Tônia Carrero, atriz que conjugou beleza e talento, consagrou-se no teatro, cinema e televisão

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Atriz Tônia Carrero, ícone da TV, dos palcos e do cinema

Uma das atrizes mais consagradas do Brasil, Tônia integrou o elenco de 54 peças, 19 filmes e 15 novelas.

 

 

A atriz Tônia Carrero é vista no set de filmagens do longa “Chega de Saudade”, dirigido por Lais Bodansky e rodado no tradicional salão de baile União Fraterna, no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo (Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo)

 

A mais bela atriz brasileira do século 20, Tônia Carrero fez rara conjugação entre beleza e talento

 

Tônia Carrero (Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1922 – Rio de Janeiro, 3 de março de 2018), atriz carioca que conjugou beleza e talento, foi um dos ícones da televisão brasileira.

Tônia Carrero, cujo nome de nascimento é Maria Antonietta Portocarrero Thedim, é a matriarca de uma família que tem quatro gerações de artistas: além do único filho, o ator Cécil Thiré, netos e bisnetos também seguiram a carreira. Ela é classificada pelo projeto Brasil Memória das Artes, da Funarte, como “diva e dama” e “referência de beleza, inteligência e talento na história do teatro brasileiro”.

A atriz, uma diva da TV, cinema e teatro brasileiro,

 

54 peças, 19 filmes e 15 novelas

 

Uma das atrizes mais consagradas do Brasil, Tônia é conhecida por inúmeros papéis marcantes – como Stella Fraga Simpson, em “Água Viva” (1980), e a Rebeca, de “Sassaricando” – e integrou o elenco de 54 peças, 19 filmes e 15 novelas.

 

Sua última novela foi “Senhora do Destino” (2004), de Aguinaldo Silva, na qual fez uma participação especial. No cinema, sua última aparição foi em “Chega de Saudade” (2008).

 

Grande homenageada do Prêmio Shell de 2008, Tonia atuou no teatro pela última vez em 2007, em “Um Barco Para o Sonho”, de Alexei Arbuzov, peça produzida pelo filho Cécil e dirigida pelo neto Carlos Thiré.

 

Tônia começou na televisão na década de 60, a convite do autor Vicente Sesso, para fazer “Sangue do Meu Sangue” ao lado de Fernanda Montenegro e Francisco Cuoco. A novela do diretor Sérgio Britto foi exibida em 1969 pela TV Excelsior.

 

 

Formada em educação física

 

 

Filha de Hermenegildo Portocarrero e Zilda de Farias Portocarrero, Maria Antonieta Portocarrero Thedim nasceu em 23 de agosto de 1922, em uma família de militares, e se formou em educação física em 1941.

 

Sua formação artística foi obtida em cursos em Paris, para onde foi com seu então marido, o artista plástico e diretor de cinema Carlos Arthur Thiré. Na capital francesa, teve aula com grandes atores, dentre eles Jean-Louis Barrault.

 

Em seu retorno ao Brasil, aos 25 anos, estrelou seu primeiro filme, “Querida Suzana”, de Alberto Pieralise (1911-2011), ao lado de Anselmo Duarte, Nicette Bruno e da bailarina Madeleine Rosay.

 

 

Retrato da atriz Tônia Carrero na capital paulista, em 1969 (Foto: Arquivo/Estadão Conteúdo)

 

 

 

Dois anos depois, em 1949, subiu aos palcos pela primeira vez em “Um Deus Dormiu Lá em Casa”, com Paulo Autran. A produção havia sido realizada pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo, sob direção artística de Adolfo Celi – segundo marido de Tônia.

 

Nos anos seguintes, estrelou inúmeras peças do TBC, como “Amanhã, se Não Chover” (1950), de Henrique Pongetti (1898-1979); “Uma Mulher do Outro Mundo” (1954), de Noel Coward; “Otelo” (1956), de Shakespeare; “Entre Quatro Paredes” (1956), de Jean-Paul Sartre; e “Seis Personagens à Procura de um Autor” (1960), de Luigi Pirandello.

 

 

Tônia Carrero e Paulo Autran em ‘Seis Personagens à Procura de um Autor’, de Luigi Pirandello, 1959. Direção: Adolfo Celi. (Foto: Cedoc/Funarte)

 

 

Grande beleza

 

Sua beleza chamava a atenção de diversos diretores de cinema. Assim, a convite do empresário Franco Zampari, ela integrou a Cia. Cinematográfica Vera Cruz, da qual tornou-se um dos rostos mais conhecidos.

 

Foi protagonista de “Apassionata” (1952), de Fernando de Barros; “Tico-tico no Fubá” (1952), de Adolfo Celi; e “É Proibido Beijar” (1954), de Ugo Lombardi.

 

Em 1967, ela se despede da imagem sofisticada e mergulha no universo de Plínio Marcos em “A Navalha na Carne”. Ao lado de Emiliano Queiroz e Nelson Xavier, e sob a direção de Fauzi Arap, viveu a prostituta Neuza Suely. A montagem incomodou a ditadura militar, se tornou um dos espetáculos mais aplaudidos da temporada e foi um divisor de águas na sua carreira.

 

 

Retrato da atriz Tônia Carrero (Foto: Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo)

 

 

Carreira na televisão

 

 

Um de seus personagens mais marcantes foi a sofisticada e encantadora Stella Fraga Simpson, em “Água Viva” (1980), de Gilberto Braga. Tônia viria a trabalhar novamente com o autor em 1983, na novela “Louco Amor”, desta vez interpretando Mouriel.

 

Em 1978, integrou o elenco de “Quem Tem Medo de Virgínia Wolf”, de Edward Albee, com direção de Antunes Filho. Em 1984, subiu aos palcos para encenar o espetáculo “A Divina Sarah”, de John Murrell, com direção de João Bethencourt.

 

Três anos depois, viveu mais um personagem marcante na TV: Rebeca, de “Sassaricando”.

Em 2000, também na Rede Globo, interpretou Mimi Melody em “Esplendor”, de Ana Maria Moretzsohn.

Tônia Carrero em foto de 1955 (Foto: Cedoc/Funarte)

 

 

 

A atriz Tônia Carrero (Foto: Foto Carlos/Cedoc/Funarte)

 

 

Tônia Carrero: se tivesse nascido na Europa, teria sido convidada para Hollywood

A atriz Tonia Carrero Foto: Epitácio Pessoa/ Estadão

A atriz Tonia Carrero (Foto: Epitácio Pessoa/ Estadão)

Foi certamente uma das mulheres mais belas do seu tempo, uma beleza nórdica que a levou a ser comparada a Ingrid Bergman e impulsionou sua carreira. Em 2017, completaram-se 70 anos de sua estreia – tinha 24 quando fez, na Vera Cruz, Querida Susana, com direção do italiano Alberto Pieralisi.

Não é um filme que disponha de boa reputação – chegou a ser considerado o pior de 1947, mas Tônia é um assombro e contracena com o maior galã da época, Anselmo Duarte. Cinco anos depois, Tônia e Anselmo fariam dupla em Tico-Tico no Fubá, e desta vez a receptividade foi estrondosa. O filme dirigido por outro italiano, Adolfo Celi, ostenta até hoje a reputação de ser um dos melhores da Vera Cruz.

Tônia nasceu Maria Antonietta de Farias Portocarrero, no Rio de Janeiro, em 1922. Filha de um general, neta de um marechal, a garota graduou-se em Educação Física. A arte pode não ter vindo diretamente do primeiro marido, o artista plástico Carlos Arthur Thiré, com quem teve o filho Cecil Thiré. Mas acompanhá-lo quando foi viver na França permitiu a Tônia estudar interpretação em Paris.

 

Tônia Carrero, ícone dos palcos e das telas

 

Estreou em 1949 no Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC, em São Paulo, em Um Deus Dormiu Lá em Casa, com Paulo Autran. Já separada de Thiré, e casada com Celi, fundaram a CTCA – a Cia. Tônia-Celi-Autran, que seria decisiva para o desenvolvimento do teatro brasileiro dos anos 1950 e 60.

 

Se tivesse nascido na Europa, com certeza teria sido chamada para fazer carreira em Hollywood. No cinema, e às vezes de forma espaçada, participou de filmes como Quando a Noite Acaba, Apassionata, É Proibido Beijar, Mãos Sangrentas, Esse Rio Que Eu Amo, Gordos e Magros. Um grande papel foi em Sonhos de Menina Moça, de Teresa Trautman, de 1987, como a matriarca que reúne a família pela última vez, na casa que será demolida em breve.

No teatro, com sua beleza e tipo aristocrático, Tônia participou de montagens que fizeram história, com diretores como Ziembinski, Celi, Gianni Ratto e Maurice Vaneau. Em 1968, algo se passou e Tônia, com direção de Fauzi Arap, teve um choque de realidade como a prostituta Neusa Suely de Navalha na Carne, o texto emblemático de Plínio Marcos.

 

Foto de arquivo de 07/06/1999 mostra a atriz Tônia Carrero e o ator Walmor Chagas, que protagonizam a peça "Um Equilíbrio Delicado" no Teatro Alfa Real, em São Paulo. Foto: Sér gio Castro/Estadão

Foto de arquivo de 07/06/1999 mostra a atriz Tônia Carrero e o ator Walmor Chagas, que protagonizam a peça “Um Equilíbrio Delicado” no Teatro Alfa Real, em São Paulo. (Foto: Sér gio Castro/Estadão)

 

A partir daí vieram seus talvez maiores papéis – em Casa de Bonecas, de Ibsen; Doce Pássaro da Juventude, de Tennessee Williams; Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de Edward Albee; A Visita da Velha Senhora, de Friedrich Dürrenmatt.

Na TV, brilhou, na Globo, em Uma Rosa com Amor, Cara a Cara, Água Viva, Sassaricando, Sangue do Meu Sangue, Senhora do Destino. Uma grande atriz que deixou sua marca na história da dramaturgia brasileira.

 

A mais bela atriz brasileira do século 20, Tônia Carrero fez rara conjugação entre beleza e talento

 

Tônia Carrero foi, sem dúvida, a mais bela atriz brasileira do século 20 — apesar de ter perdido o título para Maria Fernanda Cândido em uma votação do “Fantástico” em 1999, feita justamente quando Maria Fernanda era o rosto do momento na novela “Terra Nostra”, o que influenciou o público.
Já no começo da juventude, era admirada por todos pela sua estonteante beleza, que logo a tornou o rosto mais louvado de Ipanema. A beleza lhe lançou nos palcos, onde demonstrou ser não só um rosto bonito, mas uma atriz de talento reconhecido pela crítica nas peças do histórico TBC, o Teatro Brasileiro de Comédia e depois nas companhias que teve, com as quais montou os mais importantes textos do teatro internacional e brasileiro.
Tônia Carrero deixou sua marca na TV
Se sua carreira foi farta nos palcos, onde fez 54 peças, foi mais tímida na TV, onde fez 15 novelas entre 19 trabalhos.
Uma de suas personagens marcantes foi a Rebeca de “Sassaricando”, novela de 1987, e a Stella de “Água Viva”, de 1980. Sua última aparição da TV foi na novela “Senhora do Destino”, como Madame Berthe Legrand.

Tônia Carrero e Raul Cortez em “Água Viva”, novela de 1980 – (Foto: Divulgação)

 

No cinema, Tônia fez 19 filmes, sendo o mais recente “Chega de Saudade”, de Laís Bodanzky, no qual viveu a personagem Alice, uma senhora idosa que frequentava um baile paulistano.
Mulher empoderada dona de sua carreira e de seu próprio destino, ela montou após o TBC seu próprio grupo, a Companhia Tônia-Celi-Autran, em parceria com o amigo ator Paulo Autran e o diretor italiano Adolfo Celi, que foi o primeiro diretor do TBC e seu marido.
Antes de virar atriz profissional, foi mãe de seu único filho, o também ator Cecil Thiré, fruto em 1943 do relacionamento com o artista plástico e desenhista Carlos Arthur Thiré.
Tônia também foi uma das atrizes que lutou contra a censura da ditadura militar à classe artística.

Tônia Carrero, Eva Wilma, Odete Lara, Norma Bengell e Cacilda Becker na histórica passeata contra a censura da ditadura militar em 1968 – (Foto: Reprodução)

Ela participou da histórica passeata contra a censura ao lado de outras importantes atrizes, como Eva Todor, Odete Lara, Eva Wilma, Norma Bengell e Cacilda Becker.

Estreia nos palcos: Tônia Carrero e Paulo Autran em “Um Deus Dormiu lá em Casa”, de 1949 – (Foto: Divulgação)

 

Desde que estrou nos palcos, em 1949 no Teatro Copacabana ao lado de Paulo Autran em “Um Deus Dormiu lá em Casa”, Tônia demonstrou talento dramático e segurança cênica.
Mas o prestígio veio mesmo a partir de 1951, quando virou estrela da Companhia Cinematográfica Vera Cruz e mudou-se para São Paulo, onde tornou-se também estrela do TBC e casou-se com o diretor Adolfo Celi.
Entre as peças marcantes deste período estão “Candida”, de Bernard Shaw, dirigida por Ziembinski.

No palco, Tônia interpretou textos profundos e clássicos, de nomes como Jean-Paul Sartre, Antonio Callado e Pirandello. Deste último fez “Seis Personagens à Procura de um Ator”, que lhe rendeu o Prêmio Governador do Estado de São Paulo.

Em 1965, deixou a sociedade com Celi e fundou a Companhia Tônia Carrero, na qual seguiu trabalhando com Paulo Autran.

Tônia Carrero com Emiliano Queiroz e Nelson Xavier em “Navalha na Carne” de Plínio Marcos: sucesso de crítica em 1968 – (Foto: Divulgação)

 

 

É com ela que, em 1968, faz marcante atuação como a prostituta Neusa Suely de “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos com direção de Fauzi Arap. Ganhou o Molière por ter dado conta da difícil personagem em uma atuação emblemática, na qual abriu mão de sua famosa beleza para viver a decadente personagem.
Em 1970, voltou a trabalhar com Fauzi Arap em “Macbeth”, de Shakespeare, na qual fez par com Paulo Autran novamente. Outra peça marcante foi “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf”, de Edward Albee com direção de Antunes Filho em 1978.

Paulo Autran e Tônia Carrero em “Macbeth”, clássico de Shakespeare que fizeram em 1970 – (Foto: Divulgação)

 

Atriz de risco, em 1986 trabalhou com Gerald Thomas, descoberto por ela na off-Broadway em Nova York, na peça “Quartett”, de Heiner Müller, que lhe rendeu Molière de melhor atriz.
Em 1990, reencontrou o antigo parceiro Paulo Autran em “Mundo Mundo, Vasto Mundo”, peça baseada na obra de Drummond.
Em 2000, voltou aos palcos em grande estilo ao lado de Renato Borghi em “O Jardim das Cerejeiras”, de Anton Tchekhov, sob direção de Élcio Nogueira.

Tônia Carrero, Carlos Augusto Thiré e Mauro Mendonça em “Um Barco para o Sonho”, sua última peça, em 2007- (Foto: André Wanderley/Divulgação)

 

Sua última peça antes de ficar com a saúde complicada foi “Um Barco para o Sonho”, com direção de Carlos Augusto Thiré, seu neto, e na qual contracenou com Mauro Mendonça em 2007.
Grande atriz, Tônia Carrero teve a incrível capacidade de fazer a difícil conjugação entre beleza e talento.

Tônia Carrero morreu em 3 de março, aos 95 anos, no Rio de Janeiro. A atriz morreu de ataque cardíaco, pouco depois das 22h de sábado, durante uma cirurgia, numa clínica particular na Gávea, na Zona Sul. Ela havia sido internada na véspera em decorrência de uma úlcera no sacro. Ela morreu durante procedimento médico.

(Fonte: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia – RIO DE JANEIRO – NOTÍCIA / POP & ARTE / Por G1 – )

(Fonte: https://blogdoarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2018/03/04 – ECONOMIA – ENTRETÊ/ Por Miguel Arcanjo Prado – 04/03/2018)

(Fonte: http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral – GERAL – CULTURA / Por Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo – 04 Março 2018)

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