Richard Helms, ex-chefe da CIA que foi destituído pelo presidente Richard Nixon

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Diretor da CIA que conspirou contra Allende

 

Com o Capitólio que aparece atrás, o Diretor da Agência de Inteligência Central, Richard Helms (Foto: Getty Images)

 

O homem que dirigiu os destinos da CIA durante um de seus períodos mais difíceis e foi destituído pelo presidente Richard Nixon.

Richard McGarrah Helms (St. Davids, Pensilvânia, 30 de março de 1913 – Washington, D.C., 22 de outubro de 2002), ex-chefe diretor da CIA, agência federal de informações dos Estados Unidos, que conspirou para assassinar Fidel Castro e derrubar o presidente chileno Salvador Allende.

Depois de mais de duas décadas de carreira na agência, ele foi destituído, em 1973, pelo presidente Richard Nixon ao negar-se ao bloquear as investigações do escândalo de Watergate. Depois disso, recebeu o cargo de embaixador no Irã.

Burocrata eficiente e discreto, não era carismático nem fanfarrão – ao contrário, lacônico e reservado – enfim, o tipo de homem que não criava problema algum para obedecer as ordens de quem estivesse ocupando o cargo de presidente, sempre acatando as regras do jogo, tal como as entendia.

No entanto, Helms também é lembrado por ter-se negado a bloquear a investigação do FBI sobre os homens que haviam entrado nos escritórios do Partido Democrata no edifício Watergate durante o episódio que provocou o escândalo de mesmo nome, que liquidou com o governo Nixon.

O próprio Nixon havia pedido a Helms que impedisse que a polícia federal investigasse os homens que invadiram as dependências do partido adversário – e que pertenciam às fileiras da CIA. Um furibundo Nixon demitiu Helms da direção do serviço de inteligência e o enviou ao Irã, como embaixador.

O quase sempre fiel executor de ordens, coordenou grande parte das ações promovidas pelos agentes secretos americanos para evitar que Allende chegasse ao poder.

Um documento secreto recentemente liberado, datado de 16 setembro de 1970, informa sobre a primeira reunião que Helms teve com os encarregados de promover ações contra Allende: “O diretor convocou uma reunião em conexão com a situação no Chile”.

“O diretor disse ao grupo (de militares e agentes da CIA) que o presidente Nixon decidiu que um regime de Allende no Chile não é aceitável para os EUA”, acrescenta o documento.

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Esse foi o início de uma série de ações encobertas contra Allende, que incluíram – sob a supervisão do secretário de Estado Henry Kissinger – ações de propaganda, entrega de dinheiro a grupos opositores ao candidato socialista e, depois, incentivo a vários militares golpistas.

Helms esteve também envolvido nos planos americanos para assassinar o presidente cubano Fidel Castro, embora neste caso seu papel não esteja tão claro como o que cumpriu no enfraquecimento da administração Allende e que culminou com a derrubada do presidente eleito e a tomada do poder, com um golpe militar, pelo general Augusto Pinochet.

Como chefe das operações secretas da CIA, Helms também teve de acatar as ordens do presidente John Kennedy, que a todo custo queria vingar-se de Fidel pelo fiasco sofrido na invasão da Baía dos Porcos, em 1961.

Além de sua controvertida atuação em países estrangeiros, Helms liderou a Operação Caos, destinada a espionar, perseguir e desprestigiar os ativistas – principalmente os estudantis e de esquerda – que se opunham à guerra do Vietnã. Entre os principais alvos dessa operação estiveram os líderes estudantis Abbie Hoffman e Jerry Rubin, e o ativista negro Bobby Seale.

Um especialista no manejo do submundo da espionagem, Helms contribuiu desse modo para expandir a vigilância da CIA – que deveria atuar apenas fora dos EUA – sobre os próprios cidadãos americanos.

Helms foi várias vezes convocado a Washington para prestar declarações perante o Congresso, que investigava o papel da CIA no Chile e – o que é proibido pelos estatutos da agência – dentro dos EUA. Em 1975, após ficar claro que ele havia mentido ao Senado, foi condenado a US$ 2.000 de multa e à prisão, com direito a sursis.

Helms sempre disse que tal condenação foi para ele “uma medalha de honra”. “É preciso assumi-lo”, disse, certa vez, ao explicar sua posição. “O povo americano quer operações de inteligência fortes e eficientes, e não quer ouvir falar muito sobre elas”.

A trajetória do ex-chefe da CIA começou nos anos 30, no jornalismo – no qual se destacou por uma entrevista exclusiva com Hitler para a agência United Press. Logo em seguida, na Segunda guerra Mundial, Helms iniciou sua carreira na espionagem para o Escritório de Serviços Estratégicos, antecessor da CIA – da qual se tornou o primeiro espião de carreira a atingir a cúpula.

Richard McGarrah Helms nasceu em 30 de março de 1913 em St. Davids, na Pensilvânia. Seu pai era empresário e seu avô materno, Gates McGarrah, um banqueiro internacional.

“Os EUA perderam um grande patriota”, disse em um comunicado, ao saber de sua morte, o atual diretor da CIA, George Tenet. “Os homens e mulheres da inteligência americana perderam um grande professor e um amigo de verdade”.

Richard Helms morreu em 22 de outubro de 2002, ao 89 anos, em Washington. Era um homem alto e magro, que praticava tênis e corridas de maratona.

(Fonte: http://www.estadao.com.br/arquivo/mundo/2002 – MUNDO – CIDADES – GERAL – 23 de Outubro de 2002)

(Fonte: Veja, 30 de outubro de 2002 – ANO 35 – Nº 43 – Edição 1775 – Datas – Pág: 128)

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