Um dos primeiros cientistas a produzir penicilina no Brasil

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Professor ‘lançou’ penicilina no Brasil e publica livro

Milton Thiago de Mello publicou 224 textos, entre artigos e livros científicos.

Pesquisador é formado em medicina veterinária e passou 20 anos na UnB.

Pesquisador Milton Thiago de Mello em frente a uma parede com memórias de sua carreira (Foto: Alexandre Bastos/G1)

Pesquisador Milton Thiago de Mello em frente a uma parede com memórias de sua carreira (Foto: Alexandre Bastos/G1)

O pesquisador e ex-professor da Universidade de Brasília Milton Thiago de Mello, um dos primeiros cientistas a produzir penicilina no Brasil, publicou em 29 de janeiro de 2016 em um congresso internacional de medicina veterinária organizado em comemoração ao seu aniversário de 100 anos completados dia 5 de fevereiro de 2016. A história de vida dele virou livro – “Poste de Cozumel”. Mello se graduou em medicina veterinária em 1937 e ocupou cargos importantes à frente de instituições científicas e culturais. Ele foi presidente da Academia Brasileira de Medicina Veterinária, vice-presidente da Sociedade Latino-americana de Bem Estar Animal, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Foi na Fiocruz que Mello realizou o que seriam os primeiros experimentos com penicilina fora da Inglaterra, país onde o antibiótico foi descoberto. “Quando o [Alexander] Fleming descobriu, por acaso, a vacina em Londres, eu trabalhava no Oswaldo Cruz.

 

Um tempo depois, nós desenvolvemos a penicilina no porão do instituto.” Segundo o professor, ele e outros dois cientistas usaram a vacina para curar um paciente que sofria de sífilis. À UnB, Mello dedicou 20 anos da sua vida, onde foi professor de microbiologia,  decano e fundador do centro de primatologia da instituição. O pesquisador estudou macacos e publicou mais de 150 artigos sobre doenças animais como a brucelose, que afeta bovinos, caprinos, suínos e pode contaminar o ser humano. Mello realizou estudos sobre zoonoses na década de 1960 que tratavam dos riscos da doença afetar o ser humano. O professor é categórico sobre o combate ao Aedes aegypti e ao zika vírus – doença descoberta em 1947 em macacos da floresta Zika, em Uganda. “Só existem duas maneiras de combater o mosquito. Uma delas é o ‘fumacê’, que combate o mosquito adulto. A outra, para combater a larva, é ir de casa em casa tirando água ‘podre’.”

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Mello posa em área verde de casa (Foto: Alexandre Bastos/G1) Mello posa em área verde de casa (Foto: Alexandre Bastos/G1)

Em 2013 o professor recebeu a maior honraria da medicina veterinária no mundo, o prêmio John Gamgee. Segundo o professor, ele foi o quarto brasileiro a conquistar o prêmio. O pesquisador e ex-presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária René Dubois é amigo de Mello e trabalhou com o centenário durante dez anos. “Milton foi considerado um dos maiores microbiologistas das Américas.” Próximos projetos Mello afirma que pretende escrever um livro sobre a China. O professor visitou o país pela primeira vez há 30 anos e afirma que ajudou na cooperação científica entre o Brasil e a nação asiática. “Naquela época fui convidado para uma missão médica e acabei trazendo profissionais para cursos no Brasil.

 

Alguns deles vieram ensinar coisas como a acupuntura por aqui”, afirmou. No livro biográfico “Poste de Cozumel”, Mello conta sete fases da sua vida, divididas em família, Exército, veterinária, ciência, ensino, sociedades e vida internacional. A divisão é inspirada nas sete faixas do “poste-de-fita”, como é chamado no Brasil o poste de Cozumel. Perguntado sobre o segredo da longevidade, Mello diz que existem dois grandes motivos: amigos e hábitos. “O primeiro segredo é manter boas amizades. Sem amigos a gente adoece. O segundo é manter bons hábitos, comer bem, dormir bem, praticar exercícios. Mas desses últimos, eu não pratico nenhum.”

Mello posa em frente à papelada usada em seu escritório, no Lago Norte (Foto: Alexandre Bastos/G1)

Mello posa em frente à papelada usada em seu escritório, no Lago Norte (Foto: Alexandre Bastos/G1)

(Fonte: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2016/02 – DISTRITO FEDERAL – CIÊNCIA – Alexandre Bastos Do G1 DF – 05/02/2016)

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