de Volmar Santos. Ele era gerente de uma famosa boate gay em Porto Alegre, a Coliseu, e decidiu, com outros torcedores apaixonados, expressar seu amor pelo time assumindo a homoafetividade ao mesmo tempo. A torcida terminou seis anos depois, quando Volmar voltou para sua cidade natal, Passo Fundo.

A torcida ganhou fama de “pé-quente”. A fama foi tão grande que atravessou as fronteiras do Rio Grande do Sul. A Coligay foi convidada pelo presidente do Corinthians na época, Vicente Matheus, para assistir no Morumbi à final do Campeonato Paulista de 1977. E o convite deu certo: com um gol de Basílio o time venceu o campeonato e encerrou um jejum de 23 anos sem títulos.

Mas o começo da torcida gay gremista não foi fácil. “No primeiro jogo em que fomos ao Olímpico, a surpresa e o desespero dos torcedores foi geral, tanto que queriam brigar e surrar os componentes da torcida por não aceitarem aqueles gays cantando, rebolando”, disse Volmar Santos no livro “Coligay, tricolor e de todas as cores”, de 2013.

No entanto, a torcida ganhou espaço com o tempo. A dedicação ao Grêmio desta nova turma de torcedores organizados foi tornando comum aquilo que antes parecia anormal, e a Coligay conquistou seu espaço nas arquibancadas do Olímpico, assim como a simpatia dos que amavam o Grêmio tanto quanto eles.

Volmar Santos faleceu na segunda-feira (19). A informação do falecimento foi confirmada por familiares.

De acordo com pessoas próximas, Volmar enfrentava problemas de saúde e estava internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, na Região Norte do RS. Ele tinha 77 anos.

Em publicação nas redes sociais, o clube de futebol gaúcho lamentou a morte. “Seu legado de respeito, diversidade e resistência será lembrado para sempre por todos os tricolores”, escreveu.

(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/01/19 – Globo Notícias/ RIO GRANDE DO SUL/ NOTÍCIA/ Por Pedro Trindade, g1 RS – 19/01/2026)

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(Direitos autorais reservados: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2026/01/19 – ESPORTE/ FUTEBOL/ por Lucas AlmeidaDo UOL, em São Paulo – 19/01/2026)

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