Bob Wade, campeão britânico de xadrez que atuou como mentor de uma nova geração
Robert Wade (nasceu em 10 de abril de 1921, em Dunedin, Nova Zelândia — faleceu em 29 de novembro de 2008, em Londres, Reino Unido), jogador de xadrez, que desempenhou um papel singular na mais famosa disputa de títulos mundiais de xadrez, em Reykjavik, em 1972. Muito antes da partida, Bobby Fischer contratou secretamente Wade, que havia vencido o campeonato britânico de xadrez duas vezes, para produzir um arquivo completo das partidas de Boris Spassky, seu próximo oponente.
Mas Wade também era editor da Batsford, a principal editora de xadrez da época, e foi coautor de “The Games of Robert J. Fischer”, publicado antes da partida e que entregou a Spassky sua preparação de bandeja. Fischer não ficou satisfeito – seu advogado disse que seu cliente se sentia “ambivalente” – mas, 20 anos depois, o americano pediu a Wade que fizesse o mesmo trabalho em sua segunda partida com Spassky.
Wade também foi o mentor de xadrez mais influente para a geração de ouro de talentos ingleses que emergiu na década de 1970 e se tornou rival da então dominante URSS. Ele havia viajado extensivamente pela Europa Oriental em sua juventude como jogador e se apropriara da abordagem dinâmica favorecida pelos treinadores soviéticos. Assim, quando o financiador Jim Slater, que havia salvado o match de Reykjavik do colapso dobrando a premiação, ofereceu apoio para treinar os cinco melhores aspirantes ingleses, Wade supervisionou seu progresso. Todos se tornaram grandes mestres e o núcleo das equipes inglesas na década de 1980.
Robert Graham Wade nasceu em 10 de abril de 1921 em Dunedin, Nova Zelândia. Seu interesse pelo xadrez só se desenvolveu no final da adolescência e ele ainda era desconhecido quando, como campeão neozelandês, conquistou o segundo lugar em Sydney no campeonato australiano de xadrez em 1945. Decidiu então jogar na Europa, onde seu torneio internacional de estreia, em Barcelona 1946, foi um desastre, com nove derrotas em suas primeiras 10 partidas. Mas perseverou – atraiu os organizadores por representar um continente diferente – e adquiriu vasta experiência. Em 1950, já se destacava em eventos de alto nível e recebeu o valioso título de mestre internacional.
Em 1951, ele também era o delegado da Anzac na organização global Fide e compareceu à disputa pelo título mundial realizada em Moscou naquele ano. Isso lhe trouxe outra experiência dolorosa: uma exibição contra 30 jovens moscovitas, onde seu placar foi de 20 derrotas e 10 empates. Mas ele também adquiriu conhecimento sobre as técnicas educacionais de xadrez soviético, que utilizou em seu próprio trabalho em escolas de Londres e em suas aulas para adultos no Morley College.
Wade conheceu Fischer em 1960 e empatou sua partida com o americano em Havana, em 1965. Fischer gostou dele e, em 1970, pediu-lhe ajuda para se preparar para as partidas dos Candidatos, que aconteceriam no ano seguinte. Wade, devidamente, forneceu os dossiês das partidas de Mark Taimanov (1926 — 2016), Bent Larsen (1935 – 2010) e Tigran Petrosian (1929 — 1984), todos os quais Fischer arrasou. As vitórias abriram caminho para Fischer jogar contra Spassky pelo título de campeão em 1972. Wade orgulhava-se de que, em 1992, um importante editor de revista, na esperança de uma entrevista com Bobby, chegasse à partida com 1.400 partidas de Spassky em disco, sem saber que Wade já havia fornecido mais de 2.000.
Em Batsford, Wade lançou uma série de livros especializados em aberturas, voltados tanto para especialistas quanto para amadores. Isso foi inovador, pois antes se pensava que apenas obras gerais sobre todas as aberturas venderiam. Ele também trouxe jovens mestres ingleses como autores, o que elevou sua reputação a ponto de se tornarem temidos em todo o mundo na década de 1980 por sua profundidade de conhecimento. Seus próprios escritos incluíam uma obra seminal sobre o xadrez soviético e uma biografia inicial de Garry Kasparov. Ele foi nomeado OBE em 1979.
Em seus últimos anos, Wade continuou seu trabalho em novas áreas. Ajudou a estabelecer o banco de dados TWIC (The Week in Chess), a principal fonte de notícias online sobre xadrez; foi árbitro na série de títulos mundiais Kasparov x Nigel Short de 1993 e no match anual Oxford x Cambridge; e continuou a incentivar jovens talentos. Ajudou muitos futuros GMs, de Jonathan Speelman a David Howell, e sua sagacidade, gentileza e generosidade o tornaram provavelmente a personalidade mais querida do xadrez inglês.
Ele não era casado.
Robert Wade faleceu em 29 de novembro de 2008, aos 87 anos
https://www.theguardian.com/sport/2008/dec/01 – The Guardian/ ESPORTE/ XADREZ/ por Leonard Barden – 1 Dez 2008)
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