Simon Wiesenthal, arquiteto austríaco considerado a “consciência do Holocausto” pelo empenho de toda sua vida em perseguir os criminosos do nazismo.
Mundialmente conhecido como o “caçador de nazistas”, Wiesenthal criou seu Centro de Documentação Judaica na capital austríaca em 1947, dois anos depois do final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e após sobreviver a 12 campos de concentração e extermínio e ser libertado por tropas americanas em Mauthausen, na Áustria.
“Sua nomeação não foi anunciada em entrevista coletiva, não por algum presidente ou primeiro-ministro. Simplesmente assumiu esse trabalho. Foi um trabalho que ninguém quis”, disse uma nota emitida pelo site do Dokumentationzentrum de Viena, embrião dos centros Wiesenthal espalhados pelo mundo.
“A missão era impressionante. O objetivo tinha poucos amigos. Os aliados já se concentravam na Guerra Fria, os sobreviventes tentavam recompor suas destroçadas vidas, e Wiesenthal estava sozinho em seu papel como perseguidor e detetive ao mesmo tempo”, acrescenta a publicação oficial de sua organização.
Memórias
Em suas memórias publicadas em 1988 sob o título “Justiça, não Vingança”, o que seria o lema de sua vida, Wiesenthal afirmava que “quando as pessoas olharem para trás na história, devem saber que os nazistas não escaparam sem punição pelo assassinato de milhões de seres humanos.
Em abril de 2003, quando anunciou sua retirada da vida pública e o fim de sua missão, Wiesenthal declarou à imprensa que havia encontrado e sobrevivido a todos os assassinos que perseguiu.
Na ocasião, ele já considerava praticamente impossível que, por motivos de idade e saúde, os poucos criminosos de guerra nazistas que tinham conseguido escapar da Justiça pudessem chegar a ser processados.
Adolf Eichmann
Sua “presa” mais famosa foi Adolf Eichmann (1906-1962), alto oficial das temidas SS, responsável por organizar o transporte para os campos de extermínio de milhões de judeus de toda a Europa.
Wiesenthal não parou até encontrar uma pista na Argentina, onde Eichmann se escondeu após a guerra com o nome falso de Ricardo Clement.
Wiesenthal, então, entregou ao Mossad [serviços secretos de Israel] a localização de Eichmann, que seqüestrou o criminoso e o transferiu para o Estado de Israel, onde foi processado, condenado à morte [única condenação desse gênero no país] e executado na forca em 31 de maio de 1962.
Outros conhecidos criminosos de guerra nazistas que foram processados graças a seu trabalho foram o alemão Karl Silberbauer, responsável pela deportação da menina judia Anne Frank, e o austríaco Frank Stangl, comandante do campo de extermínio de Treblinka.
Repercussão
Entre as múltiplas reações à morte de Wiesenthal, que ao longo de sua vida acumulou inúmeras condecorações, está a do chanceler federal austríaco, Wolfgang Schüssel, segundo o qual “o importante para ele foi estar sempre alerta e, com sua vigilância, evitar que pudesse repetir-se a mais terrível época da História”.
Wiesenthal foi homenageado dia 21 de setembro com um funeral especial no Cemitério Central de Viena, capital da qual era cidadão honorário.
Wiesenthal morreu oficialmente de morte natural, foi transferido posteriormente a Israel, onde dia 23 de setembro foi enterrado com todas as honras.
(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo – MUNDO – da EFE – da Folha Online – 20/09/2005)
20 de setembro de 2005
O ucraniano Simon Wiesenthal morreu aos 96 anos em Viena (Áustria). O sobrevivente de um campo de concentração foi o maior caçador de criminosos nazistas foragidos e chegou a criar uma rede mundial de investigações (Centro Simon Wiesenthal) para ajudá-lo na tarefa.
(Fonte: http://www.guiadoscuriosos.com.br/fatos_dia – 20 de setembro de 2012)
- Simon Wiesenthal, ao receber título de doutor honoris causa em Praga, em abril de 1997 (Foto: EFE)


