Roger Agnelli, ex-presidente da Vale, foi apontado como um dos executivos mais influentes do Brasil

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Executivo Roger Agnelli, presidente da mineradora Vale durante 10 anos

ROGER AGNELLI (FOTO: STEFANO MARTINI/ EDITORA GLOBO)

ROGER AGNELLI (FOTO: STEFANO MARTINI/ EDITORA GLOBO)

Roger Agnelli (São Paulo, 3 de maio de 1959 – São Paulo, 19 de março de 2016), executivo, ex-presidente da mineradora Vale, foi apontado como um dos executivos mais influentes do Brasil

Formado em economia pelo Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Agnelli teve uma carreira de sucesso nos setores bancário e de energia.

Durante 19 anos, o executivo trabalhou no Bradesco. Quando tinha 38 anos, se tornou o diretor executivo mais jovem da história do banco. A fulminante ascensão chamou a atenção de Lázaro de Mello Brandão, presidente do Bradesco. Agnelli virou seu protegido.

No Bradesco, Agnelli integrou a equipe que articulou um consórcio com a CSN e investidores internacionais para comprar a então chamada Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) no leilão de privatização realizado em 1997.

Quando a CSN se desvencilhou do negócio, o executivo, então presidente da Bradespar, assumiu a presidência da Vale e levou a mineradora à sua época mais brilhante.

 

Depois de deixar a Vale, Agnelli abriu uma empresa de investimentos com foco em commodities (Foto: NYSE Euronext / Valerie Caviness)

Depois de deixar a Vale, Agnelli abriu uma empresa de investimentos com foco em commodities (Foto: NYSE Euronext / Valerie Caviness)

Agnelli foi o mais jovem executivo do primeiro time do Bradesco,onde começou a trabalhar em 1981. Aos 38 anos, ele foi nomeado presidente do Bradespar. Era considerado um dos profissionais ungidos por Lázaro Brandão, ex-presidente do banco.

O empresário presidiu entre 2001 e 2011 a Vale, uma das maiores mineradoras do mundo. Nesse período, foi considerado um dos executivos mais poderosos do Brasil. Ele chegou ao comando da empresa por meio de indicação feita pelo Bradesco, que é um dos acionistas da empresa por meio do Bradespar.

Se por um lado Agnelli era conhecido pela eficiência como administrador – aumentou o lucro da Vale de US$ 3 bilhões para US$ 37 bilhões –, por outro pesava sobre ele a fama de ser um profissional de temperamento difícil, uma espécie de ‘trator’ que não costumava tornar o clima muito fácil para quem o acompanhava. “Quando assumi, a Vale tinha um valor de mercado de US$ 9 bilhões. Hoje, somente em caixa, temos US$ 15 bilhões”, disse o executivo ao se despedir da presidência da mineradora.

Dos 7 aos 176 
Agnelli mudou completamente a gestão da Vale, trocando a lenta burocracia estatal por um estilo de trabalho mais ágil, com novas cobranças de resultados e remuneração. Sob seu comando, a empresa também adotou uma estratégia global.

Comprou mineradoras estrangeiras, como a canadense Inco, e investiu mais fortemente no seu posicionamento como fornecedora de matéria-prima para o mercado externo, principalmente a China.

Os bons resultados estão refletidos nos balanços da Vale. Entre 1997 e 2010, o valor de mercado da mineradora pulou de US$ 7 bilhões para US$ 176 bilhões. Na última década, o lucro subiu em ritmo parecido: de R$ 3 bilhões para R$ 37 bilhões.

As ações da empresa se valorizaram 1.583% na sua gestão. Tamanho crescimento fizeram da Vale a segunda maior mineradora e a maior produtora de minério de ferro do mundo.

Há quem diga que os bons resultados são consequência do boom chinês por commodities. Ao ouvir a teoria, Agnelli reagia com humor. “Nós sabemos quanto escorpião tivemos que comer para fechar os contratos com a China”, disse em seu último dia à frente da Vale.

Todas as mineradoras tentaram surfar a onda chinesa, mas nenhuma cresceu tanto quando a Vale. Além de lucros polpudos, a gestão de Agnelli rendeu à Vale o “investment grade” da agência de rating Standard & Poor’sem 2005, três anos antes do país.

A gestão rendeu também prêmios individuais a Agnelli. Em 2013, a Harvard Business Review o considerou o quarto CEO com os melhores resultados do mundo. Nessa época, ele já estava fora da Vale, mas o ranking leva em consideração majoritariamente seus anos à frente da mineradora.

Além da carreira de executivo, Agnelli foi membro do conselho de empresas como Petrobras, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), entre outras.

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Queda de braço com o governo

Mesmo com os resultados excelentes, Agnelli não teve seu contrato renovado em maio de 2011, fruto da tensão política que vinha enfrentando no cargo pelos dois anos anteriores. A demissão foi resultado de uma briga de forças na qual saiu vitoriosa a presidente Dilma Rousseff.

Sua saída da Vale foi muito conturbada. Especulou-se na época que teria acontecido por influência de Dilma Rousseff, insatisfeita com as críticas e com os resultados do executivo. O governo tinha peso nas decisões da Vale por ser um acionista relevante – por meio do BNDES e de fundos de pensão.

A presidente não gostou quando Agnelli promoveu uma demissão em massa e congelou investimentos considerados prioritários pelo ex-presidente Lula em 2008, no auge da crise econômica global.

A tensão se estendeu por três anos. Entrevistado por Época NEGÓCIOS perto do fim da sua gestão, Agnelli dizia não ter problemas com nenhum grupo político. “Não briguei com ninguém. Talvez tenham brigado comigo”, afirmou.

Para seu lugar foi escolhido Murilo Ferreira, executivo que começou sua careira da Vale em 1977 e chegou a dirigir a Vale do Rio Doce Alumínio e a Vale Inco, no Canadá, antes de assumir a cadeira de presidente.

Um novo começo com o BTG

Após sair da Vale, Agnelli morou nos Estados Unidos com a esposa.  Ao voltar ao Brasil, a cláusula de não competição imposta pela Vale quando da sua saída tinha vencido.

Em julho de 2012, o executivo anunciou a criação da B&A Mineração juntodo banco BTG Pactual, de André Esteves. A empresa tinha como objetivo investir R$ 1,04 bilhão em projetos envolvendo fertilizantes, minério de ferro e cobre na América Latina e na África.

Questionado por Época NEGÓCIOS se competiria com a Vale, Agnelli foi enfático. “De jeito nenhum. A Vale é um baby meu. Amo a empresa”, afirmou em 2014.

A B&A foi o primeiro projeto concreto da holding AGN, fundada e controlada pelo executivo desde o começo de 2012. Agnelli também tinha planos de investir em bioenergia e logística com a holding.

Em dezembro de 2011, Agnelli anunciou a criação da AGN Participações, uma companhia de investimento especializada nos setores de commodities, inclusive minério de ferro.

Além de comandar a Vale, Agnelli fez parte do conselho de administração de grandes empresas, como CPFL, Petrobras e CSN.

Roger Agnelli era uma das sete pessoas a bordo do monomotor que caiu sobre uma casa em São Paulo na tarde do sábado, dia 19 de março de 2016, em São Paulo. Dono do avião, ele tinha 56 anos, era casado com Andréa e pai de Ana Carolina e João, que também estavam na aeronave acompanhados do marido e da mulher.

A aeronave onde Agnelli e sua família estavam, de prefixo PRZRA, decolou do Campo de Marte em direção ao aeroporto Santos Dumont às 15h20.

FOTO DE 2015 DO AVIÃO QUE AGNELLI E SUA FAMÍLIA USAVAM PARA IR PARA O RIO DE JANEIRO (FOTO: VINÍCIUS FERRANTE)

FOTO DE 2015 DO AVIÃO QUE AGNELLI E SUA FAMÍLIA USAVAM PARA IR PARA O RIO DE JANEIRO (FOTO: VINÍCIUS FERRANTE)

O avião nem bem decolou e se chocou com uma casa na Rua Frei Machado, a cerca de 200 metros da cabeceira 12 do aeroporto. Com o choque, a aeronave pegou fogo.

 

Avião monomotor que caiu em São Paulo destruiu alguns carros e comprometeu a estrutura de uma casa (Foto: Renato Mendes/Sigma/Estadão Conteúdo -19.3.16)

Avião monomotor que caiu em São Paulo destruiu alguns carros e comprometeu a estrutura de uma casa (Foto: Renato Mendes/Sigma/Estadão Conteúdo -19.3.16)

(Fonte:  http://economia.ig.com.br/2016-03-19 – BRASIL ECONÔMICO – Por iG São Paulo | 19/03/2016),

(Fonte: http://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2016/03 –

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