MARIO DEL MONACO, tenor teve uma das carreiras operísticas mais bem-sucedidas do período pós-Segunda Guerra Mundial.
Mario Del Monaco (nasceu em 27 de julho de 1915, em Florença — faleceu em 16 de outubro de 1982 em Mestre), um dos mais talentosos tenores italianos. Era considerado o mais completo intérprete de Giuseppe Verdi, cuja opera Otelo cantou 450 vezes em todo o mundo, a partir de 1950.
O Sr. del Monaco, tenor dramático italiano e cantor de destaque do Metropolitan Opera durante a década de 1950, foi um dos cantores mais gravados das décadas de 1950 e 60, dividindo sua agitada carreira operística entre a Europa e os Estados Unidos durante esses anos. Sir Rudolf Bing, então diretor do Metropolitan Opera, assistiu à estreia do Sr. del Monaco como Radamés em “Aida”, de Verdi, na Ópera de São Francisco em 1950 e convidou o tenor para uma apresentação especial em Nova York, no Met, na ópera “Manon Lescaut”, de Puccini, em seu retorno à Europa.
O talento vocal do Sr. del Monaco causou uma nítida impressão e lhe rendeu uma longa e próspera relação com o Met a partir do ano seguinte. Na companhia de Nova York, de 1951 a 1959, ele cantou 102 vezes, em 16 papéis. Participou da turnê do Met 38 vezes.
Última apresentação no Met
Sua última apresentação no Met foi como Canio em “I Pagliacci”, de Leoncavallo, em 1959. Mas ele retornou três anos depois ao Carnegie Hall em um concerto de árias e duetos com Gabriella Tucci (1929 — 2020). “Ele cantou, em sua maior parte, num estilo quase estrondoso”, escreveu Ross Parmenter, do The New York Times, naquela ocasião, “mas, em cada trecho, as notas enormes e prolongadas eram obviamente o que o público queria.”
De fato, quando o Sr. del Monaco era amado, era pela qualidade brilhante e imponente de sua voz, e não pela sutileza de sua fraseologia ou habilidade de atuação. Sobre a estreia do Sr. del Monaco no Met como Des Grieux, Howard Taubman, do The Times, escreveu: “Ele não hesita em empregar os truques consagrados da profissão. Ele consegue soluçar com os tenores mais lacrimosos e deixar o tom mais agudo ressoar até que haja um eco de bravos dos aficionados.”
E em uma profissão frequentemente povoada por tenores acima do peso, o Sr. Del Monaco oferecia um perfil clássico e uma beleza morena que o tornavam uma presença atraente no palco.
Abordagem Entusiasmada
Rise Stevens, a mezzo-soprano americana que cantou com o Sr. del Monaco durante seus anos no Metropolitan, lembra-se da “intensidade de suas interpretações”. “Eu costumava ter que pedir a ele para não levar tudo tão a sério”, recordou. “Uma vez, no último ato de ‘Carmen’, ele me jogou no chão com tanta força que torceu meu pulso e quase o quebrou. Mas eu o amava muito — e a cor daquela voz e o volume tremendo.”
Del Monaco também gozava de ampla reputação como artista musical, principalmente pela London Records. Um funcionário em Londres o descreveu como “nosso principal tenor antes de Luciano Pavarotti aparecer”. Seu repertório gravado incluía “Tosca”, “Pagliacci”, “Cavalleria Rusticana”, “La Gioconda”, “Andrea Chenier”, “Il Trovatore”, “La Fanciulla del West”, “Mefistofele”, “Turandot”, “Manon”, “Lescaut,” “Otello”, “Norma”, “Fedora”, “Carmen” e “La Wally”. De acordo com a London Records, suas gravações de ópera com a soprano Renata Tebaldi foram best-sellers.
Mario del Monaco nasceu em Florença em 1915 e cresceu na cidade vizinha de Pesaro, onde seu pai trabalhava para o governo municipal. Seus pais tinham inclinação musical e o incentivaram a cantar. Embora tenha tido algumas aulas, ele foi em grande parte autodidata.
O Sr. del Monaco fez sua estreia profissional em “Madama Butterfly”, de Puccini, em Milão, em 1941. Passou os anos da guerra no Exército Italiano. Após a guerra, a carreira do Sr. del Monaco floresceu e se expandiu para o Teatro alla Scala de Milão e o Covent Garden de Londres, bem como para casas de ópera em Roma, Nápoles, Barcelona, Lisboa e Estocolmo.
Em 1946, cantou em Buenos Aires e no Rio de Janeiro, mudou-se para o norte, para a Cidade do México, e depois para São Francisco, para sua estreia nos Estados Unidos.
A relação do Sr. del Monaco com o Metropolitan Opera terminou em 1959, supostamente por mútuo acordo, mas ele continuou gravando até o final da década de 1960.
Em 1973, ele participou de um encontro de tenores proeminentes em Nápoles para homenagear o centenário de Caruso, e a imprensa noticiou seu “glamour pessoal e dinamismo ainda emocionante”.
O Sr. del Monaco aposentou-se em sua vila perto de Veneza no final de 1973 e dedicou-se ao ensino. O Sr. del Monaco e sua esposa, Rina Fedora, uma ex-cantora, tiveram dois filhos. Um deles, Giancarlo, é hoje diretor de palco no mundo da ópera europeia.
Mario Del Monaco morreu dia 16 de outubro de 1982, aos 67 anos, de ataque cardíaco, em Veneza.
(Créditos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1982/10/19/archives — New York Times/ Arquivos/ Arquivos do The New York Times/ Por Bernard Holland – 19 de outubro de 1982)
Uma versão deste artigo foi publicada na edição impressa de 19 de outubro de 1982 , Seção B , Página 7 da edição nacional, com o título: MARIO DEL MONACO, TENOR.
(Fonte: Revista Veja, 27 de outubro de 1982 – Edição 738 – DATAS – Pág; 131)
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