W. LITTLEFIELD, AUTOR E EDITOR; Funcionário aposentado do Times, especialista no caso Dreyfus
Walter Littlefield (nasceu em 17 de março de 1867, em Boston — faleceu em 25 de março de 1948, em New Canaan, Connecticut), foi autor, jornalista e editor de assuntos internacionais emérito do The New York Times, reconhecido como uma autoridade no caso Dreyfus.
Estudioso de história e política europeias, o Sr. Littlefield era conhecido por seus colegas como “O Conde” devido à sua postura e aparência diplomática e à sua familiaridade com culturas estrangeiras.
Em relação ao caso Dreyfus, ele foi creditado como o primeiro a estabelecer a identidade do Tenente-Coronel du Paty de Clam como autor do artigo publicado no L’Eclair em 14 de setembro de 1896, que narrava as circunstâncias da prisão de Dreyfus e revelava o uso de provas secretas em seu primeiro julgamento.
Os artigos do Sr. Littlefield ocuparam mais de duas páginas no THE TIMES na edição de 1935, após a morte de Dreyfus.
Descoberta sobre “Mona Lisa”
Outras façanhas do Sr. Littlefield incluíram o fornecimento de provas no julgamento da Camorra em Viterbo, Itália, demonstrando a ligação entre a Camorra de Nápoles e a Mano Nera de Nova Iorque, e a apresentação de provas ao Ministério das Belas Artes francês de que a “Mona Lisa” de Leonardo da Vinci não foi roubada do Louvre em agosto de 1911, mas sim escondida por um restaurador oficial por ter sido danificada.
Nascido em Boston em 17 de março de 1867, filho de Joshua e Elizabeth Mitchell Littlefield, estudou em Harvard de 1888 a 1893, recebendo o título de bacharel em 1920 (concluído em 1892). De 1890 a 1892, lecionou francês e história antiga no Chauncy Hall, em Boston.
O Sr. Littlefield tornou-se editor associado do The Norwich (Conn.) Bulletin em 1888. Trabalhou no antigo New York World e no New York Tribune de 1894 a 1897, quando se juntou à equipe de notícias do THE TIMES. Nos primeiros tempos de sua associação com este jornal, quando as altas tarifas resultavam em despachos telegráficos curtos, ele dedicou grande parte de seu esforço a escrever, com base em seu conhecimento especializado de assuntos europeus, informações de contexto e explicações para complementar os relatórios telegráficos estrangeiros.
Durante muitos anos, escreveu artigos para o THE TIMES sobre diplomacia e política europeias, compreendendo o contexto da Primeira Guerra Mundial e acompanhando a ascensão de novas potências que culminaram no Segundo conflito.
Atento aos desenvolvimentos europeus na literatura, no teatro e nas artes, escreveu diversos artigos dominicais para o THE TIMES sobre esse tema e também contribuiu com resenhas de peças italianas apresentadas na Europa.
Foi, por muitos anos, colaborador assíduo da seção de resenhas de livros do THE NEW YORK TIMES. Detinha o título honorário de editor emérito de assuntos internacionais do THE TIMES desde 1932.
Serviu jornais parisienses
O Sr. Littlefield havia atuado como correspondente americano do jornal Le Siècle, de Paris, e contribuído para o L’Evenement, também de Paris. Foi correspondente literário do The Chicago Record-Herald de 1903 a 1913.
Era membro da Sociedade Dantesca de Florença, da Liga dos Direitos Humanos de Paris, da Academia de Ciências e Letras de Gênova, da Liga Dante da América e da Sociedade Amigos da Romênia.
Foi nomeado oficial da Ordem da Coroa da Itália em 1922 e comendador em 1932, comendador da Ordem de Danilo I de Montenegro em 1922 e oficial da Ordem da Estrela da Romênia em 1928.
O Sr. Littlefield foi editor de “The Power of Sympathy”, 1892; “Letters of an Innocent Man (Dreyfus)”, 1898; “Early Prose Writings of James Russell Lowell”, 1902; “Bismarck’s Letters to His Wife from the Seat of War, 1870-1871”, 1903; “Love Letters of Famous Men and Women”, quatro volumes, com Lionel Strachey (1880 – 1932), 1909-1910, e “With Byron in Love”, 1926; e foi tradutor de “The Kaiser as He Is (Le Veritable Guillaume II)”, de Henri de Noussanne ( —, 1905.
Ele também foi autor de “A Verdade Sobre Dreyfus”, “Os Homens do Silêncio”, com Luigi Forgione, 1927; “Um Decameron Parisiense”, 1929, e “Quando a França Enlouqueceu — a História do Caso Dreyfus”, 1936.
Ele se aposentou em novembro de 1942, após ter trabalhado no jornal The Times desde 1897.
Walter Littlefield faleceu em 25 de março de 1948 em sua casa, The Rafters, aos 81 anos.
Sua esposa, Luigina Amalia Pagana, faleceu em 1945. Ele deixa dois filhos, Walter Joseph, de Wilson Point, Connecticut, e Henry Mario, da Filadélfia; quatro netos e um bisneto.
O funeral foi realizado em New Canaan no sábado, às 15h, na funerária Franklin Hoyt. O sepultamento foi em Cambridge, Massachusetts.
(Direitos autorais reservados: https://www.nytimes.com/1948/03/26/archives – New York Times/ Arquivos/ Arquivos do The New York Times/ Exclusivo para o THE NEW YORK TIMES – NEW CANAAN, Connecticut, 25 de março – 26 de março de 1948)

