Mestre Dezinho (nascido José Alves de Oliveira), considerado o precursor da arte santeira no Piauí.

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Mestre Dezinho

Mestre Dezinho (nascido José Alves de Oliveira, em Valença, no Piauí), considerado o precursor da arte santeira no Estado do Piauí.

José Alves de Oliveira (Valença, no Piauí, 2 de março de 1916 –- Valença, 20 de fevereiro de 2000), conhecido como Mestre Dezinho é considerado o precursor da arte santeira no Estado do Piauí. Ele nasceu no dia 2 de março de 1916, em Valença, no Piauí.

Desde pequeno fazia miniaturas em madeira servindo-se de faquinhas e canivetes, que se conservaram ainda, até o final de seus dias, como suas ferramentas de trabalho.

Dezinho viveu grande parte de sua vida como mestre carpinteiro fazendo portas, balcões, tetos e vez por outra, um santuário. Há mais de 38 anos, já casado e com seis filhos, mudou-se para Teresina, onde começou a trabalhar como vigia noturno da pracinha do bairro Vermelha e, nas horas de folga, como carpinteiro na Igreja da Vermelha, que estava em construção.

Ao término das obras da Igreja em 1966, o Padre Carvalho, que gostava dos ex-votos que vira Dezinho fazer, chamou-o para esculpir um Cristo. A sua obra foi de tal forma apreciada que lhe encomendaram logo todas as outras peças da Igreja, sendo atualmente um dos locais mais visitados por turistas, em Teresina.

AS SEREIAS DO MERCADO – Foi do pai, carpinteiro, que Mestre Dezinho herdou o gosto e a habilidade. Com quinze anos, era marceneiro e entalhava em madeira alguns detalhes e ornamentos para móveis, copiados de um manual. Devia ter uns 20 anos quando recebeu a encomenda de seu primeiro ex-voto – gênero de trabalho ao qual acabou se dedicando integralmente.

Até os 45 anos, ele vivia em Valença, e fabricava ex-votos pelos quais, muitas vezes, só cobrava o preço da madeira. Já no início de abril de 1979, na Galeria Ranulfo, em São Paulo, viu mais de trinta de suas esculturas serem vendidas por preços valorizadíssimos. Claro que tudo isso não foi obra do acaso. Apoiado sobre o trabalho imponente e inevitavelmente decorativo de Dezinho, sobre a crescente valorização da cultura popular, e sobre a preocupação de algumas áreas com o que possa ser brasilidade, o marchand pernambucano Ranulfo soube trazer o honesto Dezinho às alturas.

A vida começou a mudar em 1961, quando Dezinho transferiu-se para Teresina. Conseguiu o emprego de vigia da praça pública do Bairro Vermelho e nas horas vagas foi ajudar na construção da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes. Um dia, o padre Carvalho viu-o esculpindo um ex-voto e encomendou-lhe um Cristo. Seguiram-se diversas outras peças, que consumiram três anos de escultura. Hoje, decoram toda a igreja e serviram de motivo a uma querela recente. Chamado a colaborar, outro decorador mutilou grotescamente as obras de Dezinho, e só o protesto de artistas ilustres conseguiu, finalmente, uma autorização para que o escultor restaure suas peças.

Foi o conjunto delas que acabou atraindo a atenção dos observadores eruditos. No começo dos anos 70, o governo do Piauí começou a promover Dezinho, levando obras suas ao exterior. Em 1976, Dezinho teve uma sala na Bienal – onde suas esculturas ficaram expostas até depois da inauguração. Em 1976, finalmente, o marchand Ranulfo completou o ciclo, passando a comprar a vista, com exclusividade, toda a sua produção.

É difícil classificar a arte de Mestre Dezinho, que nem se enquadra no campo erudito, nem permanece exatamente (pelo tipo de função e consumo que adquiriu) no terreno da arte popular. Por suas origens, pelo caráter meio acidental de sua chegada à criação, e por sua relação atual com ela, Dezinho seria ainda ingênuo – um artista que deseja reproduzir com fidelidade o mundo exterior, mas não está tecnicamente aparelhado para isso.

Mas essa aparente limitação não resulta, na obra de Dezinho, em pobreza. Digna da maior atenção é, por exemplo, a copiosa, brilhante e nunca repetida decoração com que ele ornamenta as vestes de suas imagens, criando padrões geométricos, frisos, formas abstratas e até imprevistos florões.

Dezinho continuou suas obras, expondo em coletivas e individuais, sendo escolhido pela crítica especializada, como autêntico escultor brasileiro, representando o Piauí, sempre que se faz necessário.
(Fonte: http://www.samauma.biz)

Em 1916, nasce José Alves de Oliveira em Valença, cidade do interior do estado do Piauí. Casado, teve seis filhos. Marceneiro de formação, inicia seu trabalho na escultura, em Teresina, capital do estado, entalhando ex-votos pelos quais nada cobrava. Nessa cidade, desempenhou diferentes atividades, tendo sido vigia de praça pública, contratado pela prefeitura. Posteriormente, instalou nessa mesma praça uma barraca de comida. A pedido do vigário local, que conhecia seu trabalho com as “promessas” (ex-voto), especializou-se como santeiro, começando por esculpir imagens sacras para a igreja da Vermelha, em substituição às imagens de gesso. Suas peças são talhadas em cedro, obedecendo muitas vezes o tamanho natural. Na decoração das saias de santos e anjos está presente a temática regionalista, com cajus, folhagens e flores típicas da região.
(Fonte: http://www.popular.art.br – ARTISTA – CASA DO PONTAL 2002)
(Fonte: Veja, 11 de abril de 1979 –- Edição 553 –- ARTE/ Por Olívio Tavares de Araújo -– Pág; 55)

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