ZaSu Pitts, atriz de cinema, e comediante, seu primeiro papel no cinema, foi com Mary Pickford em “The Little American”, seu melhor papel como comediante tenha sido em “Ruggles of Red Gap”, como a empregada doméstica ocidental que se casou com o mordomo britânico perfeito, Charles Laughton

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ZaSu Pitts, atriz; filmes falados a transformaram em comédia;

Fala arrastada e trêmula a impediu de atuar em drama — papel mudo em ‘Greed’ foi aclamado

Voz provocou risos ‘Não é sexy o suficiente’

‘Centenas’ de papéis imitam a infância

 

 

ZaSu Pitts (nasceu em 3 de janeiro de 1894, em Parsons, Kansas – faleceu em 7 de junho de 1963, em Los Angeles, Califórnia), atriz de cinema, e comediante.

Risada evocada pela voz

ZaSu Pitts era uma mulher delicada, com aparência de junco, olhos melancólicos, boca caída, mãos trêmulas e um sotaque arrastado e choroso. Desde o início do cinema falado, a primeira sílaba que ela pronunciava na tela era um sinal para o riso do público. Mais do que qualquer outra de suas características, a voz estabeleceu sua identidade e a transformou em uma das comediantes mais célebres do cinema. Foi também sua voz que arruinou sua carreira como atriz séria – uma carreira tão promissora que Eric Von Stroheim certa vez a chamou de “a maior trágica do cinema”.

Em 1925, quando a Srta. Pitts ainda era uma ingênua em dificuldades em Hollywood, o temperamental diretor nascido na Alemanha a escalou para o papel da neurótica e avarenta Trina em sua adaptação do romance determinista “McTeague”, de Frank Norris (1870 — 1902). O filme que surgiu, “Greed”, originalmente durou oito horas sombrias, mas foi reduzido pela Metro-Goldwyn-Mayer para duas. O Sr. Von Stroheim rejeitou a versão mutilada, mas os críticos de cinema e historiadores concordaram há muito tempo que “Ganância” foi um dos melhores filmes já feitos, e que a atuação da Srta. ZaSu Pitts nele foi uma conquista extraordinária.

“Não é sexy o suficiente”

Mais tarde, a atriz gostou de lembrar que o estúdio havia reclamado de sua escalação, considerando-a “não sexy o suficiente para o papel”.

É verdade que nem “Greed” nem Miss Pitts alcançaram popularidade de bilheteria durante a era do cinema mudo, mas o diretor, destemido, a escalou para o papel da patética princesa manca em “A Marcha Nupcial”. Mais uma vez, sua atuação foi aclamada pela crítica. Quando o som revolucionou a indústria, Miss Pitts, como muitos outros atores do cinema, pensou que sua carreira estava chegando ao fim. Seu último papel no cinema mudo havia sido com Emil Jannings, em um drama sombrio chamado “Os Pecados do Pai”, mas sua voz aguda e estridente tornava papéis com falas semelhantes impensáveis.

Sua amiga Ruth Chatterton (1892 – 1961) a recomendou para um papel coadjuvante cômico em “The Dummy”, e ZaSu se viu em uma nova carreira. Como comediante, ela logo se tornou mais popular do que nunca. O público gargalhava com suas palhaçadas em farsas pastelão com Thelma Todd (1906 – 1935). Gostavam de suas participações com Jeanette MacDonald em “Monte Carlo”, de Ernst Lubitsch, e com os Lunts em sua única aparição no cinema, “The Guardsman”. Em 1929 e 1930, seus dois primeiros anos como atriz “falante”, ela fez 21 filmes. Mas quando a Srta. Pitts tentou retornar ao drama sério, como a mãe enlutada de Lew Ayres em “Nada de Novo no Front”, sofreu uma amarga decepção. Na pré-estreia do filme, o público não conseguiu conciliar sua imagem cômica com seu papel e riu de sua cena de morte. Os produtores refilmaram suas cenas com outra atriz, e a Srta. Pitts foi rotulada como uma comediante eufórica pelo resto da vida.

‘Centenas’ de papéis

A Srta. Pitts atuou em mais papéis no cinema do que conseguia se lembrar. Em 1939, ela estimou o número “na casa das centenas”. Seu primeiro papel, em 1917, foi com Mary Pickford em “The Little American”. Seu último, como telefonista em “It’s a Mad, Mad, Mad, Mad World”, ainda não foi lançado. Talvez seu melhor papel como comediante tenha sido em “Ruggles of Red Gap”, como a empregada doméstica ocidental que se casou com o mordomo britânico perfeito, Charles Laughton. A Srta. Pitts estreou na Broadway, após várias tentativas frustradas fora da cidade, em 1944, em “Ramshackle Inn”. Os críticos acharam que a peça merecia o adjetivo, mas a Srta. Pitts recebeu as críticas positivas de sempre. Em 1953, ela estrelou uma breve remontagem de “The Bat”. Ela também fez muitas aparições na televisão na década de 1950, principalmente em “The Gale Storm Show”.

Imitação quando criança

ZaSu Pitts nasceu em Parsons, Kansas, em 3 de janeiro de 1900, e mudou-se com a família para Santa Cruz, Califórnia, ainda criança. Frequentou as escolas públicas de Santa Cruz e, pouco depois, munida de um dom de mímica que atraiu a atenção dos amigos da família, foi para Hollywood em busca de emprego. A Srta. Pitts recebeu seu primeiro nome incomum, ZaSu, de uma forma incomum, e gostava de contar a história. Sua mãe tinha duas irmãs, Susan e Eliza, por quem era extremamente afetuosa. Quando chegou a hora de batizar o bebê, a Sra. Pitts não conseguia decidir em homenagem a qual tia daria o nome à criança, então decidiu adotar a primeira sílaba de um nome e a última sílaba do outro. A atriz sempre escrevia seu nome como ZaSu, mas quando teve uma filha, a chamou simplesmente de Ann. A comediante, no ano passado

A Srta. Pitts morreu de câncer na manhã de 7 de junho de 1963, no Hospital Good Samaritan, onde foi internada. Ela tinha 63 anos.

A comediante era esposa de John E. Woodall. Ela morava com o marido, um corretor de imóveis, em Pasadena. Um casamento anterior, com Thomas S. Gallery, terminou em divórcio. A filha do casal, Ann, nasceu em 1923. No mesmo ano, eles adotaram um menino, Don Mike, filho da falecida atriz Barbara La Marr.

(Créditos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1963/06/08/archives – Arquivos do New York Times/ Especial para o The New York Times – HOLLYWOOD, 7 de junho — 8 de junho de 1963)

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