Eliane de Grammont, foi cantora e compositora de MPB, ex-mulher de Lindomar Castilho, assassinada no palco pelo cantor, conhecido como o “rei do bolero”, foi inaugurada em 1990 na capital paulista a Casa Eliane de Grammont, considerado o primeiro serviço municipal de atendimento integral a mulheres vítimas de violência doméstica no Brasil

0
Powered by Rock Convert

Eliane de Grammont, cantora assassinada no palco por Lindomar Castilho, seu ex-marido

Cantora de MPB tinha 25 anos quando foi morta em São Paulo. Ela deixou uma filha de dois anos

(Foto: Domicio Pinheiro/DOMICIO PINHEIRO)

 

 

Eliane de Grammont (nasceu em São Paulo, em 10 de agosto de 1955 — faleceu em São Paulo, em 30 de março de 1981), foi cantora e compositora de MPB, ex-mulher de Lindomar Castilho, cantor, conhecido como o “rei do bolero”.

Lindomar cometeu o crime que chocou o país e marcou de forma definitiva a trajetória do cantor. Em 30 de março de 1981, ele assassinou sua ex-mulher, a cantora Eliane de Grammont, em São Paulo.

Eliane de Grammont nasceu em 10 de agosto de 1955, filha de uma compositora, Elena de Grammont e irmã da jornalista Helena de Grammont, que atuou como repórter da TV Globo por mais de três décadas, ela iniciou a carreira musical ainda jovem.

Ela tinha 11 irmãos, a maioria deles sendo jornalista ou radialista. Uma de suas irmãs, Helena, trabalhou na TV Globo por décadas e morreu em 2023. Outro chamado Júlio foi assessor de imprensa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha presidencial de 1998 – mesmo ano em que morreu num acidente de carro.

Buscou seu caminho como cantora, mas não conseguiu ampla repercussão ou sucesso. Há uma citação ao seu nome no jornal Cidade de Santos em 28 de agosto de 1976, por exemplo, que indica sua aparição no programa Show – A Volta de Viva a Música. Na ocasião, ela lançava “sua primeira gravação: Amélia de Você”, provavelmente a canção que ficou popular na voz de Ângela Maria.

Em 1979, após cerca de dois anos de relacionamento, Eliane se casou com Lindomar Castilho. Da união nasceu uma filha, Lili de Grammont. Relatos da época apontam que o casamento foi marcado por episódios de violência, o que levou a cantora a se afastar da música. Após aproximadamente um ano de relação, ela decidiu pedir o divórcio.

Separada, a cantora retomou a carreira artística e passou a se apresentar ao lado de Carlos Randall, que tocava violão, com shows na boate Belle Époque, na capital paulista. Eliane tinha 25 anos quando foi assassinada por Lindomar Castilho e deixou a filha com apenas dois anos de idade.

À ocasião de sua morte, diversos jornais destacavam que Eliane de Grammont lançou um disco pela gravadora RCA (local onde conheceu Lindomar Castilho), mas pouco se falou sobre a obra. Tratava-se de um compacto lançado em 1977 com duas músicas: Espere Um Pouco Mais Coisas Bobas.

Relatos da família indicavam que a cantora teria sido obrigada a parar de se apresentar por Lindomar Castilho. Sua carreira acabou sendo interrompida durante o período em que estiveram juntos. Ela tentava retomar o caminho da música, e morreu justamente enquanto cantava na boate Bélle Époque, em São Paulo. Ela foi atingida por tiros disparados por seu ex-marido, Lindomar Castilho, cantor de renome.

Segundo o irmão de Eliane, Júlio de Grammont, à época do crime o casal já estava separado há cerca de um ano e dois meses. Porém, a homologação do desquite havia sido oficializada na semana anterior à do crime. A guarda de Liliane, única filha da cantora, então com 14 meses, ficou com uma das irmãs da vítima.

Sua morte foi considerada um marco para a popularização de ideias feministas no Brasil no início dos anos 1980. No túmulo em que foi enterrada, constava ao lado de seu nome a inscrição: “O amor não fere, o amor não silencia, o amor não mata!”.

Ela foi homenageada em uma via próxima ao Memorial da América Latina, na região da Barra Funda, em São Paulo. O local recebeu o nome de Rua Eliane Aparecida de Grammont em dezembro de 1981.

Em 9 de março de 1990, foi inaugurada na capital a Casa Eliane de Grammont, considerado o primeiro serviço municipal de atendimento integral a mulheres vítimas de violência doméstica no Brasil.

Durante o julgamento, Lindomar Castilho utilizou a tese de “legítima defesa da honra”. Passou cerca de 27 dias na Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo, antes de ter recebido seu alvará de soltura com base na Lei Fleury. Em 1984, foi julgado e condenado a 12 anos e dois meses de prisão. Cumpriu cerca de sete anos no regime fechado, e o restante da pena no semiaberto.

“Lindomar foi condenado no mais rumoroso julgamento popular realizado em São Paulo, durante o qual grupos de feministas e de machões se defrontaram diante do tribunal, com cartazes de protesto, gritos de slogans, xingamentos e também batalhas de ovos e sacos plásticos cheios de água. Quase uma guerra campal, evitada em cima da hora pela polícia”, consta em revista Manchete publicada à época.

Como foi o crime em que Lindomar Castilho matou a esposa

Na madrugada de domingo para segunda-feira, 30 de março de 1981, Eliane Aparecida Grammont, então com 25 anos de idade, cantava a música João e Maria, de Chico Buarque, na boate Belle Époque, em São Paulo. Carlos Roberto da Silva tocava violão ao seu lado. Lindomar Castilho entrou no local e disparou diversas vezes em sua direção.

Antes de ser condenado pelo crime, o cantor prestou um depoimento que não condizia com o de outras testemunhas e nem com suas ações anteriores. Segundo Lindomar, o crime não teria sido premeditado. “Eu fui falar com o rapaz para propor que eles ficassem com o apartamento e me deixassem criar minha filhinha. Ele voou em cima de mim e me agrediu. Aí, porque ele sacou uma arma ou qualquer outra coisa que eu não pude ver direito, tirei também a minha e atirei. A partir daí, não vi mais nada. Só fiquei sabendo da morte da Eliane aqui na delegacia”, afirmou, em seu depoimento, segundo o jornal O Globo.

Quanto ao fato de estar armado, justificava: “Trabalho à noite e viajo muito. Portanto, tinha a arma para defesa pessoal, com registro legal. Além do mais, vinha sendo ameaçado pelo Carlos Roberto, que me seguiu diversas vezes em um Volks azul”. A versão não convenceu os investigadores: apesar de alegar utilizá-la em suas viagens, o cantor tinha comprado sua arma, na terça-feira daquela mesma semana, ou seja, seis dias antes do crime. Além da Taurus calibre 38, também adquiriu uma caixa com 50 balas no mesmo dia. Nove delas estavam em sua bolsa, e outras 16 foram encontradas numa gaveta de seu apartamento.

“Um homem que compra uma arma recentemente e entra na boate da maneira que ele entrou não parece estar bem intencionado”, adiantava o delegado Geraldo Branco de Camargo, do 4º DP de São Paulo, à imprensa. William Schmidt, dono da boate Belle Époque, relatou em depoimento que Lindomar Castilho “entrou de arma em punho, disparando vários tiros” em direção ao palco. Carlos Roberto, então, teria partido em direção a ele, iniciando uma briga. Carlos e William conseguiram imobilizar Castilho, amarrando seus pés e suas mãos com cordas de náilon.

João Miguel Marques de Medeiros, um cantor que havia se apresentado pouco antes, também foi testemunha. Ele estaria à porta do local quando viu Lindomar chegar e, em seguida, efetuar diversos tiros. Foi João Miguel quem socorreu Eliane Grammont e Carlos Roberto rumo ao pronto-socorro de um hospital.

Consta que uma outra arma, um revólver Rossi, calibre 32, foi encontrada pela polícia no chão da boate. De acordo com o delegado, ele não pertenceria a Carlos Roberto, nem Lindomar Castilho: “Alguém que estava na boate pode ter se aproveitado da confusão para desfazer-se dela”.

(Direitos autorais reservados: https://www.terra.com.br/diversao/musica – Estado conteúdo/DIVERSÃO/ MÚSICA/ ENTRETÊ – 21 dez 2025)

(Direitos autorais reservados: https://www.estadao.com.br/cultura/musica – Estado conteúdo/ CULTURA/ MÚSICA/ Por Redação – 21/12/2025)

Copyright © 1995 – 2025 Grupo Estado

Powered by Rock Convert
Share.