Rui Moreira Lima, major-brigadeiro do ar, veterano da Segunda Guerra Mundial, considerado herói da Força Aérea Brasileira, símbolo de resistência nas Forças Armadas durante a ditadura militar

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Brigadeiro Rui Moreira Lima, perseguido durante a ditadura

Moreira Lima cumpriu missões de caça desviando da artilharia alemã (Foto: Agência Força Aérea)

Moreira Lima cumpriu missões de caça desviando da
artilharia alemã (Foto: Agência Força Aérea)

Rui Barbosa Moreira Lima (Colinas, 12 de junho de 1919 – Rio de Janeiro, 13 de agosto de 2013), major-brigadeiro do ar, veterano da Segunda Guerra Mundial, considerado herói da Força Aérea Brasileira, símbolo de resistência nas Forças Armadas durante a ditadura militar e fundador da Associação Democrática e Nacionalista dos Militares (Adnam).

O brigadeiro deu depoimento à Comissão Nacional da Verdade em outubro de 2012 e sua história motivou a criação do grupo de trabalho dedicado a militares perseguidos.

Herói da 2ª Guerra Mundial, com 94 missões na Europa, Moreira Lima era coronel quando foi demitido, em 2 de abril de 1964, do comando da Base Aérea de Santa Cruz, e preso por ser contra o golpe militar.

Ao retornar da guerra, como tenente, Moreira Lima foi condecorado pelas missões na 2ª Guerra Mundial pela FAB (Foto: Agência Força Aérea/Arquivo)

Ao retornar da guerra, como tenente, Moreira Lima foi condecorado pelas missões na 2ª Guerra Mundial pela FAB (Foto: Agência Força Aérea/Arquivo)

O crime de Rui Moreira Lima foi resistir ao golpe. Depois disso, Rui passou a ser um militante pela Anistia aos militares perseguidos e escreveu o best-seller “Senta a Pua!”, sobre os integrantes da FAB que participaram da 2ª GM.

O embarque ocorreu quando a mulher do oficial estava grávida e, ao retornar ao Brasil após a última missão, que foi realizada em 1º de maio de 1945, foi direto conhecer a filha.

O oficial ingressou na FAB aos 20 anos de idade e atuou também no Correio Aéreo Nacional, o que considerou um aprendizado para a guerra. “No Brasil, aprendemos a voar em situações bastante adversas. Quando chegamos na guerra, os americanos ficaram impressionados conosco”.

 

Brigadeiro integrou grupo de aviação que tinha como lema 'Senta a Pua' (Foto: Agência Força Aérea)

Brigadeiro integrou grupo de aviação que tinha como
lema ‘Senta a Pua’ (Foto: Agência Força Aérea)

 

Cerca de 7,5 mil militares teriam sofrido algum tipo de perseguição nos anos de chumbo, segundo consultor da Comissão Nacional da Verdade, Paulo Ribeiro da Cunha.

Nascido em 12 de junho de 1919, em Colinas, no Maranhão, o brigadeiro foi piloto de combate na 2ª Guerra Mundial, em missões na Itália. De volta ao Brasil, chegou a ser comandante da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, mas foi perseguido pelos militares a partir de 1964, por ter se negado a apoiar o golpe militar.

Chegou a ser preso três vezes. Na última, seu filho, Pedro Luiz Moreira, foi detido como forma de chegar a ele. Pedro deu depoimento à Comissão Nacional da Verdade e para a Comissão Estadual da Verdade do Rio, contando que a perseguição a seu pai se estendeu aos outros integrantes de sua família.

Os depoimentos e investigações continuam nas comissões Nacional e Estadual da Verdade do Rio de Janeiro que ouviram nesta segunda-feira (12) dois militares que sofreram perseguição política e tortura durante a ditadura militar (1964-1985) por causa das preferências políticas ou discordâncias em relação a crimes cometidos pelo regime.

No dia 15 de outubro de 2012, Rui Moreira Lima, o militar que se recusou a entregar a Base Aérea de Santa Cruz ao Regime Militar, deu depoimento à Comissão Nacional da Verdade.

Segue abaixo:

Grupo de trabalho iniciou atividades no último dia 11[outubro de 2012], no Rio de Janeiro, colhendo o depoimento do brigadeiro Rui Moreira Lima, de 93 anos.

Quando o golpe militar eclodiu, em 31 de março de 1964, a quebra da ordem institucional vigente, causada pela deposição do presidente João Goulart, legalmente no poder, não foi aceita por unanimidade nos quartéis. Várias vozes se levantaram na caserna e militares que se opuseram ao golpe foram cassados, perderam salários, patentes ou foram presos por expressarem sua discordância.

Afim de recuperar essa história, a Comissão Nacional da Verdade criou um grupo de trabalho para apurar as violações de direitos humanos sofridas pelos militares que se opuseram ao golpe militar.

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As atividades do GT começaram com a colheita do depoimento do brigadeiro Rui Moreira Lima, de 93 anos, herói da 2ª Guerra Mundial, que participou de 94 missões com aviões de caça na Itália. Lima contou aos membros da Comissão Nacional da Verdade José Carlos Dias e Rosa Cardoso detalhes da repressão sofrida por ele e outros colegas de farda que se opuseram ao regime. Especialistas no tema também já estão sendo ouvidos pela CNV para indicar informações sobre essa linha pesquisa.

Em seu depoimento, Moreira Lima também foi questionado a respeito dos antecedentes do golpe. Para ele, o grupo que tomou o poder à força era uma minoria dentro das Forças Armadas. Perguntado se a tese apresentada no livro “1964 – O DNA da Revolução” (dos ex-oficiais Jônathas de Barros Nunes e Gastão Rúbio de Sá Weyne), que afirma que todo o golpe foi engendrado por cerca de 300 oficiais, o brigadeiro não teve dúvidas: “não li o livro, mas os autores devem estar com a razão. Foram poucos”.

Antecedentes do Golpe – “Esse golpe de 64 veio andando, andando”, afirmou o brigadeiro, lembrando seguidas quebras da ordem institucional, como a junta militar que, em 1961, assumiu o poder enquanto o cargo de presidente ficou vago após a renúncia de Jânio Quadros, uma vez que João Goulart estava em visita oficial à China.

Moreira Lima foi preso três vezes: a primeira delas em 2 de abril de 1964, quando o brigadeiro foi deposto do comando da Base Aérea de Santa Cruz, pois Moreira Lima se opôs ao golpe. “Vários colegas foram presos, acusados de serem comunistas. Sempre prenderam os comunistas, desde 1930. Eu trabalhei com comunistas, na Petrobras, mas sempre fui um homem de pensamento livre. Em 64, eu fui o primeiro a ser preso que não foi os de sempre”, afirmou.

Depois de ser processado, ser preso mais uma vez em 1964, e ser aposentado compulsoriamente, Moreira Lima partiu para iniciativa privada. Trabalhava com patentes em 1970, quando foi sequestrado por uma equipe da Policia do Exército a serviço do Doi-Codi. “Quando cheguei lá, meu filho Pedro já estava sequestrado. Ordenei que ele fosse embora”, disse o brigadeiro.

O filho foi liberado, mas o brigadeiro ficou três dias preso sem acusação formal, numa cama de três pernas, com colchão fino e equilíbrio precário, o que lhe causou privação do sono. “Foi tortura”, afirmou o filho. “Quando eu precisava fazer necessidades, era vigiado por um soldado o tempo todo, apontando uma metralhadora”, contou Moreira Lima.

Ao todo, Moreira Lima afirma que ficou 200 dias preso nos três episódios de prisão, dois em 1964 e o de 1970, além de constantes ameaças de prisão e convites para “visitar” dependências do setor de inteligência, além do constante monitoramento que causava terror à família e vizinhos.

Além do depoimento, gravado em áudio e vídeo pela Comissão Nacional da Verdade, o brigadeiro Rui Moreira Lima entregou à CNV cópias de documentos relacionados aos processos e prisões que sofreu durante o regime militar.

“Esperava muito do depoimento do brigadeiro e ficou comprovado que muitos militares sofreram violências em razão da Ditadura”, afirmou o membro da Comissão Nacional da Verdade José Carlos Dias. “O depoimento do brigadeiro certamente fará parte do relatório final da Comissão e abriu vários caminhos para a investigação do GT que apurará as violações de direitos humanos sofridas por militares que se opuseram ao regime”, disse Rosa Cardoso.

Na abertura da sessão desta terça (13) do grupo da Comissão da Verdade, o consultor Paulo Ribeiro da Cunha lamentou a morte e disse que o militar era uma pessoa extraordinária, que inspira o processo de luta pela verdade. “Hoje nossos trabalhos serão permeados pela emoção dessa perda”.

Rui Moreira Lima, de 94 anos, morreu em 13 de agosto de 2013, no Hospital Central da Aeronáutica, onde estava internado há 47 dias na unidade de terapia intensiva (UTI) por causa de um acidente vascular cerebral. Ele teve uma parada cardíaca às 4h30.

Na abertura da sessão de hoje do grupo da Comissão Nacional da Verdade, o consultor Paulo Ribeiro da Cunha lamentou a morte e disse que o militar era uma pessoa extraordinária, que inspira o processo de luta pela verdade:

— Hoje nossos trabalhos serão permeados pela emoção dessa perda.

O corpo do militar foi velado no Instituto Histórico da Aeronáutica.

(Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/08 – RIO DE JANEIRO – Do G1, em São Paulo – 13/08/2013)

(Fonte: http://vermelho.org.br/noticia/221061-1 – NOTICIA – BRASIL – 13 de agosto de 2013)

Com informações de agências e Ascom – Comissão Nacional da Verdade

(Fonte: http://oglobo.globo.com/brasil  – BRASIL – POR AGÊNCIA BRASIL – 13/08/2013)

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