Maria Lúcia Godoy, grande cantora lírica que voou alto pelo mundo com um ‘pássaro’ na garganta
Artista ficou conhecida por interpretar composições de Heitor Villa-Lobos e ser ‘embaixadora’ da cultura brasileira

A cantora lírica mineira Maria Lúcia Godoy — Foto: Arquivo
Foi a principal intérprete de Villa-Lobos
Cantora lírica mineira foi do repertório erudito às serestas, exaltada por nomes como Bidu Sayão e Juscelino Kubitschek
Maria Lúcia Godoy em imagem de 1956 — (Foto: Reprodução / Internet)
Maria Lúcia Godoy (nasceu em 2 de setembro de 1924 em Mesquita, no Vale do Rio Doce — faleceu em 15 de maio de 2025, em Mesquita, Minas Gerais), célebre cantora lírica, foi considerada uma das principais intérpretes de Heitor Villa-Lobos, que gravou dezenas de discos, registrando desde a música erudita até modinhas imperiais, serestas e outros clássicos do cancioneiro nacional — mineiro, sobretudo.
Especialista em interpretar composições do maestro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), ela ficou conhecida pela música “Bachianas Brasileiras nº 5”.
A artista tinha relação com importantes nomes da política e da cultura brasileira — sendo a inspiração da música “Sabiá”, composta por Tom Jobim e escrita por Chico Buarque. Além disso, cantou no velório do cineasta Glauber Rocha e apresentou-se na inauguração de Brasília, em razão da proximidade com o ex-presidente Juscelino Kubitscheck.
Considerada uma das maiores cantoras líricas do país, a soprano Maria Lúcia Godoy recebeu epítetos e elogios de grandes nomes de vários campos da cultura — a colega e cantora lírica Bidu Sayão à considerava sua “única sucessora”.
Após vencer vários concursos, estudar no Rio de Janeiro e na Alemanha, em 1956, foi fundadora e solista principal do coro Madrigal Renascentista, com Carlos Alberto Pinto Fonseca, Carlos Eduardo Prates e com o maestro Isaac Karabtchevsky, com quem foi casada por um ano. Maria Lúcia ainda gravou nomes como Hekel Tavares, Edino Krieger, Carlos Gomes, Waldemar Henrique e Guerra—Peixe.
Nascida em 2 de setembro de 2024 na cidade mineira de Mesquita, no Vale do Rio Doce, Maria Lúcia Godoy era graduada em Línguas Neolatinas, na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFMG, em 1943. Em 2026, ela recebeu o título de Doutor Honoris Causa na mesma instituição.
O poeta Ferreira Gullar (1930 – 2016) certa vez comparou a voz de Maria Lúcia Godoy a “um pássaro voando”. Outro poeta, Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987), sentenciou que essa voz era “ouro que não se destrói”.
As percepções e definições dos poetas dão a dimensão do legado de Maria Lúcia Godoy, uma das maiores cantoras líricas do Brasil em todos os tempos.
Com voz de soprano que encantou artistas e políticos como Juscelino Kubitscheck (1902 — 1976), o conterrâneo JK, a artista mineira voou alto pelo mundo ao longo dos 100 anos de vida encerrada na noite de ontem, em Belo Horizonte (MG).

A cantora lírica Maria Lúcia Godoy — Foto: Arquivo
Considerada a principal intérprete da obra do compositor carioca Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959), na avaliação da antecessora Bidu Sayão (1902 – 1999), Maria Lúcia Godoy começou a alçar voo como solista principal do grupo coral Madrigal Renascentista, fundado em 1956. Com o Madrigal, a cantora percorreu o mundo.
A obra fonográfica de Maria Lúcia Godoy é composta por 20 álbuns, sendo que o último, Acalantos, foi lançado em 2012, dois antes da última apresentação da artista em 2014 no mesmo Palácio das Artes que hoje abre as portas mais cedo para velar a cantora.
A trajetória da cantora transcendeu o universo da música erudita. Godoy cantou óperas e ofereceu interpretação referencial das Bachianas brasileiras nº 5 (Heitor Villa-Lobos, 1938), mas também deu voz a compositores populares do Norte do Brasil no álbum O canto da Amazônia, editado em 1969.
Dez anos depois, em 1979, incursionou pela MPB e apresentou registros das canções Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967) e Sabiá (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968) no álbum Maria Lúcia Godoy e a canção popular brasileira e napolitana.
Os poetas tinham razão. O registro de soprano dessa cantora que tinha um pássaro na garganta foi mesmo ouro indestrutível, do mais alto quilate.
Em sua carreira, a cantora gravou 16 discos, se apresentou em turnês pela Europa, Oriente Médio, Japão, Estados Unidos e América Latina e foi solista nas principais orquestras internacionais e brasileiras — como a Philadelphia Orchestra e a Orquestra Sinfônica Brasileira.
Maria Lúcia Godoy morreu na noite da quinta-feira (15), em casa, no Bairro Santo Antônio, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde recebia cuidados médicos.
(Créditos autorais reservados: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2025/05/16 — Globo/ Últimas Notícias/ POP & ARTE/ MÚSICA/ Por Mauro Ferreira — 16/05/2025)
Jornalista carioca que escreve sobre música desde 1987, com passagens em ‘O Globo’ e ‘Bizz’.
(Créditos autorais reservados: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2025/05 — FOLHA DE S.PAULO/ ILUSTRADA/ por Henrique Artuni — Folhapress — 16.mai.2025)
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