Sergio Bermudes, foi um dos advogados mais importantes do Brasil, e é reconhecido como um dos maiores processualistas do País, atuou na causa da viúva de Vladimir Herzog, Clarice Herzog, foi responsável pela primeira derrota da ditadura militar no Judiciário, que reconheceu, em 1978, que o jornalista fora assassinado quando estava sob a custódia do Exército

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Sergio Bermudes, advogado que defendeu viúva de Herzog contra ditadura

Ele fundou o escritório Sergio Bermudes Advogados em 1969 e atuou na ação que culminou no reconhecimento de que o jornalista Vladimir Herzog morreu sob custódia da ditadura militar.

Jurista era um dos nomes mais influentes na advocacia do país

(Crédito da fotografia: Cortesia © Copyright All Rights Reserved/ Managed/ Direitos autorais: Divulgação/ Bruno Poletti – 14.dez.2016/ Folhapress ®/ REPRODUÇÃO/ TODOS OS DIREITOS RESERVADOS)

 

 

Sergio Bermudes (nascido em Cachoeiro do Itapemirim (ES) em 1946 – falecido em 27 de outubro de 2025, no Rio de Janeiro), foi um dos advogados mais importantes do Brasil, exerceu a advocacia por mais de 50 anos, e é reconhecido como um dos maiores processualistas do País.

Profissional que deu uma contribuição fundamental para a evolução da advocacia brasileira na segunda metade do século 20, Bermudes fez o mesmo pela instável democracia do país: seu trabalho na ação movida por Clarice Herzog, viúva de Vladimir Herzog, jornalista assassinado pela ditadura militar em 1975, resultou em uma das primeiras condenações da União pela rotina sanguinária de torturas e homicídios de opositores imposta pelo regime então vigente.

No início de sua carreira, na década de 1970, Bermudes atuou na causa da viúva de Vladimir Herzog, Clarice Herzog. Foi responsável pela primeira derrota da ditadura militar no Judiciário, que reconheceu, em 1978, que o jornalista fora assassinado quando estava sob a custódia do Exército.

Nascido em Cachoeiro do Itapemirim (ES) em 1946, o advogado fundou o escritório Sergio Bermudes Advogados em 1969.Graduado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade do Estado da Guanabara (UEG), em 1969, e doutor em História do Processo Romano, Canônico e Lusitano pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Bermudes é autor de ao menos 15 livros sobre direito.

Foi membro do Instituto dos Advogados Brasileiros, do Instituto Brasileiro de Direito Processual, da Associação Internacional de Direito Processual, do Instituto Ibero-americano de Direito Processual e da International Academy of Trial Lawyers.

Sergio Bermudes deu início à sua carreira docente em 1970, no magistério universitário, como Professor Assistente de Teoria Geral do Estado da Faculdade de Direito da Universidade do Estado da Guanabara, e como professor regente da cadeira de Direito Processual Civil da Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas do Rio de Janeiro, da qual se tornou titular, aprovado pelo Conselho Federal de Educação, em 1971, de acordo com biografia publicada no site do escritório Bermudes Advogados.

Em 1978, assumiu a cadeira de Direito Processual Civil da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), integrando, também, o Conselho de Desenvolvimento dessa Universidade.

“A atuação de excelência de Sergio Bermudes acarretou o crescimento significativo de seu escritório, estabelecido hoje nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, contando com mais de 130 advogados e consultores, à frente de uma moderna e eficiente estrutura de apoio, formada por mais de 250 funcionários e 120 estagiários”, diz a biografia do advogado.

Um dos advogados mais importantes do Brasil, Sergio Bermudes nascido em Cachoeiro de Itapemirim (ES), estudou Direito na antiga Universidade da Guanabara, hoje Universidade do Estado do Rio (Uerj).

Em 1969, fundou o escritório Sergio Bermudes Advogados, que se tornou um dos maiores do país, com sedes no Rio, em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, com atuação nos setores de contencioso estratégico, arbitragem e disputas judiciais de alta complexidade.

Atuação contra a Ditadura

No início de sua carreira, na década de 1970, Sergio Bermudes entrou com a petição inicial na causa da viúva de Vladimir Herzog contra a Ditadura Militar. O processo culminou no reconhecimento de que o jornalista foi assassinado quando estava sob a custódia do Exército.

A Justiça condenou a União e determinou que a família de Herzog fosse indenizada.

Bermudes também representou outros parentes de vítimas da ditadura, como Eunice Paiva, viúva do ex-deputado Rubens Paiva.

Bermudes também atuava como professor de Direito. Ele deu início à sua carreira docente em 1970, no magistério universitário, como professor assistente de Teoria Geral do Estado da Faculdade de Direito da Universidade do Estado da Guanabara, e como professor regente da cadeira de Direito Processual Civil da Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas do Rio de Janeiro, da qual se tornou titular, aprovado pelo Conselho Federal de Educação, em 1971.

Em 1978, assumiu a cadeira de Direito Processual Civil da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), integrando, também, o Conselho de Desenvolvimento da Universidade.

Ao longo de sua carreira, integrou inúmeras bancas de concursos para ingresso na magistratura, na Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro, na Procuradoria do Município do Rio de Janeiro e em outros cargos públicos, bem como realizou centenas de conferências em praticamente todas as faculdades de direito do Brasil, em seções da Ordem dos Advogados, em congressos e seminários e em outros eventos jurídicos, no país e no exterior.

Por nomeação do governo federal, em 1985, integrou a comissão de cinco processualistas designada para proceder à revisão do Código de Processo Civil. Exerceu, por dois anos, o cargo de Juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.

Sergio Bermudes morreu na segunda-feira, 27, aos 79 anos, no Rio de Janeiro, vítima de complicações da Covid-19.

Repercussão

O governador Cláudio Castro também manifestou pesar: “O Brasil perdeu hoje Sérgio Bermudes, um dos maiores nomes na advocacia. Sua trajetória foi marcada pela inteligência, pela dedicação ao Direito e pela construção de um dos escritórios mais respeitados do país. Bermudes deixa um legado de excelência profissional e compromisso com a Justiça, que continuará a inspirar gerações. Neste momento de dor, expresso minha solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão”.

O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti, decretou luto de três dias na entidade. “O Brasil perde hoje (segunda-feira) um de seus grandes brasileiros, e a advocacia, mais do que um advogado, perde alguém que consigo carregava a memória da história de nossa instituição. Formou várias gerações de grandes advogados. Sua morte enluta a OAB e a advocacia, e em homenagem à sua memória, decretamos luto de três dias e lançamos nota de pesar, o que marca nossa consternação e o lamento pela perda”, disse Simonetti.

O ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça, lamentou a enorme perda para a advocacia brasileira. “Uma lástima. Perda grande para a história do Judiciário brasileiro. Um dos últimos grandes e históricos advogados do Rio. Culto, preparado, estrategista, era professor e advogado militante, renomado no Brasil e no exterior. Atuou como advogado no caso da indenização de Herzog; foi advogado da AMB contestando alguns dispositivos do Estatuto da Advocacia lesivos à magistratura. Não fugia do debate. Era um gigante.”

“Bermudes possui inexcedível contribuição para a qualidade do exercício da advocacia. No âmbito da OAB, foi braço direito de Raymundo Faoro, o presidente da redemocratização do Brasil. Na academia e na profissão, sempre foi um inovador e fiel defensor dos postulados constitucionais. Permanecerá vivo por seus ensinamentos e pelo legado de dignidade e altivez”, comentou o advogado Marcus Vinícius Furtado Coelho, ex-presidente nacional da OAB e presidente da Comissão Constitucional da entidade.

“Sergio Bermudes foi um dos maiores expoentes do Direito brasileiro. Sua partida representa grande perda para os advogados e professores de Direito do nosso país. Constitui profunda lacuna no meio jurídico e uma enorme tristeza para os seus amigos e admiradores. Jurista inigualável”, afirmou Adilson Macabu, advogado e ex-ministro do STJ.

“Sergio foi um pai e uma inspiração para todos nós do escritório, principalmente aqueles que começaram como estagiários. Mais do que nunca, vai o homem, mas ficam os ensinamentos de bravura, excelência, ética e desassombro”, falou Henrique Ávila, sócio do Bermudes Advogados.

“Hoje (segunda-feira) tive a triste notícia do falecimento do renomado advogado Sergio Bermudes. Sua morte representa uma grande perda para o meio jurídico brasileiro, onde era conhecido não apenas por sua atuação em grandes causas, mas também por sua eloquência e notável habilidade como contador de histórias”, disse o advogado Carlos José Santos da Silva, o Cajé.

Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) divulgou uma nota em que exalta a longa e vitoriosa trajetória de Bermudes na advocacia. “Ao longo de mais de cinco décadas de atuação, Sergio Bermudes consolidou sua reputação como um dos advogados mais influentes do país na área de resolução de disputas complexas, consultoria para grandes empresas e arbitragens internacionais”, diz trecho da nota.

A advogada Guiomar Feitosa Mendes e o advogado Leandro Dias Porto, sócios do Bermudes Advogados, deram um depoimento sobre o convívio no dia a dia com Sérgio Bermudes. Eis a íntegra:

“Muitos conheceram Sergio Bermudes fora de casa — nos tribunais afora — como advogado. Gênio que era, redigia com domínio único do vernáculo e sustentava com a fluidez do improviso, na precisão cortante de um esgrimista.

Outros conheceram Sergio como o professor e doutrinador: profundo nas reflexões e cioso de sua obra. De cultura inigualável, capaz de encantar o mais erudito, Sergio estava sempre em aula, a todo tempo ensinando e compartilhando parte do conhecimento que tanto acumulou.

Poucos, porém, tiveram o privilégio de conhecer Sergio dentro de sua casa — que era justamente seu escritório. Dia e noite, era lá que se podia encontrá-lo, entre as sedes do Rio, Brasília e São Paulo. Nas raras ocasiões em que se permitia algum descanso, ou mesmo uma viagem, logo chamava os colegas de escritório e não tardava a lembrar de algum processo. Foi assim enquanto pôde: sempre preocupado com seus clientes, das causas de empresas enormes àquelas assumidas em caráter pro bono.

Como advogado, ficou marcado pelo enfrentamento da ditadura militar e pelos louros amealhados no contencioso nacional. Mas, dentro de casa, longe dos noticiários, dedicou-se a uma atividade de caridade sem meias medidas.

Encontrou na caridade uma forma de retribuir tudo o que tanto recebeu; e como retribuiu! Doou, ajudou, supervisionou, salvou, orientou como lhe foi possível. Amigo da igreja e frequentador fiel da Santa Missa, patrocinou inúmeros projetos sociais que, até hoje, se mantêm. Generoso com aqueles que mais precisam, ajudava diretamente inúmeras famílias em situação de vulnerabilidade.

Seu legado, portanto, vai além do Direito, de onde lhe rendem tantas justas homenagens. Juntamo-nos ao coro, assim, para acrescentar que sua vida foi também de entrega: viveu, sofreu e lutou por seus semelhantes, sem medir nem quando, nem quanto. Neste momento de profundo pesar, temos uma certeza: a de que ele foi, antes de um advogado, um ser humano sem igual. Rezou por suas causas e mais ainda pelos outros; por sua ação, ou pelo atendimento de suas preces, foi transformador na vida de tantos”.

Luto de três dias

A presidente da Seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Ana Tereza Basilio, decretou luto oficial por três dias pela morte de Bermudes.

“Hoje, toda a advocacia do Rio de Janeiro e do Brasil fica órfã de um dos maiores gênios da advocacia nacional. Sergio Bermudes fez história com a sua atuação combativa e a sua cultura inigualável. Ele inspirou muitas gerações de advogados e advogadas, e terá sempre um lugar de destaque no panteão de grandes homens que iluminaram gerações”, comentou Basilio, em nota.

(Direitos autorais reservados: https://www.msn.com/pt-br/esportes/lutas – Estadão conteúdo/ ESPORTES/ LUTAS/ História de Redação – RIO – 27/10/2025)

(Direitos autorais reservados: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/10/27 – Globo Notícias/ RIO DE JANEIRO/ NOTÍCIA/ Por g1 Rio – 27/10/2025)

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