Primeira incursão de cientistas brasileiros à região mais fria e desolada do planeta

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O biólogo da Unisinos Martin Sander lembra bem o que sentiu na primeira vez em que esteve na Antártica, em 1982, como integrante da primeira incursão de cientistas brasileiros à região mais fria e desolada do planeta.

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Martin Sander (1954- ), pioneiro da pesquisa antártica no Brasil, o biológico da Unisinos é aficionado pelo inóspito continente de gelo: a Antártica. Na década de 80, o recém-formado biólogo intrigava-se com os ensinamentos de um dos maiores especialistas em ornitologia – o estudo das aves -, o alemão Helmut Sick, autor da bíblia no assunto, a obra Ornitologia Brasileira. Quando reafirmava o interesse pelas aves, recebia o seguinte conselho:
– O Rio Grande do Sul não tem nenhuma ave marinha, todas são visitantes. Tu deves ir aonde elas se reproduzem. Na Patagônia, nas Ilhas Malvinas, na Antártica. Lá descobrirá a vida delas – ensinava. O biólogo da Unisinos Martin Sander esteve na Antártica, em 1982, como integrante da primeira incursão de cientistas brasileiros à região mais fria e desolada do planeta.
Dois anos depois da formatura, em 1982, com 27 anos, Sander integrou a primeira expedição universitária brasileira à Antártica. A Operação Antártica I, que a bordo do navio Barão de Teffé vistoriou locais para instalar a estação brasileira, ocorreria apenas um ano mais tarde. Com três estudantes de Geologia da Unisinos, Sander partiu para o mundo gelado. O grupo aterrissou na Península de Fildes, na Ilha Rei George, às 13h do dia 19 de fevereiro de 1982, depois de ficar espremido por mais de 10 horas no compartimento abarrotado de caixas e equipamentos de um C-130 da Força Aérea Chilena. Foram 33 dias no que seria o primeiro dos verões mais frios de sua vida, com temperaturas de até -20ºC.
Com aquela viagem abrimos uma linha de pesquisa ainda inexistente no Brasil e despertamos o interesse governamental sobre a Antártica – diz o geólogo e também professor da Unisinos Marco Antonio Hansen, um dos autores do projeto que originou a expedição.
Desde a primeira viagem, Sander monitora a migração de aves marinhas da Antártica para o Brasil. Nesses 21 anos, foram 15 expedições e um ano e quatro meses convivendo com pingüins, biguás, skuas e petréis-gigantes. Uma experiência que coloca o biólogo entre os maiores especialistas na ornitologia antártica, segundo o glaciólogo Jeferson Simões, coordenador de um dos grupos de pesquisa do Programa Antártico Brasileiro (Proantar).
Em uma avaliação das temporadas no mundo branco, Sander constatou duas grandes diferenças.
– A Antártica está mais limpa e a fauna está diminuindo. Os 43 países que mantêm bases lá estão tendo o maior cuidado com o lixo, mas é comprovado que interferem na vida animal – avalia.

(Fonte: DIONARA MELO/ Casa Zero Hora/Vale dos Sinos – segunda-feira, 17 de novembro de 2003 – EUREKA – Edição nº 13967 – ELTON WERB/ Editor)

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