Primeiro fast-food do mundo

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Primeiro fast-food do mundo

 

Em 1921, quando carne moída ainda era vista com maus olhos e o McDonald’s nem sonhava em existir, Billy Ingram e Walter Anderson abriram em Wichita, no estado americano do Kansas, o White Castle.

 

Considerada pela revista norte-americana “Time” a dona do hambúrguer mais influente do mundo, a marca inaugurou o conceito de fast-food dentro do segmento ao servir com rapidez sanduíches a preços acessíveis — cada unidade custava 5 centavos de dólar até 1929 e 10 centavos até 1949.

 

Billy acreditava que toda família deveria ter dinheiro para comer fora e aproveitar um restaurante”. 

 

O preço tinha o relógio como aliado. A produção funcionava em linha de montagem e os cozinheiros não precisavam de grandes dotes culinários para segui-la. Além do método de padronização, a limpeza foi um ponto decisivo para o sucesso.

 

Segundo a “Time”, o lançamento do best-seller “The Jungle” (1905), do escritor Upton Sinclair (1878 – 1968), que revelou péssimas condições sanitárias em frigoríficos, fez os americanos criarem resistência à carne moída.

 

“As pessoas achavam que hambúrguer era uma comida de baixa qualidade. Por isso, a marca focou na qualidade dos ingredientes e na limpeza do restaurante”, reforça Jamie.

 

As instalações brancas, o moedor de carne à vista dos fregueses e o uniforme engomadinho e claro dos funcionários conseguiram quebrar o tabu e abriram o caminho para que o hambúrguer fosse de um renegado a uma obsessão.

 

Prova disso é que em 1930 o White Castle colecionava 10 lojas pelo país e que mais tarde, em 1961, foi o primeiro fast-food a vender mais de 1 bilhão de sanduíches.

 

Hambúrguer quadrado e cebola na chapa

 

Os sanduíches da rede possuem algumas peculiaridades. A começar pelo tamanho e formato. A carne é moldada em pequenos quadrados com cinco furos no meio. A ideia é que possam ser acomodados em grandes chapas, que comportam 30 unidades por vez.

 

Primeiro, pedaços de cebolas são colocados na superfície quente. Na sequência, entram os hambúrgueres, que cozinham no vapor do vegetal e ganham um sabor especial.

 

Os furinhos, por sua vez, economizam tempo. Como o calor sobe por eles com facilidade, pula-se a etapa de virar o disco para tostar do outro lado e o recheio vai direto para o pão — quadrado, é claro. O queijo foi adicionado à pedida só em 1961.

 

Embora agora conte com ingredientes bem mais industrializados, o processo segue o mesmo até hoje. A esse tipo de hambúrguer foi dado o nome de slider, que vem do verbo slide (significa “deslizar”).

 

A palavra foi criada devido à rapidez com que se come os pequenos sanduíches. Eles ‘deslizam direto pela garganta’.”

 

Pegar para levar

 

Como em qualquer outro restaurante, quem frequentava a lanchonete que lembra um castelinho sentava-se em mesas para devorar o hambúrguer até 1927. Depois, a loja estreou o sistema de take away e promoveu ainda mais informalidade.

 

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As embalagens faziam o papel de prato e guardanapo e os consumidores puderam, então, pegar as comidinhas para levar e comer onde quiser. “Isso tornou mais fácil servir e comer diferentes alimentos de uma vez”.

 

O mesmo conceito viria a ser um dos trunfos dos irmãos Richard e Maurice McDonald que, junto do empresário Ray Kroc, montaram o fast-food mais popular do mundo.

 

Cadeia própria

 

O McDonald’s expandiu em sistema de franquia e tornou-se uma febre global. Com o White Castle, o crescimento foi mais tímido. A empresa, que se mantém familiar, é dona de todas as unidades. Atualmente, são 320 endereços em 14 estados.

 

“Não pensamos em expandir internacionalmente porque ainda existem muitos pontos para abrir dentro dos Estados Unidos”, garante Jamie.

 

Em 2020, saíram da chapa e do freezer dos supermercados — desde 1987 a marca vende sliders congelados para serem aquecidos no micro-ondas de casa — 658 milhões de hambúrgueres e cheeseburgers.

 

Primeira parceria com hamburgueria

 

Inspirada nas primeiras redes de fast-food, o Patties abriu as portas em São Paulo em 2019. Com hambúrgueres pequenos e artesanais vendidos a preços atrativos, o negócio deslanchou.

 

Logo apareceu em premiações gastronômicas, colecionou uma legião de fãs no Instagram (233.000 seguidores) e abriu outras duas unidades, além de sete pontos de delivery.

 

Desde o início do projeto, o White Castle era uma referência clara para o Patties. A rede foi homenageada por meio das paredes de azulejo brancos, do “W” presente no logo, e da coleção de embalagens e miniaturas que formam o “mini museu” instalado nas lanchonetes do Brooklin e do Itaim Bibi.

 

“Por ser a primeira rede de hambúrgueres do mundo, é uma inspiração obrigatória. Se não fosse o White Castle, não existiria McDonald’s, Patties e nem esse modelo que tanto moldou a sociedade moderna”, diz o sócio Henrique Azeredo.

 

Fanático por hambúrguer, ele sonhava em fechar uma parceria com a sua “musa inspiradora”. Dois anos, 46 mensagens no LinkedIn e cem trocas de e-mail depois, a “collab” finalmente aconteceu.

 

Para comemorar os 100 anos, foi criado um novo uniforme para os funcionários e lançado um combo personalizado com o primeiro logo da rede e embalagens típicas.

 

“Conseguimos uma liberação inédita para usar a logomarca antiga e fazer algo que nunca ninguém tinha feito. Estamos extasiados”, comemora.

 

O hambúrguer também foi remodelado para lembrar o da empresa norte-americana. “São duas bolinhas de 40 gramas de carne que vão na chapa com fios de cebola em cima”.

 

Amassamos tudo com a espátula e a cebola se mistura à carne. As partes encostadas na chapa caramelizam”. 

 

O hambúrguer vai no pão de batata que, diferentemente do White Castle, é redondinho mesmo.

(Fonte: https://www.uol.com.br/nossa/noticias/redacao/2021/09/28 – NOTÍCIAS / AO PONTO / por Gabrielli Menezes / De Nossa – 28/09/2021)

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