Duarte: memórias inacabadas
Paulo Duarte (São Paulo, 17 de novembro de 1899 – São Paulo, 23 de março de 1984), jornalista, político, antropólogo e escritor, que foi um dos fundadores da Universidade de São Paulo. Intelectual refinado e empreendedor, Duarte criou o Instituto de Pré-História da USP nos mesmos moldes do renomado Museu do Homem, de Paris, dirigido pelo etnólogo Paul Rivet, seu amigo. Nasceu em São Paulo, no Bom Retiro, no dia 16 de novembro de 1899. Terminado o curso secundário, frequentou por três anos o de medicina, mas acabou ingressando na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, tornando-se advogado.
Em 1927, passou a fazer parte da redação de O Estado de São Paulo, ligando-se filialmente a Júlio Mesquita, ocasião em que publicou seus primeiros livros Sob as Arcadas e Agora. Paulo Duarte participou das articulações político-militares que resultaram na Revolução Constitucionalista de 1932. Integrou inicialmente o Estado Maior do general Klinger, mas, logo, preferiu ir para a linha de frente, onde comandou o histórico trem blindado e foi ferido em combate. Consumada a derrota, tentou escapar com o coronel E. Figueiredo, sendo capturado em Santa Catarina.
A revista Anhembi fundada por ele em 1950 foi, até fechar em 1964, a mais significativa publicação cultural naquele período. Em 1965, denunciou a ingerência da USAID, a agência americana de cooperação cultural, nos assuntos da universidade, classificando de “rinocerontes” os professores coniventes com ela. Isso valeu-lhe um processo com base no AI-5 que culminou com sua aposentadoria compulsória.
Paulo Duarte entrou para o jornal O Estado de S. Paulo em 1919 e desligou-se da redação na década de 50, incompatibilizado com a direção do diário. Deixou publicados sete dos dezesseis volumes previstos de suas Memórias, onde exibe alguns dos mais de 100 000 documentos de sua coleção, entre eles uma carta ao marechal Eurico Dutra em que alerta o militar para as simpatias de Getúlio Vargas pelo regime nazista. Paulo Duarte morreu no dia 23 de março de 1984, aos 83 anos, de insuficiência cardíaca, em São Paulo.
(Fonte: Veja, 28 de março de 1984 - Edição 812 - Datas - Pág; 99)
(Fonte: Veja, 15 de janeiro de 1975 - Edição 332 - LITERATURA/ Por Almyr Gajardoni - Pág; 68)

